Determinada desde cedo a compreender o ser humano e a ajudar quem a procurava, Eduarda Figueiras é, hoje, Psicóloga e Fundadora de um consultório em Braga. Entre conquistas e obstáculos, defende a prevenção em saúde mental como prioridade e aposta em iniciativas que ajudam a quebrar o estigma ainda presente em Portugal.
O que a motivou, desde tão cedo, a querer ajudar pessoas, e de que forma essa motivação se transformou na decisão de fundar o próprio consultório em Braga? Que decisões ou aprendizagens foram realmente transformadoras no caminho até se afirmar como Psicóloga?
Desde cedo que gostava de ouvir as pessoas a desabafarem sobre o que as afligiam. Diziam que era “boa ouvinte”. Além disso, tinha uma enorme paixão por conhecer o cérebro e o comportamento humano! Dessa forma ingressei no curso de Psicologia, na Universidade do Minho, fiz o estágio curricular (Hospital de Braga – Serviço de Psiquiatria) e o Ano Profissional Júnior em contexto de clínica privada. Passados poucos meses, abri o meu consultório em Braga. Um sonho que tinha desde o momento em que entrei para o curso. Não foi tudo um mar de rosas, tive de aprender a ser paciente pois tanto para encontrar espaço como para resolver burocracias levou algum tempo. Fora todos os imprevistos que aconteceram e que estavam fora do meu controlo. No fim tudo valeu apena. Ficou um consultório muito acolhedor onde os/as clientes entram e dizem “já me sinto melhor”.

Enquanto Psicóloga, como encara o papel da prevenção em saúde mental?
Para mim a prevenção da saúde mental é um pilar fundamental para mantermos o nosso bem-estar geral e uma maior qualidade de vida. Nunca nos podemos esquecer de que a saúde mental é tão importante como a saúde física, e sem ela não há saúde. A intervenção precoce e a promoção de competências emocionais desde a infância não só reduzem o risco de mais tarde virem a desenvolver perturbações como ansiedade e depressão, como fortalecer a resiliência em situações mais adversas. E deixo esta recomendação não vão ao psicólogo apenas quando os sintomas aparecem e interferem no funcionamento diário. Aprendam a ouvir os sinais que o corpo nos dá. Se está numa fase mais vulnerável procure ajuda especializada. Pedir ajuda não é um ato de fraqueza, mas sim um ato de coragem!
De que forma o grupo terapêutico “Regresso a Mim!” e as palestras que realiza contribuem para o combate ao estigma em torno da saúde mental, um tema que ainda considera delicado em Portugal?
Em Portugal, existe uma maior consciencialização da importância da Psicologia, contudo o estigma em torno da saúde mental continua a ser uma realidade, permitindo assim que pessoas com perturbações de ansiedade e de humor evitem procurar ajuda e sofram em silêncio. Assim, tanto o grupo “Regresso a Mim” como as palestras permitem: normalizar conversas sobre saúde mental; permite a partilhar experiências reais; promove um espaço de escuta ativa em que há a desmistificação de ideia erradas como o caso de “quem procurar ajuda psicológica é fraco”; sensibilizar as pessoas para os temas da saúde mental, promovendo a literacia em saúde mental; reforçar ainda a vulnerabilidade como força que é algo muito importante.

A Eduarda é um exemplo inspirador. Que conselho ou mensagem gostaria de deixar para as mulheres que também sonham em empreender?
Nunca desistam dos vossos sonhos! Vocês são capazes. Valorizem as pequenas, grandes vitórias sempre! Não se foquem apenas no resultado. Não deixem de acreditar no vosso potencial.






