Entrevistar Sandra Martins é entrar na história de um projeto que, há mais de duas décadas, prova que a humanização dos cuidados de saúde pode conviver com crescimento, inovação e exigência clínica: à frente da Policlínica Villas de Palmela desde a sua fundação, a gestora tem transformado uma visão de proximidade e cuidado integral numa marca de confiança regional, distinguida pelo segundo ano consecutivo com o Quality Award na categoria “Clínica Médica”.
A Policlínica Villas de Palmela nasceu com a missão de cuidar das pessoas, promovendo saúde e bem-estar. De que forma sente que esta visão fundacional foi determinante para alcançar o Quality Award na categoria “Clínica Médica”?
Desde a criação da Policlínica Villas de Palmela, tive sempre muito claro que o nosso propósito seria cuidar das pessoas de forma próxima, humana e integrada. Acredito que a saúde deve ir além do tratamento da doença, centrando-se verdadeiramente na pessoa, nas suas necessidades e no seu bem-estar. Essa visão esteve na base do projeto e continua a orientar todas as decisões que tomamos.
Ao longo dos anos, procurei construir uma equipa que partilhe estes mesmos valores, apostando no rigor clínico, na ética profissional e num atendimento personalizado. A confiança que fomos criando junto da comunidade, aliada à consistência do trabalho desenvolvido, foi fundamental para afirmar a identidade da clínica.
O Quality Award na categoria “Clínica Médica” representa, acima de tudo, o reconhecimento de um percurso feito com dedicação, exigência e compromisso com a qualidade. Mais do que um prémio, é a confirmação de que uma visão assente na proximidade, na competência e no respeito pelas pessoas é, de facto, o caminho certo.

O Quality Award avalia dimensões como atendimento, desempenho, confiança na marca e alinhamento entre expectativas e experiência real. Quais considera serem os pilares internos que permitiram à Policlínica destacar-se nestas métricas tão exigentes?
Considero que o reconhecimento alcançado assenta, sobretudo, em alguns pilares internos que sempre procurámos consolidar na Policlínica Villas de Palmela. Em primeiro lugar, destaco a qualidade e o compromisso da nossa equipa. Trabalhamos com profissionais que partilham uma forte ética de cuidado e uma verdadeira dedicação aos clientes, o que se reflete na confiança que as pessoas depositam em nós.
O segundo pilar é a consistência no atendimento e na experiência que proporcionamos. Procuramos que cada cliente se sinta acolhido e acompanhado ao longo de todo o seu percurso na clínica. Esse alinhamento entre aquilo que prometemos e aquilo que efetivamente entregamos é essencial para construir confiança.
Por fim, temos uma preocupação constante com a qualidade e a melhoria contínua. Investimos na atualização profissional da equipa, na organização dos processos e na criação de um ambiente de confiança. Acredito que é esta combinação entre competência clínica, proximidade humana e rigor organizacional que nos permite destacar nestas métricas tão exigentes.
A clínica tem sido reconhecida também pelos cuidados humanizados e pela proximidade com a comunidade. Como é que, na prática, se equilibra a tecnologia e a inovação clínica com esta dimensão profundamente humana do cuidado?
A inovação e a tecnologia são ferramentas essenciais para melhorar a qualidade dos cuidados de saúde, mas devem estar sempre ao serviço das pessoas. Investimos na atualização clínica, em meios de diagnóstico e em soluções que tornam os processos mais eficientes, garantindo maior rigor e segurança na prestação de cuidados.
No entanto, procuramos que essa evolução tecnológica nunca comprometa aquilo que consideramos fundamental: a relação humana. Continuamos a valorizar muito a escuta ativa, o tempo dedicado a cada consulta e a construção de uma relação de confiança com cada cliente. O nosso objetivo é precisamente manter esse equilíbrio – utilizar a inovação para melhorar a qualidade do serviço, sem perder a proximidade, a empatia e o acompanhamento individualizado que fazem parte da nossa identidade e da ligação que temos com a comunidade.
Que momentos ou decisões considera terem sido mais transformadores no seu percurso à frente da Policlínica Villas de Palmela, e de que forma esses episódios a moldaram enquanto gestora e mulher líder na área da saúde?
