Terminada mais uma edição da maior Feira do país, resta-nos esperar pela edição do próximo ano, que promete continuar a fazer felizes todos os visitantes! Enquanto esperamos, fazemos um balanço da edição deste ano, com uma entrevista exclusiva com Pedro Alves, Presidente da Viseu Marca.
A 633ª edição da Guardiã das Feiras Populares decorreu de 7 de agosto a 21 de setembro, ainda mais dinâmica e surpreendente. Após 46 dias de muitos concertos, animação, diversões, desporto, gastronomia e cultura, qual é o balanço que faz desta edição da Feira de São Mateus?
O balanço é extremamente positivo e o feedback que obtivemos por parte de quem visitou a Feira de São Mateus é revelador disso mesmo. A segunda maior edição de sempre deste grande evento nacional teve como mote “Viseu, a cidade para ser feliz” e foram, de facto, 46 dias com muitos momentos de felicidade para os nossos milhares de visitantes, com novidades na área da sustentabilidade, música para todos os públicos, com muitos artistas nacionais e internacionais, mais de 60 atividades desportivas, os habituais espaços de diversão, momentos de dança, iniciativas para crianças e na área da saúde e bem-estar, artesanato, muita gastronomia regional, entre outras ofertas. Foi mais uma edição da Guardiã das Feiras Populares que permitiu encontros e reencontros felizes, de gerações muito distintas, e também possibilitou a criação de boas memórias.

Quais foram os momentos mais marcantes desta edição?
Diria que todos foram marcantes na medida em que, ao longo dos 46 dias da Feira, trouxemos propostas muito diversificadas, para todos os públicos, de todas as idades, e é isso que ambicionamos fazer e temos feito a cada edição. Garantir que a Feira de São Mateus se mantém como o ponto de encontro do período de verão, em que todos os anos esperamos os nossos visitantes habituais, no sítio de sempre, e em que conseguimos, também, captar novos públicos, com uma programação abrangente, pensada para todos.
Quais foram as maiores inovações em termos de sustentabilidade que implementaram este ano e qual foi a resposta do público?
A sustentabilidade é uma área que consideramos fundamental e prova disso é o facto de a Feira de São Mateus ter sido o primeiro evento do género, em Portugal, a receber o certificado de sustentabilidade. Nesta edição, demos continuidade a esse processo, não só na vertente ambiental, mas também social. Criámos a Sala de Regulação Sensorial, pioneira no contexto das grandes feiras nacionais e tornando este evento ainda mais inclusivo. A sala foi pensada para oferecer um ambiente calmo a pessoas com Perturbação do Processamento Sensorial, Perturbação do Espetro do Autismo e outras Perturbações do Neurodesenvolvimento, que possam apresentar uma experiência mais desafiante em ambientes de grande estímulo. Esta foi uma iniciativa desenvolvida em parceria com a Sirculos, sendo que a sala estava equipada com materiais, iluminação e sons adequados, permitindo que crianças e adultos fizessem uma pausa num espaço calmo e seguro e regressar à feira de forma mais confortável e tranquila.
Quanto à vertente ambiental, criamos a Rota da Consciência Ambiental, em que os visitantes da Feira encontraram no recinto informações sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), e tivemos expostos dois murais criados por alunos de escolas de Viseu, sobre a temática da sustentabilidade. Pretendemos, assim, consciencializar os milhares de visitantes da Feira para estas problemáticas e recebendo nós mais de um milhão de pessoas por ano, somos um palco privilegiado para ajudar a passar a mensagem.
Como conseguiu a Feira manter um equilíbrio entre tradição e modernidade?
Este é um equilíbrio que temos alcançado, todos os anos, e esta edição da Feira não foi exceção.
Procuramos honrar os 600 anos de história de um dos maiores e mais relevantes eventos do país e da Península Ibérica, mantendo muitas das suas características e oferta secular, mas aliando inovação à tradição, na procura de novos públicos e garantindo que todas as pessoas podem usufruir deste espaço e ter na Feira momentos muito bem passados. Queremos que o Campo de Viriato seja, efetivamente, um lugar para todos, em que todos sejam felizes e por essa razão apostamos numa programação muito variada, para que todos tenham o seu momento, ou momentos, na Feira de São Mateus. Um exemplo dessa aposta é a criação do Mateus Fest (que este ano teve a segunda edição) na programação de uma Feira em que não faltam os registos mais tradicionais, como o artesanato ou o folclore. O Mateus Fest é já um dos pontos altos do programa, é destinado especialmente ao público mais jovem que não tinha um festival com estas características na região centro, e para além dos concertos, com artistas nacionais e internacionais, temos um conjunto de atividades como tatuagens, barbearia e pinturas faciais, vivendo-se um dia de verdadeiro espírito festivaleiro no recinto.

Em termos económicos, que impacto teve a Feira na região e como a Viseu Marca potencia a visibilidade e os negócios locais?
A Feira de São Mateus é uma das principais marcas identitárias da região, existindo há mais de 600 anos confunde-se com a história da própria cidade e todos os anos é visitada por milhares de pessoas.
Sendo um importante cartão de visita, naturalmente que impulsiona o turismo na região e tem um fortíssimo impacto na economia local. É, também, uma montra para os produtos e negócios locais e permite potenciar esses mesmos negócios.
Que desafios ficam para a organização das próximas edições e para o futuro da Feira de São Mateus?
O desafio é o de manter, sempre, a Feira de São Mateus como um lugar de felicidade, de criação de boas memórias, em família ou com amigos, onde as pessoas podem encontrar num só espaço tudo o que procuram. Para tal, queremos continuar a inovar, juntando tradição e inovação, porque não há dúvidas, como era referido no mote da edição deste ano: quem quer ser feliz tem de visitar a maior feira do país.






