Albufeira: O paraíso algarvio

Estivemos à conversa com José Carlos Rolo, o atual presidente da Câmara Municipal de Albufeira. A antiga vila de pescadores, é hoje um dos concelhos mais visitados pelos turistas. As praias, o sol, o mar e o clima são características que fazem deste um destino de eleição, mas o presidente chama também à atenção para a riqueza do património histórico, cultural e geológico que estão longe do olhar dos mais desatentos.

José Carlos Rolo, Presidente

Albufeira é reconhecida por todos como a capital do turismo algarvio. Todos os anos, são milhares as pessoas que visitam a região e que acabam por se render aos seus encantos. Esta situação apresenta inúmeras vantagens como, por exemplo, o facto de serem, a nível nacional, um dos concelhos com a maior taxa de empregabilidade. Aliás, em Albufeira é maior o número de postos de trabalho disponíveis, do que o número de residentes, o que significa que o seu tecido empresarial emprega pessoas tanto de concelhos limítrofes, como das restantes zonas do país. Para além disso, trata-se de uma região que se encontra em crescimento contínuo, “todos os anos vão surgindo novas unidades hoteleiras”, refere o entrevistado. A maior dificuldade é, portanto, responder a tanta procura, uma vez que há falta de mão de obra.

Praias: o ex-líbris da região

Albufeira tem cerca de 30 km de costa e é recordista no que à angariação de bandeiras azuis diz respeito. No total são 25 as praias distinguidas e 19 delas com o título de “Praias Qualidade de Ouro”, atribuído pela Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza. Segundo o presidente, “todas as praias têm a sua beleza natural e possuem características totalmente diferentes”. Na parte nascente do conselho, destaque para a Praia da Falésia, considerada uma das mais belas do mundo. Relativamente às mais citadinas, de salientar a Praia de Olhos de Água, a Praia da Oura e a Praia dos Pescadores, “onde se desenvolvem os maiores espetáculos ao ar livre da região, com um cenário idílico, repleto do azul do mar e da areia da praia”, descreve José Carlos Rolo. Toda a zona envolvente das praias tem sido bastante pensada por este executivo que se tem preocupado, nomeadamente, com a melhoria das acessibilidades e em conseguir um maior número de lugares de estacionamento. Para além disso, para o sucesso destas praias, muito contribui o excelente serviço prestado pelos profissionais da restauração que são mestres na arte de bem servir e que em cima das mesas à beira mar, colocam o peixe e o marisco, típicos da região.

 

O projeto “Algarvensis” e a valorização do interior

Em parceria com os conselhos de Loulé e Silves está a ser desenvolvido o projeto “Algarvensis”, oficializado em 2019 como aspirante a Geoparque Mundial da UNESCO. Trata-se, portanto, de uma área territorial com limites bem definidos, que possuindo um património de grande relevo a nível nacional e internacional, alia uma estratégia de geoconservação e um conjunto de políticas de educação e sensibilização ambiental, à promoção do desenvolvimento socioeconómico sustentável baseado em atividades de geoturismo, tais como, as caminhadas ou a observação cientifica da formação da terra, envolvendo as comunidades locais e contribuindo para a promoção dos produtos locais. O presidente aproveita para fazer referência à zona de Paderne que é conhecida pela sua riqueza ao nível histórico, da qual é exemplo o Castelo de Paderne. A gastronomia de interior também é muito importante porque, para além do peixe, da caça e de todos os pratos de tradição algarvia, também não podemos esquecer o frango da guia, reconhecido além-fronteiras. Todas estas atividades (o turismo rural, o turismo de natureza, o turismo de interior, o artesanato, a gastronomia, entre outros) potenciam o aparecimento de um outro tipo de turismo na região algarvia e permitem minimizar a sazonalidade. Na ótica de José Carlos Rolo, “é extremamente importante que venhamos a ser um geoparque carimbado pela UNESCO”, reiterando ainda que “será um selo de qualidade”.

Albufeira em festa

Agosto e setembro são meses altos do turismo no algarve, nomeadamente na região de Albufeira, e são também sinónimo de festa. Após dois anos de pandemia, o presidente revela que as pessoas sentem a falta da habitual animação que se fazia sentir nas ruas do conselho e do convívio que as festas proporcionavam. Para felicidade de todos, as noites de farra regressam em força este ano. Assim, o Dia do Município celebra-se a 20 de agosto e a grande atração é o concerto da fadista Mariza, seguindo-se do espetáculo piromusical. Por outro lado, a realização da Festa dos Pescadores está prevista para o início de setembro. Segundo o presidente, esta “começou por ser uma festa de um rancho de folclore de albufeira que, posteriormente, extravasou para as restantes associações. Cada uma delas tem a sua tasca e oferece os seus pitéus, relacionados com o mar (o que dá origem à nomenclatura de Festa dos Pescadores). As pessoas que marcam presença nesta festa gostam imenso não só da música que ouvem, mas dos sabores que têm a oportunidade de provar”.

 

A célebre questão da sazonalidade

Tal como acontece nas restantes zonas do algarve, Albufeira é um destino muito mais procurado pelos turistas no verão, do que no inverno. Ainda assim “o objetivo é sempre tentar diluir essa sazonalidade ao ponto de quase não nos apercebermos se estamos em época baixa ou época alta”, explica o presidente, acrescentando que se trata de uma meta “difícil”.

 

Preocupação com a população e projetos para o futuro

“A saúde precisa de ser melhorada”, começa por dizer José Carlos Rolo que, em conversa com a Business Portugal, revela que está a ser planeada a vinda para o concelho de melhores e mais robustos meios de emergência médica, nomeadamente através do INEM. Além disso, o atual executivo está em conversações com o presidente da ARS (Administração Regional de Saúde do Algarve) para a edificação de um novo centro de saúde, tendo em conta que o atual está desatualizado face ao número elevado de pessoas que se encontram no concelho, principalmente nos meses de verão. “O centro de saúde que temos está pensado para cerca de 40 mil pessoas e, na época alta, nós costumamos ter perto de 500 mil”, explica. É igualmente necessário construir um espaço para feiras e exposições, onde estaria inserido um grande auditório com vista à realização, por exemplo, de congressos ou espetáculos musicais. O concelho carece também de mais habitações para possibilitar a habitação não só dos residentes, como dos trabalhadores que, normalmente, são sazonais. “Não podemos esquecer que antigamente as grandes empresas tinham os seus bairros de trabalhadores e de momento isso não existe. Os hotéis, por exemplo, têm que equacionar para o futuro a criação de um espaço para colocar os seus colaboradores”. Presentemente estão a ser construídas cerca de 40 habitações na zona de Paderne, mas o presidente revela que são precisas muitas mais para fazer face a este problema. O presidente mostra-se também preocupado com a questão das alterações climáticas e, consequentemente, da seca. Nesse sentido, será introduzido um novo paradigma ao nível dos espaços verdes, com modelos de rega e plantas diferentes, que impliquem um menor consumo de água. Paralelamente, para o futuro, está em vista a criação de mais parques industriais de forma a possibilitar a fixação de empresários no concelho.

O convite do presidente

José Carlos Rolo refere que Albufeira está de braços abertos para receber quem os visita, deixando o apelo a que o façam não só no verão, mas também no inverno tendo em conta que “os invernos são bastante amenos em termos de temperatura”. Para além disso, “a qualidade de vida é maior uma vez que já não se encontra no concelho a mesma multidão com que as pessoas se costumam deparar no verão”, conclui.

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