Mulher de convicções firmes e visão estratégica, Celeste Campinho construiu um percurso pautado pela dedicação, resiliência e vontade de fazer a diferença. À frente da EUROCALOR (juntamente com o seu irmão) e de várias associações, assume a liderança como missão de serviço, equilíbrio e inspiração – num caminho onde inovação, sustentabilidade e valores humanos caminham lado a lado.
Como Managing Partner da EUROCALOR, que balanço faz do percurso recente da empresa e quais foram as decisões mais determinantes para o seu crescimento num contexto de transição energética?
Liderar uma empresa em Portugal é um desafio constante. A estratégia para nos impormos, naturalmente, enquanto profissionais, está na combinação de resiliência, adaptação e visão estratégica, sempre mantendo o foco nos objetivos. É esse caminho construído na EUROCALOR, que cumpriu a 14 de fevereiro de 2026, 53 anos de existência, no mercado da conceção, instalação e assistência técnica de sistemas de aquecimento, ventilação, ar condicionado e energia alternativa. A responsabilidade é grande e a herança familiar e empresarial que carregamos, o meu irmão e eu – continuando o legado do pai, fundador da empresa – é enorme. A EUROCALOR adaptou-se ao longo das últimas cinco décadas, não só ao mercado português, como também aos novos desafios da sustentabilidade e da transição energética, modernizando a sua atividade no sentido de prestar um serviço ao cliente com a máxima fiabilidade, qualidade técnica e honestidade comercial.

Enquanto Managing Partner da EUROCALOR, como articula a definição estratégica com a gestão operacional diária, garantindo inovação e sustentabilidade no negócio?
Sermos capazes de escolher os recursos humanos certos, acompanhá-los, apoiá-los, mas nunca perdendo a capacidade de decisão e a estratégia, é essencial. A sensibilidade é outro ponto que destaco, porque gerir pessoas é talvez uma das missões mais difíceis que se colocam a quem está em cargos de liderança. Sermos capazes de ouvir todos e compreender os seus anseios e visões, é decisivo para também transformar obstáculos em oportunidades! É essa, na minha opinião, a chave para articular gestão operacional diária aliando inovação e sustentabilidade no negócio. A EUROCALOR tem colocado no centro da sua estratégia empresarial o desenvolvimento de competências internas, juntando as mais-valias e necessidades de colaboradores, clientes, fornecedores, em suma, reter o que de melhor existe em cada um dos stakeholders. A seriedade, aliada à competência técnica, é também, essencial para fidelizar os clientes. Posso referir que a EUROCALOR tem clientes institucionais e não só, fidelizados desde a sua fundação. O objetivo maior, num tempo em que a descarbonização é palavra de ordem, passa por encontrar o equilíbrio entre crescimento económico, impacto ambiental e responsabilidade social.
Na qualidade de Presidente da Direção da AIPOR – Associação dos Instaladores de Portugal, quais são hoje os principais desafios que enfrentam os instaladores e que mudanças considera prioritárias no setor?
O maior desafio do setor onde a AIPOR atua – Instalações Técnicas Especiais – é a carência de mão de obra especializada. Um problema que afeta, de forma transversal, o setor da Construção, no seu todo, e que exige igualmente a necessidade de reforçar a formação técnica contínua. Além disso, é fundamental apostar na melhoria e qualificação dos profissionais. Alertamos também para a dimensão da tecnologia que está a moldar o Mundo das Instalações Técnicas Especiais. Falamos de uma transformação que passa por produtos, equipamentos e sistemas, cada vez mais inteligentes, suportados pela Inteligência Artificial (IA), a que instaladores, projetistas e fabricantes terão de se adaptar. A transformação digital, a sustentabilidade, a eficiência energética, a qualificação de talentos e a internacionalização são igualmente eixos estratégicos para a AIPOR e que exigem uma abordagem integrada e ações concretas para garantir a competitividade do setor.
Como Presidente da Mesa da Assembleia Geral da AICCOPN – Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas Nacional, que obstáculos estruturais identifica na construção em Portugal e que papel devem as associações assumir na sua superação?
Como referi anteriormente, a falta de mão de obra é uma das questões mais gritantes, é efetivamente um obstáculo poderoso, nomeadamente quando falamos em mão de obra qualificada. Falamos de um setor que é absolutamente decisivo na economia portuguesa e as associações têm um papel fundamental, não só na capacitação como na competitividade das empresas nacionais, que atuam em Portugal e no estrangeiro. Muito sucintamente, posso referir, que as associações estão preparadas para auxiliar e colaborar com as empresas associadas, dando-lhes um rigoroso apoio e suporte de retaguarda, com o objetivo de suprir as suas necessidades e também dar voz às suas visões de futuro junto do poder político e das mais variadas instâncias nacionais de decisão.
Na presidência da ADTI – Associação das Doenças da Tiróide, o que a levou a abraçar esta causa e que impacto tem observado na sensibilização e apoio aos doentes?
O meu envolvimento com a ADTI reflete aquilo que considero que posso dar, enquanto ser humano, mulher, mãe e profissional a uma área tão importante da sociedade portuguesa e que, para muitos, ainda é desconhecida. A ADTI tem como objetivo trabalhar na sensibilização junto da população geral sobre as doenças da tiroide e paratiróides. Colaborar com os profissionais para passar essa mensagem, fazendo pontes entre doentes e mundo clínico, é um privilégio, porque o objetivo primordial é melhorar a qualidade de vida das pessoas, sensibilizando-as, e dando-lhes ferramentas para conhecerem melhor a tiróide e o impacto que esta pequena glândula tem no todo maravilhoso que é o corpo humano. O impacto da ADTI nos doentes é significativo porque são muitas as dúvidas quanto aos sintomas, o que devem fazer e como devem acompanhar a evolução da sua situação clínica. Na ADTI tentamos dar resposta aos seus anseios, encaminhando, caso a caso, de forma a que sejam acompanhados por um médico, de preferência endocrinologista, e avaliar cada situação em particular. Tem sido um desafio enorme poder contribuir num segmento tantas vezes esquecido, mas tão importante no nosso dia a dia. Recordo que a tiróide é uma glândula que desempenha um papel absolutamente crucial no funcionamento do organismo. As suas alterações são frequentes e, muitas vezes, silenciosas. É, pois, essencial, estar atento!
Enquanto mulher em cargos de liderança, sente que o caminho para a igualdade na gestão está efetivamente a ser consolidado em Portugal? Que mensagem deixaria às mulheres que pretendem assumir posições de decisão e influência?
Sim, a igualdade entre homens e mulheres em cargos de liderança em Portugal está hoje mais esbatida. Apesar de ainda haver muito caminho por desbravar, porque sabemos que ainda existe algum fosso, nomeadamente em salários em cargos iguais, é essencial que as mulheres acreditem nelas próprias, no seu valor e nas suas capacidades. Que trabalhem sem receios para que construam a sua carreira, alicerçada em valores como a confiança, a credibilidade e a honestidade. O primeiro passo para a desvalorização é terem medo e deixarem que elementos externos as impeçam de progredir. O caminho nem sempre é fácil, mas suportado nas convicções certas, o sucesso e o reconhecimento acabarão por vingar! Que sejam capazes, e que nunca desistam dos sonhos, dos valores que defendem e dos objetivos que as movem!






