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Bem-vindos à Burinhosa, a aldeia do futsal

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Da Burinhosa para o mundo, mas sempre com o coração em casa. Há 40 anos, que Coutinho Duarte constrói pontes entre Portugal e Angola, mas é o futsal e as suas gentes que o fazem regressar à aldeia que ganhou estatuto único: a Aldeia do Futsal. Com Tiago Moreira e João Lino à frente do clube e o reconhecimento do presidente da Câmara de Alcobaça, Hermínio Rodrigues, a Burinhosa é hoje sinónimo de paixão, união e orgulho comunitário.

Coutinho Duarte apresenta-nos a Burinhosa – Aldeia do Futsal

Engenheiro de formação e filantropo por vocação, Coutinho Duarte é um empresário português, nascido na Burinhosa – concelho de Alcobaça –, que divide a sua vida entre Portugal e Angola. Ao longo dos últimos 40 anos empreendeu entre cá e lá, mas há um motivo que sempre o faz regressar a casa: as gentes e o clube da Burinhosa.

Começamos esta entrevista, realizada na icónica Quinta da Valinha, por lhe perguntar o que o move, seja no mundo empresarial, seja na esfera pessoal?

Eu penso que volvidos todos estes anos ligado ao mundo empresarial, o que nos move acaba por ser as amizades e as afeições que fazemos com os nossos clientes e funcionários. A partir de determinada altura, os bens materiais começam a ser secundários comparativamente às amizades que se fazem, à fidelidade e ao gosto que temos em formar profissionais. O que me move hoje é fazer coisas, profissionalizar pessoas, estimulá-las, motivá-las e, acima de tudo, mostrar amizade para com todos os que me ajudaram a construir o que tenho.

Cada um de nós é uma pessoa distinta e nós temos uma obrigação para com a própria humanidade. Dar o nosso contributo para que o mundo, na nossa partida, seja melhor do que quando aqui chegámos. Se eu pudesse, com alguma varinha mágica, acabar com a miséria, com a fome, com as carências humanas, eu daria o que fosse preciso!

 

Coutinho Duarte, Empresário

 

 

No seu entender, quais as atuais mais valias que Angola oferece em termos de investimento? E quais os fatores que ainda faltam ser melhorados para uma maior garantia de estabilidade?

Nós, portugueses, somos viciados por África e ainda mais por Angola. À data da independência, enquanto Portugal administrava Angola e outros territórios, eram esses países que marcavam a diferença pela positiva, hoje é o inverso. O que me apetecia dizer, é que devíamos ir todos para África, criar postos de trabalho e aproveitar o que de bom lá existe.

O problema é que não há essa condição, é tudo muito centralista, muito limitado, muito desconfiado, no fundo, ainda está muito fresca a libertação de Angola. Empresarialmente, aquele motor que poderia arranjar soluções para combater o desemprego e a fome, não tem condições criadas e isso deixa-me muito triste na minha atividade. Não faz sentido eu ter pão a sobrar na minha mesa se o outro não tem nem o cheiro dele. É por isso que, depois de 40 anos, eu continuo a querer estar lá a formar pessoas e a dar o meu contributo para melhorar a vida dos que cruzam o meu caminho. Eu gostava muito de deixar uma melhor África, uma melhor Angola, do que aquela que encontrei. Mas não sei se sou capaz, porque as pessoas também têm de deixar.

Sabemos que a Burinhosa é um motivo de orgulho para si. O que o faz investir na sua aldeia, colocando-a no mapa, também através do Futsal e da Volta a Portugal?

Não é só o Futsal e a Volta a Portugal, estamos a tentar lançar outras modalidades como o ténis de mesa e a ginástica, por exemplo. Neste momento, o que me move a mim e à minha equipa, é continuar a fazer da Burinhosa o grande representante do distrito de Leiria na modalidade. Paralelamente a isto, move-nos trabalharmos para que apareçam talentos desportivos e talentos humanos. Para mim nada vale o talento desportivo se ele não for acompanhado de valores humanos e toda a equipa técnica e direção trabalha com esta ambição e objetivo. Estamos a trabalhar para que nada falte aos miúdos, seja na nutrição, na psicologia, ou nas diferentes áreas da construção do homem e estamos a dotar o clube de infraestruturas precisamente para isto. É fundamental que os miúdos cresçam com estes valores, com o exemplo dos treinadores e dos diretores.

