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Entre tradição e modernidade

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Catarina Gonçalves, Presidente da Junta de Freguesia de Salto, traça um balanço positivo do turismo na região e aponta como prioridade para o futuro a construção de uma creche, projeto que considera essencial para o desenvolvimento social e económico da freguesia.

O turismo em Salto tem vindo a crescer. Que balanço faz desta área ao longo do seu mandato, no que concerne ao turismo?

O balanço do turismo ao longo de um mandato depende muito do contexto económico, político e social vivido nesse período — mas, em termos gerais, podemos, em relação à freguesia de Salto, pode ser analisado em três dimensões: crescimento, desafios e sustentabilidade.

Temos muitos destinos que têm registado um crescimento continuo no número de turistas, tanto estrangeiros como nacionais, essencialmente em Salto, mas também em algumas aldeias mais tradicionais, mais características ou mais emblemáticas, como é o caso das aldeias de Seara, Reboreda, Corva e da Borralha, sem desprimor de todas as outras, vamos fazendo o caminho.

O turista atual procura a tranquilidade, o bem-estar, o ar puro, as paisagens naturais, os espaços imaculados, a gastronomia única e isso tem vindo a ser preponderante para o crescimento do nosso turismo rural, que reúne todas essas características.

Ao nível dos desafios, identificamos alguns constrangimentos, nomeadamente na questão do alojamento, porque temos ainda pouco alojamento local, e a inexistência deste tipo de resposta inibe a possibilidade de estadia prolongada.

Finalmente, ao nível da sustentabilidade depreendo que há hoje maior consciência sobre a necessidade de equilibrar crescimento com preservação ambiental e qualidade de vida das comunidades locais.

Além disso, considero que a aposta em plataformas online, marketing digital e experiências personalizadas devem ser reforçadas, para criar alguma competitividade em relação aos grandes centros turísticos. Em síntese, o balanço tende a ser positivo em termos de crescimento económico e devido a ter-se gerado uma maior notoriedade da própria freguesia.

Catarina Gonçalves, Presidente

 

Quais foram as ações para dinamizar a freguesia? Que projetos ou iniciativas turísticas mais marcaram a freguesia nos últimos anos?

Para dinamizar uma freguesia no setor do turismo, é essencial combinar ações de divulgação e valorização do património local, melhoria das infraestruturas, promoção ativa e envolvimento da comunidade.

Desenvolvemos algumas dinâmicas que entendemos serem preeminentes, nomeadamente a valorização do património e identidade local, com a reinvenção da Semana do Barrosão.

A cooperação ativa entre a Junta de Freguesia de Salto e a Associação Nacional de Criadores de Gado de Raça Barrosã, na organização deste evento, tem-se manifestado um verdadeiro sucesso, garantindo uma projeção da freguesia e do setor pecuário local, nunca antes vista!

Salto, além de estar integrado no Barroso e de ser parte do Património Agrícola Mundial, é cada vez mais conotado como o “Solar da Raça Barrosã”, como sendo o lugar, a localização geográfica que melhor condição detém, para a criação e desenvolvimento daquela raça autóctone, muito apreciada pela alta gastronomia!

Este evento serve para projetar esta raça, os seus produtores e a forma como continuam a cuidar dos seus gados, das suas terras; mas também toda a freguesia, toda a sua riqueza ambiental, gastronómica tornando-a, no seu todo, verdadeiramente identitária!

Além disso, lançámos também o “Mercado de Natal”. Trata-se de uma feira natalícia, realizada durante os dois fins-de-semana que antecedem o Natal que visa, além da promoção da cultura, e a animação infantil, com a apresentação de peças de teatro e alguma animação; a formação, com a implementação de oficinas de artesanato e de culinária, na área de “Cake Design”, e assim dar também projeção às nossas empresas locais, e escoamento de produtos artesanais e regionais, como o fumeiro!

Durante este mandato, honrosamente abraçámos um novo conceito de festividade. Através da Associação “Bora Bulir”, entidade recente, com pouco mais de três anos, que realiza um festival de música eletrónica, associado à promoção da cultura, do património e do desenvolvimento social, ajudamos a criar uma simbiose perfeita entre os espaços rurais icónicos que a Associação promove, a música contemporânea e a economia local, trazendo centenas de pessoas, de todas as idades e estratos sociais, à nossa freguesia!

A par desta iniciativa, apoiamos também ativamente o “Projeto Raízes” que organiza e promove a “Caminhada Mais Louca – Minas da Borralha”, evento lúdico-desportivo que nos transporta para as entranhas do Pólo Mineiro e traz milhares de aficionados à nossa aldeia das Minas da Borralha.

Além disto, mantemos as nossa comemorações e celebrações solenes e auxiliamos ativamente a organização da Associação do 15 de Agosto, que mantém a tradição da celebração das Festas em honra da Nossa Padroeira – Senhora do Pranto.

