“Quero que os nossos visitantes fiquem sempre com Lagoa no coração”

Luís Encarnação está na Câmara Municipal de Lagoa desde 2013, mas foi em 2021 que foi eleito Presidente. Em entrevista à Revista Business Portugal, o autarca garantiu que vai continuar a trabalhar para “a estadia das pessoas que nos visitam seja apetecível e para que tenham sempre vontade de voltar.”

Como é que caracteriza o município de Lagoa, em termos populacionais e territoriais?

O município de Lagoa tem 89 quilómetros quadrados de área e tem 23 732 habitantes. Em termos territoriais, é um concelho relativamente pequeno, se tivermos em consideração a realidade do Algarve e do resto do país. No que diz respeito à densidade populacional, é um concelho médio. Ainda assim, é excecional do ponto de vista da beleza. Tem 17 quilómetros de linha de costa e possui praias pequenas e rendilhadas de uma beleza enorme. Para além disso, tem também uma outra costa, à qual chamamos de “Costa Poente e Norte”, que é o Rio Arade, desde Silves até à Foz, que é muito bonita e tem um grande potencial.

 

Para além das praias, quais é que são os pontos turísticos e de interesse que destaca em Lagoa?

Temos os nossos percursos pedestres, como é o caso do “Caminho dos Promontórios”, que é o mais recente e vai desde Ferragudo até ao Carvoeiro. Um outro exemplo é o percurso dos “Sete Vales Suspensos”. Este é mais antigo e já foi premiado como sendo o melhor destino de caminhada da Europa. Temos também um mais curto, que é no “Passadiço do Algar Seco”, e fica entre a Ermida de Nossa Senhora da Conceição e o Algar Seco. Atualmente, estamos também a trabalhar para termos o “Caminho dos Algares”, que irá ligar a Senhora da Rocha à Praia da Marinha. Num futuro próximo, gostávamos que os nossos 17 quilómetros de costa pudessem ser percorridos por cima das falésias, para que as pessoas possam apreciar a sua beleza.

Existem também três campos de golfe, sendo que alguns deles são premiados e considerados os melhores da Europa. As nossas unidades hoteleiras são de excelente categoria, temos uma excelente gastronomia e os nossos vinhos são também de elevada qualidade e fazem parte da identidade de Lagoa. Cada vez recebemos mais pessoas que não vêm para esta zona por causa das praias e do clima, mas sim pela gastronomia e pelos bons vinhos. Aliás, temos algumas unidades hoteleiras que foram criadas com o propósito de servir o enoturismo, como a Quinta dos Santos, ou o projeto do “Arvad Wine”.

 

Relativamente ao turismo, sente que está a voltar ao normal e que as pessoas já não têm receio de viajar?

Este ano tem sido uma agradável surpresa. Desde que surgiu a pandemia, quer Lagoa, quer o Algarve, quer as regiões que vivem essencialmente do turismo, passaram dois anos muito duros e complicados. A Covid-19 teve um impacto transversal a todas as atividades, mas para o turismo foi catastrófico. Em 2022, começámos a perceber que poderíamos retomar a nossa vida de forma normal e, de repente, inicia-se uma guerra na Europa. É certo que esta decorre numa zona distante de Portugal, mas acabámos por ser prejudicados. No entanto, felizmente, estamos com níveis de ocupação, nas nossas unidades hoteleiras, superiores aos que tivemos em 2019, e a faturação é também superior. Estes são sinais animadores, as pessoas estão a voltar a viajar e nós sabíamos que estávamos preparados para essa retoma.

 

O turismo é a principal atividade económica na região. Mas, à parte deste, quais é que são as principais atividades em Lagoa?

A verdade é que cerca de 90% da nossa economia e atividade económica depende, direta ou indiretamente, do turismo. A curto prazo, isso não vai mudar, mas a médio ou longo prazo teremos de encontrar estratégias para diversificar a economia. Porque, se voltarmos a viver uma crise como a que vivemos com a pandemia, temos de estar mais bem preparados para conseguirmos enfrentar os problemas. O município de Lagoa, sozinho, não consegue encontrar estratégias significativas, mas em conjunto com os restantes concelhos do Algarve, é possível definir uma estratégia que nos permita procurar a diversificação. Em Lagoa, vão surgindo algumas atividades como a vitivinícola, com o aumento do número de produtores, ou a agricultura, sobretudo com a produção de frutos silvestres. Atividades como estas podem ser uma boa alternativa para contrariar a dependência excessiva do turismo.

 

 

 

 

 

Sobre a FATACIL, a grande feira que se realiza anualmente em Lagoa, quais é que são as expectativas para este ano?

Este ano será a 41ª edição da FATACIL. É a maior feira a realizar-se a sul do Tejo e tem obviamente, uma notoriedade enorme. É uma feira generalista, que inclui várias atividades, como a agricultura, artesanato, turismo, indústria e comércio, e é, acima de tudo, uma feira para as famílias. Nós achamos que, este ano, vamos ter uma grande afluência, tal como aconteceu em 2019, quando batemos o recorde de visitantes, ultrapassando os 190 mil. Estamos a preparar-nos para que esta edição de retoma, pós-Covid-19, seja uma das melhores de sempre e para que bata novamente recordes. Este ano, o espaço da feira terá 60 mil metros quadrados e estamos convencidos de que será uma edição de grande sucesso.

 

Que mensagem é que deixaria àqueles que visitam Lagoa?

Diria que vamos continuar a trabalhar para que a estadia das pessoas que nos visitam seja apetecível e para que tenham sempre vontade de voltar. Quero que fiquem sempre com Lagoa no coração.

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