A Burinhosa, hoje uma aldeia quase uma ilhota rodeada por pinhal, tem cerca de 200 atletas, vindos de Peniche, Caldas da Rainha, Pombal, no fundo de todo o distrito, porque sentem que ali está a melhor escola, a melhor formação e os pais confiam em nós. É isso que nos move, trabalhar o atleta e o homem.

Claro que os resultados de outrora alimentam os sonhos de hoje. Ir à final da Taça de Portugal, ouvir o hino nacional, colocar a nossa humilde bandeira, poder ombrear com os colossos desportivos nacionais, que têm outro poder de captação, é realmente um motivo de orgulho, mas também nada se fazia sem termos as instituições que temos ao nosso lado. São instituições que nos exigem coisas, mas que também não nos viram as costas quando precisamos. Falo do Município de Alcobaça e do Presidente que é um homem do concelho, que não deixa ninguém para trás, e que tenta trabalhar os grandes eixos necessários para o desenvolvimento de Alcobaça. É exigente connosco, mas também sabe olhar para nós e motivar-nos. Hoje, somos uma peça desportiva importante para concelho, para a região e para Leiria.

Há muitos atletas espalhados pelo país que começaram na Burinhosa e que já tiveram experiências internacionais. O clube tem trabalhado muito para o país e era preciso que a nível superior – os órgãos federativos – olhassem para o esforço que pequenos clubes como o nosso fazem de forma a potencializar talentos que representam o país. Porque se os grandes continuam a ser mais beneficiados comparativamente com os pequenos, a competitividade vai diminuindo. Não devemos ter medo de tomar posições. É necessário que se pense como criar competitividade porque ela é muito importante em qualquer setor e modalidade.

Tendo em conta a sua vasta experiência, quais os conselhos que gostaria de deixar a novos empreendedores?

O mundo em que vivemos e caminhamos é diferente daquele que sustentou a nossa vida. Eu não sei dar uma receita, mas neste mundo temos de estar à frente e isso não é fácil. Antigamente, tínhamos de esperar vários anos para vermos evolução, hoje, em cada instante há evolução, portanto dar uma receita é muito difícil, mas quem não tiver devidamente formado, quem não seja conhecedor, quem não for visionário, não tem como vingar. O que eu sugiro é que nunca parem de se formar, de se atualizar, nunca parem de pensar à frente, nunca parem de sonhar!


Desde garoto que faço parte desta família que é o clube da Burinhosa. Faço parte da equipa que fundou este magnifico clube. Passámos por muitas fases, foi muito difícil, mas depois da casa se erguer, nunca mais parámos de crescer. Hoje em dia, o Eng. Coutinho faz tudo e mais um pouco para que tudo corra da melhor maneira. Ele tem sido o braço direito do clube. Testemunho do Sr. Joaquim Ascenso, com 87 anos é o sócio nº1 do Clube


Sou de Peniche, o meu filho jogava no clube de Peniche e depois de uma grave lesão disse ao meu filho que ia pô-lo a jogar no Burinhosa. Ora, isso para qualquer miúdo é uma alegria! O Burinhosa é o Sporting daqui da nossa zona. Depois de uma operação e de uma longa fase de recuperação, o meu filho foi chamado para jogar no Burinhosa. O Burinhosa foi buscar o meu filho lesionado e isso eu nunca esquecerei! Foi vice-campeão nacional no clube e é um motivo de grande orgulho! Testemunho do Sr. Emanuel Tomás, pai de um dos atletas


 

João Lino, Adjunto e Tiago Moreira, Treinador do Burinhosa

Os treinadores do Burinhosa em entrevista

Tiago Moreira e João Lino lideram a equipa do Centro de Cultura Recreio e Desporto da Burinhosa, o clube que fez grande a pequena aldeia do concelho de Alcobaça. Numa entrevista exclusiva, partilharam o orgulho de servir esta comunidade, ao mesmo tempo que destacaram os valores partilhados por todos quantos vivem o futsal na Burinhosa.

