Desafios e oportunidades na gestão de projetos de engenharia

No dinâmico mundo da indústria da construção, transformar visões em realidade é um desafio multifacetado que requer a harmonização de diversas áreas de especialização. Os Diretores-Gerais da Pórtico, uma renomada empresa do setor, partilham valiosos insights extraídos das suas experiências, revelando lições profundas sobre os complexos processos de interpretação de objetivos e transformação de requisitos técnicos em projetos concretos.

Eng.º Joaquim Ferreira e Eng.ª Ana Neves, Sócios – Gerentes

A Pórtico – Gabinete de Engenharia, Lda é uma empresa fundada em 1990 que se dedica à prestação de serviços na área de gestão da Construção Civil. Com sede no Porto, a empresa foi pioneira, na zona norte, no projeto no âmbito Ninho de Empresas, destacando-se pela sua estrutura simples e funcional, o objetivo é oferecer serviços completos de Engenharia e Arquitetura, com foco na satisfação do cliente. Os sócios-gerentes, Eng.ª Ana Neves e Eng.º Joaquim Ferreira, priorizam a formação, inovação e melhoria contínua para atender às necessidades dos clientes.

Um desafio inicial ressaltado pelos sócios-gerentes é a interpretação e alinhamento dos objetivos do projeto com os requisitos técnicos. Tomaram como exemplo a atual fase de candidaturas ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que exige melhorias na certificação energética de várias obras. No entanto, a falta de alinhamento entre as áreas de intervenção e as necessidades reais pode resultar em complicações na fase de construção e funcionalidade do edifício. A Pórtico adota uma abordagem colaborativa, reunindo todas as partes interessadas, incluindo especialistas de cada setor, em reuniões de conceção e desenvolvimento do projeto. O objetivo é assegurar que os critérios de design estejam coesos e que todas as possíveis interferências sejam consideradas, evitando problemas futuros.

“Esta expressão é muito importante, a conceção e desenvolvimento do projeto, onde estão incluídas todas as especialidades, e restantes partes interessadas, nomeadamente, quem vai pagar a obra. Da parte do dono da obra, quer se trate de entidade pública ou privada, deve existir técnicos das áreas de especialização de cada aspeto do projeto para poder responder aos critérios de design que teremos que atender, enquanto projetistas. É um contributo importantíssimo. Contudo na ausência de técnicos especializados, por parte do dono de obra, compete ao projetista sensibilizar ao mesmo, quais as vantagens e desvantagens das decisões de conceção a preconizar, incluindo os seus reflexos no futuro”, afirma Joaquim Ferreira.

A pressão de prazos curtos, muitas vezes impostos por circunstâncias como os fundos europeus, é um desafio constante. A Pórtico reconhece a necessidade de equilibrar o tempo disponível com a qualidade do planeamento. Uma vez que, demasiado planeamento pode levar ao adiamento, no mesmo modo a falta de tempo pode comprometer a qualidade do projeto. A empresa destaca a importância de um planeamento oportuno e eficaz, salientando a criação de espaços para reuniões colaborativas de conceção e desenvolvimento. Isso garante a colaboração e a coesão de todas as partes envolvidas. Este é um problema identificado, que afeta, de forma transversal, todo o país.

Para enfrentar os desafios complexos da gestão de projetos, a figura do gestor de contrato emerge como uma potencial solução. A Pórtico valoriza um gestor de contrato bem qualificado, capaz de coordenar todas as partes interessadas e integrar eficazmente diversas especialidades. Isso desempenha um papel vital na clareza dos critérios de conceção, garantindo a participação de todos, desde o início e mantendo a colaboração ao longo do processo. “A figura do gestor público, do gestor de contrato, para mim, é uma figura fundamental e deve ser pensada e trabalhada […] Uma figura bem diferenciada quer no setor público quer no setor privado é importante”, salientam os sócios-gerentes.

A Pórtico promove uma abordagem proativa para responder às necessidades dos clientes, consciente de que eles podem não estar familiarizados com os detalhes técnicos dos projetos. A empresa trabalha para consciencializar, identificar e comunicar alternativas, vantagens e desvantagens, promovendo um diálogo constante durante a fase de conceção. Isso possibilita a adaptação do projeto às necessidades e expectativas reais do cliente.

A visão da Pórtico estende-se além da construção, compreendendo que um projeto não termina na edificação, mas continua na operação e manutenção contínuas. A empresa realça a importância de dar garantias e circuitos de manutenção, acreditando no desempenho duradouro do projeto. Uma linha de comunicação aberta durante todas as fases, é central nessa estratégia.

A Pórtico destaca ainda a necessidade de uma fiscalização ativa, indo além do mero acompanhamento burocrático. A comunicação é mantida entre projetistas, clientes e fiscalização, enquanto medidas preventivas são implementadas para reduzir conflitos. Uma gestão eficaz de materiais evita atrasos ou substituições de última hora. “Todas as medidas preventivas numa fase de projeto e numa fase de fiscalização da obra são sempre bem-vindas e devem ser pensadas”, destaca Ana Neves.

A escassez de mão de obra e os prazos de entrega de equipamentos emergem como desafios graduais. A complexidade crescente das máquinas aumenta os prazos de produção e entrega, afetando a pontualidade dos projetos. A Pórtico considera a importação de trabalhadores qualificados como uma potencial solução e destaca a necessidade da disciplina financeira. “A escassez de mão de obra e o aumento dos prazos de entrega dos equipamentos mais complexos têm sido problemas”, explanam.

Alcançar um alto padrão de coordenação é extremamente vital, especialmente quando se lida com empreendimentos complexos. Uma coordenação eficaz tem a capacidade de identificar e resolver conflitos desde os estágios iniciais, resultando na minimização de retrabalhos. Para a Pórtico é altamente recomendável adotar a prática de rever projetos, pois isso contribui para melhorar a qualidade e evita problemas que poderiam surgir no futuro. Falamos de Melhoria Contínua.

A Pórtico realça a importância de uma profunda compreensão da legislação aplicável a cada projeto. Esse conhecimento não apenas guia a conceção, mas também fomenta um respeito mútuo entre os profissionais de diferentes áreas envolvidas no projeto. A empresa aconselha a evitar “palpites de bancada”, nos quais cada indivíduo oferece sugestões sem considerar as implicações legais e técnicas. Ao compreender a sua própria área de especialização e ter uma visão geral das outras áreas, os profissionais podem contribuir de forma mais eficaz e harmoniosa para o sucesso global do projeto. “Temos que saber dizer a alguém que o Estado tem algo que não tem o seu devido enquadramento, a sistemática mudança legislativa (sem ser devidamente ponderada/testada) não tem o seu devido enquadramento a longo prazo”, vinca Joaquim Ferreira.

Ainda no âmbito das reabilitações e reconstruções, a Pórtico realça a importância da prática de contratação de serviços de Due Diligencie Técnica. Um excelente Imput, quando bem desenvolvida, para o sucesso do investimento a realizar.

A rica experiência da Pórtico oferece lições valiosas para o setor. Elementos como responsabilidade social, foco no planeamento, na conceção e coordenação minuciosa têm um peso crucial. Não esquecendo todo um trabalho de equipa. A adoção de práticas de revisão pode melhorar os próximos desafios.

A Pórtico encontra-se certificada nas mais diversas áreas:

Certificado da Qualificação de Gestor Geral da Qualidade pelo LNEC;
Certificado do Sistema de Gestão de Qualidade pelo IQNET;
Certificado da Norma NP EN ISO 9001:2015 pelo APCER;
Certificado de Peritos Avaliadores de Imóveis pela CMVM;
Certificado PME Lider 2021.

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