Estes são apenas alguns exemplos daquilo que tem sido construído nos últimos anos, e pelos quais nos congratulamos.

 

 

O turismo traz novas dinâmicas à comunidade. De que forma o turismo pode influenciar as prioridades políticas e as expectativas da população local?

O turismo pode influenciar bastante as prioridades políticas e as expectativas da população local, e isso acontece por alguns mecanismos principais, nomeadamente na priorização de investimentos públicos direcionando recursos para infraestrutura turística, nomeadamente através da realização de eventos culturais, espetáculos, teatro, exposições, formações e sessões públicas sobre a saúde e bem-estar nos polos museológicos, da Casa do Capitão em Salto, e do Polo das Minas da Borralha.

Começámos a apostar na promoção e marketing, através da criação de um site e redes sociais dedicadas à freguesia, com informações sobre eventos e pontos de interesse.

Tem sido trilhado um percurso importante, mas pretendemos fazer mais, nomeadamente:

  • a criação de roteiros temáticos com história, gastronomia, artesanato e trilhos naturais;
  • a colocação de sinalização turística clara, com placas informativas em vários idiomas;
  • manter e melhorar a requalificação de espaços públicos (praças, jardins, zonas ribeirinhas).
  • Criar espaços para autocaravanas;
  • produzir material promocional (mapas, brochuras, vídeos) distribuído em postos de turismo e feiras do setor.
  • Estabelecer parcerias com operadores turísticos e agências de viagens.
  • Incentivar influenciadores e bloggers de viagens a visitar e divulgar a freguesia.
  • Promover o envolvimento da comunidade local
  • Incentivar o alojamento local e pequenas unidades de turismo rural.
  • Envolver escolas e associações na organização de eventos e projetos culturais.

 

Pensando no futuro da freguesia, que propostas ou prioridades gostaria de apresentar para o futuro?

Pensando no futuro da freguesia de Salto e fora do âmbito do Turismo, entendo ser de concretizar a construção de uma creche!

Trata-se de um equipamento, uma verdadeira resposta social que representa uma das necessidades mais prementes das famílias; é um importante recurso para os pais trabalhadores que não têm retaguarda familiar que possa acolher os seus filhos, e é, sem margem para dúvida, um direito de todas as crianças, constituindo assim um importante fator de desenvolvimento económico e social e de coesão territorial. Isso, aliado aos incentivos à natalidade, também criados durante este mandato, poderão ser fatores determinantes para o aumento circunstancial da natalidade. Tudo farei para que este projeto se torne uma realidade.

Estamos uma freguesia com cerca de 77,89Km2! Trata-se de uma extensa área, com aldeias bastantes distanciadas entre si, percorrendo uma rede viária exigente.

Todas as aldeias têm acessos estradais, na sua grande maioria, condignos, muito embora, sejam necessárias algumas intervenções! Tem havido um importante esforço por parte da Câmara Municipal de Montalegre na manutenção dessa rede, no entanto, manter-me-ei a lutar por mais e melhores acessibilidades.

Procurarei estar e ir de encontro com as necessidades ligadas ao Sector Primário. A agricultura, além de nos ser uma realidade estrutural, identitária, ela é a nossa força motriz, estarei mais próxima deste sector, nomeadamente na luta por mais e melhores recursos ligados à atividade.

Salto vive entre a tradição e a renovação. Como gostaria que Salto fosse vista por quem vos visita?

Tendo por base a Vila de Salto, a frase sobre “viver entre a tradição e a renovação” já aponta para um equilíbrio interessante: preservar aquilo que é genuíno, as nossas raízes, as nossas tradições, mas sem se fechar ao futuro, e às gerações vindouras!

Eu diria que Salto poderia ser vista como:

  • Autêntica – um lugar onde a cultura, os saberes e a paisagem mantêm uma ligação profunda às raízes, sem se tornarem apenas cenário para turistas.
  • Inovadora na medida certa – capaz de usar tecnologia, eventos e iniciativas modernas para melhorar a qualidade de vida e criar novas oportunidades, sem perder a identidade e desconstruir a tradição.
  • Acolhedora – onde quem chega se sente parte integrante, se sente matéria, se sente Saltense.
  • Viva – com tradições que não estão apenas “congeladas no tempo”, mas que continuam a ser praticadas e reinventadas pela comunidade.
  • Orgulhosa mas recetiva – mostrando a sua história com orgulho, e ao mesmo tempo “curiosa” e capaz de absorver novas realidades.

Diria que Salto pode hoje ser considerada como “Um lugar onde as mãos que tecem a manta de burel, que fiam a lã, ou que bordam o linho, também seguram o telemóvel para orgulhosamente partilhar o que se faz! Mas, Salto é, e será sempre, a Terra do “Entre, quem é”.

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