Ao longo do percurso da Policlínica Villas de Palmela houve vários momentos marcantes que contribuíram para o crescimento e consolidação do projeto. Um dos mais transformadores foi, sem dúvida, a decisão de criar a clínica com uma visão clara de proximidade e qualidade, num contexto em que existia a necessidade de reforçar a oferta de cuidados de saúde na região. Assumir esse desafio exigiu coragem, resiliência e uma grande capacidade de adaptação.
Outro aspeto importante foi o processo de crescimento da clínica e a construção de uma equipa alinhada com os mesmos valores. Percebi desde cedo que o sucesso de qualquer projeto na área da saúde depende muito das pessoas que o integram. Rodear-me de profissionais competentes, comprometidos e que partilham a mesma preocupação com os clientes foi essencial para consolidar a identidade da Policlínica. Ao longo de mais de 20 anos de percurso houve também decisões exigentes. Por vezes, foi necessário tomar a difícil decisão de dispensar colaboradores que não estavam alinhados com a cultura e os valores da clínica. São momentos que nunca são fáceis, mas que contribuíram muito para o meu crescimento enquanto gestora. Ensinaram-me a importância de liderar com clareza de valores, de assumir decisões com responsabilidade e de manter sempre o foco no propósito do projeto. Tenho a convicção de que uma liderança sólida se constrói com equilíbrio entre firmeza, clareza e consistência.
Investir no desenvolvimento da equipa e na valorização dos colaboradores, criando oportunidades para que possam evoluir profissionalmente e assumir novas responsabilidades dentro da própria estrutura da clínica é, para mim, uma das dimensões mais gratificantes da liderança, porque significa que estamos a construir um projeto sólido, com futuro e com pessoas verdadeiramente comprometidas.
Esse percurso também se reflete na evolução da própria clínica. Começámos com cerca de 90 m2 e, ao longo dos anos, fomos crescendo de forma sustentada até aos cerca de 400 m2 que temos atualmente. Esse crescimento permitiu-nos alargar a nossa capacidade de resposta e disponibilizar uma oferta bastante abrangente de exames complementares de diagnóstico, acompanhando de forma mais completa e eficiente as necessidades dos nossos clientes.
Olhando para o futuro, quais são as prioridades que assume para garantir que a Policlínica não só preserva os seus atuais padrões de exigência, como continua a elevar a fasquia da qualidade clínica e da experiência do doente?
A nossa prioridade passa, acima de tudo, por continuar a consolidar os padrões de qualidade que sempre orientaram o trabalho da Policlínica Villas de Palmela. Isso implica manter uma forte aposta na qualificação e atualização contínua da equipa, garantindo que os nossos profissionais continuam a prestar cuidados de saúde com elevados níveis de rigor e segurança.
Outra prioridade será continuar a investir na melhoria dos serviços e na inovação, quer ao nível dos meios de diagnóstico, quer na otimização dos processos internos, de forma a tornar a experiência dos clientes cada vez mais eficiente, confortável e integrada. Atualmente acompanhamos cerca de 24.000 clientes e realizamos aproximadamente 15.000 consultas por ano, o que representa uma grande responsabilidade. O desafio está em conseguir manter a relação de confiança e de proximidade que sempre nos caracterizou, mesmo com uma procura tão significativa. O futuro passa precisamente pelo equilíbrio entre crescer e inovar mantendo a nossa identidade.
Que visão procura concretizar na Policlínica Villas de Palmela enquanto fundadora e gestora, numa fase em que o crescimento exige cada vez mais estratégia, diferenciação e consistência?
A Policlínica Villas de Palmela é a de um projeto de saúde robusto, diferenciador e preparado para crescer com solidez num mercado cada vez mais exigente. Numa fase em que o setor enfrenta profundas mudanças, acredito que a gestão tem de assentar em três eixos fundamentais: consistência, capacidade de adaptação e visão estratégica.
A expansão dos grandes grupos de saúde e a competitividade crescente na captação e retenção de recursos humanos qualificados colocam hoje novos desafios às estruturas independentes. Nesse contexto, a prioridade passa por consolidar um modelo de gestão capaz de garantir estabilidade, atratividade para as equipas, qualidade assistencial e capacidade de resposta, sem comprometer a identidade da organização. O meu compromisso, enquanto fundadora e gestora, é continuar a preparar a clínica para o futuro com ambição, responsabilidade e visão de longo prazo, afirmando a Policlínica Villas de Palmela como uma referência de qualidade, credibilidade e confiança na região.






