Dar forma ao sonho do cliente

 João Vaz Gomes considera ser uma grande responsabilidade dar forma aos sonhos das pessoas, mas é com esse sentimento que faz arquitectura. Em entrevista à Revista Business, o arquiteto destaca a qualidade, criatividade e inovação como pilares, sem os quais não conseguiria a posição que tem hoje num mercado cada vez mais competitivo. 

O ano de 2019 foi um grande ponto de viragem para a JVG Arquitetos, com a criação de uma nova imagem e uma ampla abrangência geográfica. A exigência do mercado tem contribuído para este crescimento e adaptação?

A exigência do mercado foi como alavanca e obrigação para a nossa adaptação. O mercado apesar da pandemia mundial vivida nos últimos 18 meses, teve uma evolução que sinceramente ninguém estava à espera. A falta de matéria-prima, a escassez de tempo para trabalhar devido a teletrabalho e afins, e a procura por novos espaços habitacionais foi/é surpreendente. As pessoas viram na própria pele o que é “ficar enclausurado” em quatro paredes. Os apartamentos em altura, de dimensões reduzidas, sem varandas, sem luz, acabaram. O cliente quer espaço, quer liberdade, quer área verde. A nossa adaptação ao mercado tem que ser constante e sempre em sintonia com o cliente, só assim será possível vencer e conquistar o nosso espaço que já dura há mais de 15 anos.

Do vasto e diferenciado portfólio, residem projetos de habitação, mas também na área da saúde e serviços, com especial destaque para as ERPI (residências para idosos). São mais de 15 anos a adquirir experiência e diversidade de conhecimento?

Sim. A habitação e penso que não fujo à regra de colegas meus, até pelo que já disse anteriormente é, sem dúvida, o nosso principal foco de trabalho, podendo mesmo ocupar quase 70% do nosso portfólio. No entanto, o planeamento urbano, os equipamentos, sendo eles diferenciados pela hotelaria e ERPI também já são parte do nosso currículo. Estes 15 anos na execução de projetos deste tipo têm sido deveras desafiante para mim e para a minha equipa. O conhecimento por parte dos investidores nesta equipa começa a sentir-se e a certeza da execução correta do nosso trabalho e acompanhamento tem sido notada.

Desde construção, reabilitação, projetos de estabilidade, reconstrução de rede de abastecimento de águas, estudos de sensibilidade sobre certificação energética até projetos e instalações de infraestruturas de telecomunicações, são diversos os serviços, que vão além do que “esperamos” de um gabinete de arquitetura?

O serviço do nosso gabinete de arquitetura passa essencialmente pela execução real do que podemos fornecer ao nosso cliente, albergando o acompanhamento de toda a obra, desde a realização do projeto na sua base e ideia à passagem pela seleção de tendências e a sua correta aplicação. Desde o primeiro contacto até à experiência da primeira noite passada na sua casa o acompanhamento é total. Aqui o cliente preocupa-se com a realização do seu sonho apenas e não com todas as questões que se encontram por detrás do mesmo. Esse é o nosso trabalho. Com a evolução do mercado, fomos obrigados a adaptarmo-nos e já apresentamos serviços tridimensionais ajustados ao gosto do cliente com recurso a sistemas informáticos permanentes. O cliente leva o projeto consigo para casa e pode “andar” sobre o mesmo em qualquer PC que tenha ao seu dispor, fazendo as adaptações necessárias e quando o desejar.

Todos os projetos exigem um equilíbrio entre contexto, funcionalidade, conforto, as necessidades de cada cliente sempre aliados às novas tendências do mercado. A aposta na qualidade, criatividade e inovação, com inspiração no contexto, são os pilares? 

Sem qualquer dúvida. Sem esses pilares não conseguiriamos a posição que temos hoje num mercado cada vez mais competitivo. É mesmo devido a conceitos de qualidade e criatividade que nos mantemos ativos. A equipa cresceu só este ano em mais de 50 por cento. Arquitetos, modeladores 3D e engenheiros são agora a nossa equipa, quase 12 horas ao dispor do cliente.

A arquitetura tem uma forte influência em toda a sociedade e um papel determinante na qualidade de vida das pessoas, nas mais diversas dimensões. É uma grande responsabilidade dar forma aos sonhos dos vossos clientes?

É a nossa prioridade. Sempre foi o meu desejo e objetivo dar forma ao sonho do meu cliente. O projeto é sempre personalizado ao gosto do mesmo e sempre adaptável em qualquer altura, mesmo em obra. O que nunca vou querer na minha vida profissional é um cliente insatisfeito, e em 15 anos de mercado, contam-se numa mão os que não ficaram totalmente realizados. Às vezes até nem é por nós arquitetos, mas sim pelas normas impostas e bem, pelos municípios na conceção do espaço. Muitas pessoas pensam que por serem donas de uma parcela de terreno podem fazer o que querem, mas não, existem regras a cumprir e, por vezes, não é fácil dar asas ao seu sonho, mas arranja-se sempre uma solução neste atelier. Não gostam muito, mas são as regras deste “jogo”.

Aproxima-se um novo ano com novos desafios e obstáculos a serem ultrapassados. Como perspetivam o futuro da arquitetura e da JVG Arquitetos?

A JVG Arquitetos vai evoluir, e a nossa perspetiva é uma subida em mais de 30% no volume de trabalho. A procura de desafios neste atelier vai ser uma certeza e vamo-nos querer intermeter por entre os maiores. No entanto o mercado tem as suas regras e por isso vai ser desafiante, mas contamos com mais projetos nos equipamentos por todo o país.

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