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Olho seco: o tratamento e a relação com dispositivos eletrónicos

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O olho seco é uma doença multifactorial da superfície ocular caracterizada por uma alteração da quantidade e/ou qualidade da lágrima e acompanhado por sintomas oculares como por exemplo sensação de ardor, secura, areia e/ou corpo estranho, fotofobia, olho vermelho e visão turva que geralmente vão agravando ao longo do dia.

A forma mais frequente de olho seco é o evaporativo, responsável por cerca de 60% de todos os casos e está relacionado com a evaporação mais rápida da lágrima apesar da sua produção estar normal. A outra forma da doença é o olho seco por insuficiência lacrimal, menos frequente e resulta de uma diminuição da produção aquosa da lágrima no contexto de várias doenças.  Estima-se que a prevalência do olho seco em Portugal seja de 15-20% na população adulta geral, embora a maioria não tenha um diagnóstico formal. Clinicamente o olho seco tem um espectro de gravidade muito alargado que pode ir desde a presença de lesões epiteliais mínimas na superfície do olho (córnea e conjuntiva) até a casos mais graves com úlceras de córnea associadas a perda de visão e dor.

Como é que o uso prolongado de dispositivos eletrónicos influencia a saúde ocular e a incidência de olho seco?

Se por um lado não está demonstrado que os ecrãs de TV, computadores, tablets ou smartphones causem doença oftalmológica, por outro lado, o desenvolvimento de sintomas oculares, associados ao esforço visual excessivo e ao olho seco evaporativo é frequente após algumas horas de utilização.

Durante a utilização destes meios tecnológicos, verifica-se um aumento necessário da potência dióptrica do olho (esforço para ver ao perto), associado à diminuição da frequência do pestanejo involuntário. Sendo o piscar do olho, essencial para a integridade da superfície do olho e para a disseminação da lágrima, esta situação conduz ao aumento da exposição da superfície ocular e à evaporação aumentada da lágrima, que por sua vez dá origem aos sintomas referidos. Estas manifestações são na maioria dos casos transitórias, desaparecendo sem deixar sequelas alguns minutos/horas após o término da utilização, não existindo na maioria sintomas limitantes ou dor intensa.

 

Dr. Paulo Guerra, Médico oftalmologista no Hospital da Luz Lisboa

 

Que mudanças no estilo de vida/hábitos diários podem ajudar a aliviar os sintomas do olho seco em geral e associado aos dispositivos eletrónicos?

A adoção de uma postura correta, um ecrã à altura dos olhos ou ligeiramente abaixo, a realização de intervalos regulares (momentos em que devemos olhar para objetos localizados ao longe > 2metros e não passar do computador para o telemóvel), períodos diários de atividade ao ar livre, a utilização de um lubrificante ocular, a boa luminosidade circundante, o menor número de horas de utilização, o maior número de horas de sono (8h/dia), a correção adequada de um erro refrativo existente (hipermetropia/astigmatismo) e o tratamento de outras doenças oculares (ex: olho seco pré-existente) poderão permitir uma melhoria considerável dos sintomas e maior conforto ocular e geral sentido pelos utilizadores. Outra medida importante é reduzir a exposição a ambientes secos e/ventosos como por exemplo ambientes mantidos por ar condicionado ou ventiladores de ar quente, que agravem a evaporação da lágrima.

Que tratamentos estão atualmente disponíveis?

Tipicamente e numa fase inicial a doença do olho seco (DOS) é tratada com a utilização de um lubrificante, sem conservantes ou fosfatos, à base de hialuronato de sódio e de uma forma intensiva (cerca de 6xdia). Este tipo de tratamento é muito comum e eficaz para formas ligeiras de olho seco.

Estes lubrificantes muitas vezes contêm outras moléculas na sua constituição, destinadas a promover um efeito anti-inflamatório, proteção celular osmótica ou cicatrizante da superfície ocular, optimizando ainda mais o seu efeito coletivo. Dentro desta gama de produtos temos por exemplo o Hylo Care® ou o Hylo Dual Intense®. No olho seco evaporativo, a substituição da camada mais externa, de gordura, da lágrima, deverá ser realizada com colírios que possuam componentes lipídicos dirigidos (Ex: Evotears Omega®).

Para casos mais graves ou que não cedam aos lubrificantes oculares e repouso, será necessário recorrer ao seu Médico Oftalmologista.

Mês do Olho Seco

Em 2017, a TFOS (Tear Film & Ocular Surface Society) estabeleceu julho como o Mês da Consciencialização do Olho Seco, uma iniciativa global destinada a educar a população sobre esta condição que afeta milhões de pessoas, deteriorando significativamente a sua qualidade de vida e capacidade visual. Durante este mês, sensibiliza-se a população para a importância de compreender a síndrome do olho seco e salienta-se a importância da investigação em tratamentos inovadores e eficazes.

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