Com uma visão pautada pela justiça e pelo equilíbrio, a Advogada Maria Margarida Torres tem-se distinguido na área do Direito, em especial na assessoria a investidores e cidadãos estrangeiros que escolhem Portugal como destino. Nesta entrevista, partilha a sua perspetiva sobre a evolução da advocacia, o papel das mulheres no setor e os desafios de um mercado em constante transformação.
O que é que a motivou a enveredar pela carreira na área do Direito, e em particular, a advocacia?
Desde cedo, tive uma forte inclinação para a procura de soluções justas e equilibradas. Sempre me motivou a ideia de analisar cada situação de forma ponderada, procurando compreender os diferentes pontos de vista antes de tomar uma posição. A advocacia surgiu, de forma natural, como o caminho que me permitiria colocar esse interesse em prática: estudar os casos em profundidade, ouvir as partes envolvidas e defender soluções que sejam não só juridicamente sólidas, mas também justas e proporcionais.

Grande parte do seu trabalho está ligado a clientes internacionais e processos de imigração. Como é que está a evoluir a procura por Portugal por parte de investidores e cidadãos estrangeiros?
Portugal continua a afirmar-se como um destino muito atrativo para investidores e cidadãos estrangeiros, por um conjunto de fatores bastante distintivos. Destaco, desde logo, a segurança, a estabilidade social e o clima, que contribuem para uma elevada qualidade de vida e fazem com que muitas pessoas se sintam confortáveis em escolher o país para viver. Por outro lado, mesmo para quem não pretende residir permanentemente em Portugal, o país oferece uma solução estratégica interessante, funcionando muitas vezes como um plano B. O programa de residência por investimento (Golden Visa) tem desempenhado aqui um papel relevante, sendo um dos poucos na Europa que permite obter residência e, posteriormente, aceder à nacionalidade portuguesa, com uma exigência de permanência física muito reduzida, atualmente cerca de sete dias por ano. No último ano, verificou-se um aumento significativo do interesse, em particular por parte de investidores norte-americanos. No entanto, a possibilidade de alterações ao regime da nacionalidade portuguesa gerou alguma retração no mercado. Muitos investidores tornaram-se mais cautelosos e, em alguns casos, redirecionaram o seu interesse para outros países com programas semelhantes, sobretudo devido à perceção de alguma instabilidade legislativa e incerteza quanto ao enquadramento futuro.
Considera que a presença das mulheres na advocacia tem vindo a evoluir nos últimos anos? Que mudanças têm sido mais significativas?
Sem dúvida que se tem verificado uma evolução muito positiva. As mulheres estão hoje mais representadas na advocacia e, progressivamente, têm vindo a assumir posições de liderança e maior visibilidade dentro do setor. Ainda assim, considero que existe um caminho relevante a percorrer. Apesar dos avanços, persistem desafios estruturais, nomeadamente no equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. As mulheres continuam, em muitos casos, a assumir um papel familiar mais exigente, o que pode ter impacto na progressão das suas carreiras. O reconhecimento desta realidade e a criação de condições mais equilibradas serão fundamentais para garantir uma verdadeira igualdade de oportunidades.
Assinalando o Dia Internacional da Mulher, que reflexão considera importante fazer sobre o papel da mulher no setor jurídico?
O Dia Internacional da Mulher é um momento para refletir sobre os progressos alcançados e os desafios que ainda persistem. No setor jurídico, é essencial promover o mérito, a igualdade de oportunidades e o reconhecimento do contributo das mulheres, garantindo condições reais para o seu crescimento profissional. O caminho passa por um compromisso contínuo com uma profissão mais justa, inclusiva e equilibrada.