Enquanto treinadores, como sentem a responsabilidade de representar este clube tão importante para a Burinhosa?

Tiago Moreira (TM): É um misto de emoções. É uma grande responsabilidade que se transforma em pressão e orgulho. Temos consciência de que temos capacidade e planeamento para conseguirmos acompanhar o sonho dos miúdos. Temos a preocupação de os formar e de criar condições para potenciar os atletas e recrutar cada vez mais talentos. Tendo essa consciência, a nossa sanidade mental deixa-nos bem, retira-nos a pressão e transforma em orgulho tudo o que fazemos.

João Lino (JL): É uma responsabilidade e um orgulho representar este clube numa pequena aldeia, com toda a sua essência, num clube que no distrito de Leiria está no patamar mais alto – o que faz com que muitos jovens tenham o sonho de alcançar esse patamar mais alto e nós somos uma rampa na formação deles enquanto atletas e enquanto homens. Não esqueçamos também a formação de treinadores, a Burinhosa é uma rampa de lançamento também para eles.

Sentimos aqui um grande espírito de união. Quais são os valores deste clube?

TM: A humildade, o trabalho e a credibilidade acima de tudo. Desde que fui jogador até chegar a treinador foi isso que levei para a vida. Também destaco a vertente do associativismo onde o mais importante é a entidade e a missão do clube.

O Tiago está a frente deste clube há mais de dois anos. Quais os vossos objetivos a curto-médio prazo para o clube?

TM: Neste momento, temos consciência de que o principal objetivo de clube é fortalecer os pilares existentes. Estamos a projetar o trabalho de formação o mais possível, de forma a que todos sintam a diferença que é colocar os seus filhos no Burinhosa. A nossa missão é ter a certeza de que criámos a base, que é a formação, para que o clube continue a colher frutos desta aposta na formação no futuro. Temos de apostar numa boa moldura humana. Outra grande missão é a parte social, temos consciência de que garantimos essa parte. Nem todos vão ser atletas profissionais, mas todos saem daqui com melhores valores, melhores bases e melhores pessoas.

JL: Em primeiro lugar, queremos ganhar, claro. Devolver a felicidade de um título à aldeia da Burinhosa é o nosso maior objetivo. Já conquistei títulos noutros clubes maiores, mas nunca me vou esquecer do momento em que conquistei um título aqui na Burinhosa. A aldeia parou nesse momento e nunca esquecerei essa emoção e essa ambição positiva que se sentiu.

Como veem o empenho e o contributo de Coutinho Duarte à Burinhosa?

TM: Para mim é muito fácil falar sobre o Eng. Coutinho Duarte. A primeira vez que aqui cheguei, foi pela mão dele. Ao longo da nossa caminhada, percebi que a Burinhosa não existe sem o Eng. Coutinho Duarte. Ele trabalha para que o clube não tenha dependências, mas o clube ainda está muito ligado à personalidade dele. Todos os projetos da aldeia, desde as Portas da Burinhosa, o ciclismo com a Volta a Portugal, o Futsal, tudo aconteceu pela mão dele. Não desmerecendo ninguém, ele tem uma visão muito à frente, fez e faz muito por esta aldeia. Nada é impossível para ele.

JL: Eu não conheço o Eng. tão bem quanto o Tiago, mas depois de conhecer a história dele comecei a valorizar ainda mais a pessoa que ele é. Ele é o motivador, sabe liderar, tem sensibilidade, ele dá-nos as condições para podermos sonhar em alcançar novos patamares. Isso é muito importante e é um exemplo a seguir. Este homem podia estar em qualquer parte do mundo, mas a paixão dele pela Burinhosa trá-lo sempre até nós.

 


 

Hermínio Rodrigues, Presidente

De Alcobaça à Burinhosa : O testemunho do Presidente do Município de Alcobaça

Nesta reportagem alargada sobre a Aldeia do Futsal, conversámos com Hermínio Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, que partilhou a forma como vê o crescimento e desenvolvimento da Burinhosa.

