A provedora do telespectador da RTP, Clara Almeida Santos, defendeu a proibição do uso de telemóveis por menores de 16 anos, classificando estes dispositivos como “um veneno” e apelando à criação de um “pacto de sociedade” que regule a sua utilização.
A posição foi expressa durante o almoço-debate do International Club of Portugal, realizado a 11 de maio, onde a responsável participou como oradora convidada, abordando o tema “A irrelevância da verdade na economia da atenção”.
Na sua intervenção, Clara Almeida Santos alertou para aquilo que considera ser uma “toxicidade inimaginável” dos telemóveis entre os mais jovens, defendendo que estes não devem ser utilizados numa fase em que o cérebro ainda se encontra em desenvolvimento. “A primeira coisa é tirar os telemóveis aos miúdos, e só conseguimos fazer isto coletivamente. Até aos 16 anos não há outra maneira”, afirmou.
A provedora estabeleceu ainda um paralelismo com a publicidade ao tabaco em décadas passadas, recordando que, em tempos, os cigarros chegaram a ser promovidos como benéficos para a saúde. “Quero acreditar que haverá um momento, que espero que seja breve, em que se vai perceber que isto é tóxico, isto faz mal”, sublinhou.
Como exemplo dos riscos associados, destacou conteúdos disseminados em redes sociais como o TikTok, incluindo vídeos que abordam temas como distúrbios alimentares ou comportamentos autolesivos, frequentemente acessíveis a menores.
Apesar da crítica mais incisiva incidir sobre os jovens, Clara Almeida Santos defendeu que a regulação do uso de telemóveis deve abranger também adultos, considerando que apenas utilizadores conscientes e informados devem ter acesso a este tipo de conteúdos.
Em funções há cerca de dois meses, a provedora revelou já ter recebido mais de três mil queixas de telespectadores, sinalizando, segundo a própria, a crescente preocupação dos cidadãos com os conteúdos mediáticos e digitais.








