Num ano marcado pela consolidação e pelo avanço da digitalização no setor da reciclagem automóvel, a Recife afirmou-se como protagonista de uma mudança estrutural em Portugal. Sob a liderança de Eduardo Carvalho, a empresa reforçou o seu modelo 360°, promoveu a reutilização responsável de componentes e transformou sustentabilidade em vantagem competitiva. De olhos postos em 2026, aposta em expandir operações, integrar Inteligência Artificial nos processos e continuar a profissionalizar um mercado cada vez mais consciente e exigente.
Olhando para o percurso de 2025, que balanço faz a Recife deste ano em termos de crescimento, consolidação e impacto no setor da reciclagem automóvel em Portugal?
Ao olharmos para 2025, a Recife teve um ano de afirmação. Crescemos de forma sustentável, reforçamos procedimentos internos (apostando sempre na digitalização), ampliamos a nossa presença junto dos nossos clientes através de iniciativas de comunicação e parcerias estratégicas. A nossa atuação contribuiu para profissionalizar o setor das peças usadas em Portugal: promovemos a reutilização segura de componentes, oferecemos alternativas mais económicas ao mercado das peças aftermarket ou novas e reforçamos a confiança do consumidor com garantias e suporte técnico.

A estratégia da empresa assenta num processo 360º único no mercado. Que benefícios concretos tem este modelo trazido tanto para os clientes como para a eficiência operacional da Recife?
A nossa abordagem 360º é um dos pilares que distingue a Recife no mercado nacional e internacional. Este modelo integra internamente todas as fases do ciclo de vida das peças: recepção e triagem da viatura, desmontagem especializada, testes, catalogação com identificação de referências e fotográficas, armazenamento, venda e pós-venda. Esta cadeia completamente verticalizada gera benefícios tangíveis.
A sustentabilidade é um eixo central na vossa atuação. De que forma a empresa tem conseguido aliar a rentabilidade económica à responsabilidade ambiental e social?
A sustentabilidade está no centro do nosso modelo de negócio. Através da reutilização de peças usadas, conseguimos evitar que milhões de componentes perfeitamente funcionais sejam eliminados. Desta forma conseguimos prolongar o ciclo de vida e reduzir significativamente o impacto ambiental associado à produção de novas peças, assim como o volume de resíduos automóveis.
Economicamente, esta abordagem é igualmente vantajosa, ao reaproveitarmos peças de viaturas abatidas, conseguimos oferecer aos clientes soluções mais competitivas.. No plano social, reforçamos o nosso compromisso através da criação de emprego, tendo cerca de 80 colaboradores, contribuímos para a formação prática e segurança da comunidade. Contribuímos ativamente para a economia circular e fazemos a nossa parte para garantir um futuro ecologicamente responsável e tecnologicamente inovador no setor automóvel.
Tendo em conta a dimensão geográfica e a capacidade instalada, quais são hoje os principais desafios logísticos e tecnológicos de gerir uma operação com esta escala?
Gerir uma operação da dimensão da Recife, com alcance internacional e capacidade de processar centenas de viaturas e peças diariamente implica desafios significativos, tanto logísticos como tecnológicos. Do ponto de vista logístico, o principal desafio é coordenar o fluxo de viaturas e peças de forma eficiente, desde a recepção e triagem, desmontagem, catalogação, armazenamento e envio aos clientes. Garantir que cada peça está correctamente identificada, armazenada e pronta para entregar exige processos muito rigorosos e um controlo de stock extremamente preciso, sobretudo quando lidamos com uma operação desta escala.
No plano tecnológico, a digitalização é essencial. Procuramos soluções tecnológicas capazes de integrar todos os processos de gestão dos centros de abate. Desde a recepção de viaturas, ao seu desmantelamento, à gestão de stocks e à venda de peças, desenvolvemos processos cada vez mais desmaterializados e fidedignos. Este sistema, permite-nos reduzir erros humanos, acelerar processos e fornecer aos clientes informação detalhada e confiável sobre cada peça, garantindo rastreabilidade completa e eficiência operacional.
Em resumo, os desafios centram-se em manter a eficiência logística, assegurar qualidade e rastreabilidade das peças e adaptar tecnologia de ponta às necessidades do mercado, permitindo que a Recife continue a crescer de forma escalável e sustentável.

O mercado de peças reutilizadas e a economia circular estão a ganhar maior atenção pública. Como é que a Recife tem procurado posicionar‑se como referência num setor que ainda enfrenta preconceitos junto dos consumidores?
Na Recife, temos procurado posicionar-nos como referência no setor, com um trabalho consistente na profissionalização do mercado de peças usadas em Portugal. Caminhamos lado a lado com a ANCAV, que desempenha um papel crucial junto de entidades públicas, garantindo que o setor seja ouvido nas matérias que regulamentam a atividade. Tanto a Recife como o setor, com a ajuda e parceria da ANCAV, têm transmitido maior segurança aos consumidores, oferecendo garantias, apoio ao cliente e suporte pós-venda, reforçando a confiança nas peças reutilizadas. Estamos conscientes da existência de alguma concorrência desleal que não cumpre as normas legais, enquanto a Recife se mantém plenamente em conformidade com todas as obrigações, o que implica lidar diariamente com exigências legislativas rigorosas e custos elevados. A nossa estratégia passa por educar o mercado e mostrar que a reutilização de peças é uma prática segura, sustentável e vantajosa tanto para os clientes como para o setor como um todo.
Que metas e prioridades traça a Recife para 2026, seja ao nível de expansão, inovação, ou reforço do seu compromisso ambiental?
Para 2026, a Recife tem como principais metas crescer de forma sustentável, consolidando a sua posição de referência no setor da reciclagem automóvel e das peças reutilizadas em Portugal. No plano de expansão, pretendemos aumentar a nossa capacidade operacional e alcançar novos mercados, mantendo sempre o rigor e a qualidade que caracterizam a nossa atividade. No campo da inovação, continuaremos a apostar na digitalização de processos, otimização logística e integração tecnológica, implementação de IA, com sistemas que garantem rastreabilidade, eficiência e rapidez na gestão de viaturas e peças. Este investimento em tecnologia permite-nos também melhorar o serviço ao cliente, oferecendo informação detalhada, suporte técnico e pós-venda de excelência. Relativamente ao compromisso ambiental, continuaremos a promover a reutilização segura de peças, reduzindo resíduos e contribuindo para a economia circular, ao mesmo tempo que reforçamos a transparência e a confiança do consumidor. A colaboração com a ANCAV mantém-se central, ajudando a profissionalizar o setor, transmitir segurança aos clientes e desenvolver boas práticas ambientais e sociais no setor automóvel.