Alcobaça é um concelho rico em história, cultura e património. Quais têm sido as prioridades do executivo nos últimos anos, no que concerne a estes temas?

A nossa riqueza vem, em grande parte, do Mosteiro de Alcobaça, Património da Humanidade. O turismo tem de ser uma preocupação deste território, porque falamos de monumentos que não são só do concelho, mas do país e do mundo. Além deste, temos outros monumentos exemplares, como é o Mosteiro de Coz – uma peça única e rara do país. Também destaco as nossas lindas praias, já encostadas à Burinhosa. Penso que aqueles ares do litoral contribuíram para o crescimento da Burinhosa no que diz respeito ao Futsal. Somos também muito fortes no setor primário, com a agricultura e a  famosa Maçã de Alcobaça, que hoje é já uma forte marca do nosso território. O único senão deste território é que tem de ser gerido por polos: temos o polo principal, onde o turismo, património, pedra e cerâmica prevalecem. Depois, o polo industrializado, com a indústria do calçado e cutelaria, por exemplo. Nesta área, posso dizer que executámos um projeto, de 8 milhões de euros, para a construção da área de localização empresarial da Benedita, cujos lotes foram todos vendidos em dois meses, com 90% a empresas locais. Outro polo é a agricultura, com a produção da maçã. Por fim, os móveis, os cimentos – somos os únicos com cimento branco – e os moldes.

Que papel desempenha o município no apoio ao crescimento da Burinhosa?

Quando assumi a presidência, fi-lo com três eixos principais: felicidade, território e economia. A Burinhosa insere-se nos três. O desporto traz bem-estar. Quando olho para a Burinhosa, não olho só para a profissionalização do Futsal e daqueles atletas, mas também para a parte social, em que os jovens podem partilhar o desporto e viver em comunidade e em espírito de união. O Futsal veio revitalizar a parte económica da Burinhosa também. Em 20 anos criar-se o que se criou naquela aldeia, hoje aldeia do futsal, é um feito histórico. Também, em muito, pelo contributo das gentes da Burinhosa e em particular pelo Eng. Coutinho Duarte, que tudo fez para que essa marca fosse uma realidade. Hoje, o Futsal da Burinhosa é uma marca identitária do concelho de Alcobaça e do país.

Desde a primeira hora, somos parceiros de todos estes clubes e associações. Temos de ter a sabedoria de os acompanhar, ver as suas dificuldades e apoiá-los. Esse é o trabalho que nos compete. Qualquer apoio que damos a um clube é um investimento para a sociedade de Alcobaça.

Lembrar que o pavilhão desportivo da Burinhosa é do próprio clube, não é público! Isso mostra a raça e identidade da Burinhosa. A Burinhosa tem estado sempre ao mais alto nível da competição, falamos da primeira e segunda divisão nacionais, sem nunca esquecer a formação. Isso é fundamental. Eles trabalham no presente para preparar o futuro.

Como descreve o contributo do Eng. Coutinho Duarte para o desenvolvimento local e que legado considera que deixa para as futuras gerações?

O Eng. Coutinho Duarte ainda tem muitos anos à frente desta comunidade e associação desportiva. Eu coloco o Eng. Coutinho Duarte, e as gentes da Burinhosa, no lema que representa Alcobaça: ‘Terra de Paixão’. Assim é a Burinhosa e as suas gentes: ‘gentes de paixão’.  Na verdade, tudo começa com a criação do monumento que ele fez na Burinhosa, para as gentes da Burinhosa: as Portas da Burinhosa. Só com muita resiliência se chega onde o Eng. Coutinho Duarte chegou. Ele foi para fora sem esquecer as suas raízes e as suas gentes. O contributo pessoal que ele tem dado àquela terra, àquele clube e àquelas pessoas, é de um homem que é apaixonado pela sua terra! É um privilégio ser amigo dele, privar com ele e acompanhar o trabalho que ele tem feito pela Burinhosa. A mensagem final que gostaria de deixar é que é com pessoas como o Eng. Coutinho que nós alcançamos a felicidade, o território coeso e uma economia forte. No fundo, um concelho feliz e uma Burinhosa feliz!

 

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