Descubra como a RITTA Care transforma a saúde pélvica em empoderamento sem tabus: uma conversa exclusiva com Rita Paiva sobre inclusão, inovação e legado na fisioterapia pélvica em Portugal.
A RITTA Care tem como missão cuidar da saúde pélvica de forma inclusiva e sem tabus. Como é que esta visão humanista se reflete na experiência que proporcionam aos vossos pacientes e na cultura interna da clínica?
Quando comecei o meu percurso na área da saúde pélvica, entendi a importância do cuidado da mesma. Cuidar da saúde pélvica tem um impacto direto na qualidade de vida da população, assim como, na auto-confiança. É uma ferramenta de empoderamento. E desde então, decidi que a nossa missão seria: Empoderar as pessoas através do cuidado da saúde pélvica. Na RITTA Care tratamos saúde pélvica como algo normal, porque é. Isso muda logo a experiência das pessoas: são recebidas sem filtros, sem julgamento e com linguagem clara. Internamente, funciona igual uma cultura onde toda a gente é tratada com respeito, onde falar de corpo, vulnerabilidade e sexualidade é seguro. Humanismo aqui não é discurso, é prática diária.
Dito isto, para mim, sempre foi fundamental promover um entorno onde as pessoas sentissem segurança e empatia. Onde sentissem uma segunda casa, e um espaço onde podem ser elas mesmas, sem tabus.

A saúde pélvica é muitas vezes um tema rodeado de preconceitos e silêncios. Que estratégias usa para desmistificar este tema e empoderar pessoas de todas as identidades e idades?
A estratégia é simples: falar do tema de forma natural e consistente. Conteúdo educativo que não infantiliza, humor quando faz sentido, ciência sempre. Mostramos corpos reais, problemas reais e soluções reais. Quanto mais normalizamos, mais pessoas se libertam da vergonha e começam a procurar ajuda.
A nossa intervenção é fundamental na saúde da mulher, do homem e da criança. Costumo sempre dizer que “Intervir nas disfunções do pavimento pélvico na infância é prevenir disfunções no adulto”. Umas das principais fontes de informação e desmistificação da saúde pélvica, são sem dúvida as redes sociais. Criei o meu perfil, com um foco primário de me dar a conhecer como profissional, mas a missão de empoderamento e informação desta temática tão importante, falou mais alto e hoje é a nossa missão como equipa. Segundamente, uma vez que acompanhamos também mulheres grávidas, em pós-parto ou outras etapas da vida, a passagem de informação de todo o leque de intervenção da Fisioterapia Pélvica é facilitada, uma vez que esta acompanha a o ser humano desde o nascimento até ao fim de linha.
Liderar uma equipa multidisciplinar especializada requer uma combinação única de competências. Como equilibra o conhecimento técnico com a empatia e a confiança para criar o espaço seguro que caracteriza a RITTA Care ?
Lidero com técnica, mas sobretudo com confiança e empatia. Como investigadora, docente e profissional de saúde, a formação contínua e a metodologia de intervenção são a base de uma intervenção de qualidade. A coordenação, alinhamento e o trabalho em equipa são chave, mas também dar espaço para debater, perguntar, melhorar e crescermos em conjunto.
Quando recruto alguém para integrar a RITTA Care, a valorização das soft skills é o primeiro ponto. Porque isso é o que vai fazer a diferença, junto com o conhecimento avançado. Esse equilíbrio cria o tal safe place não porque é uma regra, mas porque todos sentimos que podemos ser humanos enquanto fazemos ciência.
O cuidado da saúde pélvica impacta diretamente no bem-estar físico e emocional das pessoas. Que desafios enfrentou para posicionar esta área como prioridade de saúde pública e privada em Portugal?
O maior desafio foi fazer as pessoas perceber que saúde pélvica não é luxo nem “assunto íntimo demais” é saúde básica. Faz parte das que são as nossas funções básicas desde que nascemos, e como tal, é de extrema importância a intervenção nesta área, não só com um foco de reabilitação, mas também prevenção.
Uma vez que a saúde pélvica está intimamente interligada com o bem-estar emocional, incorporar uma psicóloga na nossa equipa, foi a cereja no topo do bolo, para colmatar a o cuidado 360º que para nós é tão importante: Bio (físico), Psicossocial. Pois, denotávamos a imensa desvalorização do impacto das disfunções do pavimento pélvico na esfera da saúde mental. Como empresária, um dos maiores desafios foi encontrar a melhor forma de trazer as inovações do mercado, sem apoio económico, desde o início, quando ainda estava sozinha na minha primeira empresa. Outro desafio foi mostrar ao setor privado que este campo é rentável, inovador e urgente. E, ao público, que prevenir custa menos que tratar. Portugal sempre esteve atrasado neste tema, mas estamos a empurrar a fronteira todos os dias.
Enquanto mulher empreendedora num setor tão especializado, que características pessoais e profissionais considera fundamentais para o sucesso e para a construção de uma marca sólida e próxima dos seus valores?
Para estar neste setor de uma forma impactante, tens de ter atrevimento, coragem, visão e uma ética inabalável. Técnica sem estratégia não constrói marca, estratégia sem valores não constrói confiança. O que me move é clareza, consistência e a missão de criar algo que não dependa só de mim, mas do impacto que eu deixo.
A tecnologia e o conhecimento científico avançam rapidamente. De que forma acompanha e integra essas evoluções na prática clínica e na formação contínua da sua equipa?
Investigo e estudo todos os dias. Para além da formação contínua, vou a congressos, crio protocolos, testo, erro, ajusto. Igualmente, estou a investigar na área da Endometriose (PhD em Ciências da Saúde). E depois formo a minha equipa com a mesma exigência. A RITTA Care evolui porque não estamos presas a modelos antigos. Integramos tecnologia quando faz sentido clínico não por moda.
Olhando para o futuro da RITTA Care e para o panorama da saúde pélvica em Portugal, quais são as suas grandes ambições e que legado gostaria de deixar na comunidade e no setor?
O meu objetivo é simples: que a saúde pélvica deixe de ser nicho. Quero criar centros de referência, formar profissionais que mudem carreiras inteiras e deixar uma estrutura que seja o legado do cuidado da Saúde Pélvica. Por isso, para além da RITTA Clinic e do NALU on Flow, construímos a RITTA Academy, entidade que se centra na formação a profissionais de saúde. O presente e o futuro da RITTA Care é internacional, multidisciplinar e disruptivo. O legado? Empoderar as pessoas através do cuidado da saúde pélvica.
Que mensagem gostaria de deixar para outras mulheres que, como si, ambicionam liderar, empreender e transformar a sua área de atuação, especialmente em setores onde são ainda poucos os exemplos de liderança feminina?
Às mulheres que querem liderar: não esperem permissão. Entrem, criem espaço, construam autoridade com trabalho real e nunca deixem que a dúvida alheia faça barulho na vossa visão. O mundo precisa de mulheres a liderar não pela estética do girl boss, mas porque mudamos sistemas de dentro para fora.





