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Formação profissional pilar para o desenvolvimento da economia azul

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Num tempo em que o futuro das comunidades costeiras e da economia azul depende da conjugação entre tradição e inovação, o FOR-MAR assume-se como motor estratégico da valorização do capital humano. Ao formar profissionais preparados para os desafios tecnológicos, ambientais e sociais do mar, a instituição contribui para uma economia mais inclusiva, resiliente e sustentável. Madalena Feu, Presidente do Conselho de Administração do Centro de Formação Profissional das Pescas e do Mar (FOR-MAR), explica como a formação profissional se tornou alicerce para a segurança, a inovação e a sustentabilidade nos setores marítimos.

Como é que a formação profissional promovida pelo FOR-MAR contribui para construir uma economia azul mais inclusiva, resiliente e sustentável, que envolva tanto os setores tradicionais como as novas oportunidades do mar?

A formação promovida pelo FOR-MAR é um pilar estratégico da economia azul, porque valoriza o capital humano e reforça a coesão socioeconómica nos territórios costeiros. Os seus programas aumentam qualificações e empregabilidade, promovendo a adaptação de trabalhadores e empresas a setores em rápida transformação, como a pesca, a aquacultura, a reparação naval ou o transporte marítimo. Ao atualizar continuamente os referenciais de qualidade, a formação dota os profissionais de competências para enfrentar os desafios das alterações climáticas, da inovação tecnológica e da sustentabilidade dos recursos marinhos, transformando vulnerabilidades em oportunidades. Além de competências técnicas, os conteúdos pedagógicos promovem segurança no trabalho, eficiência energética, preservação da biodiversidade e literacia ambiental, fomentando uma cultura de responsabilidade coletiva e individual. O FOR-MAR cria assim um verdadeiro ecossistema de aprendizagem contínua, onde setores tradicionais dialogam com áreas emergentes, como energias renováveis oceânicas, biotecnologia azul, aquacultura offshore e turismo sustentável.

 

Madalena Feu, Presidente do Conselho de Administração

 

De que forma a formação ministrada pelo FOR-MAR tem contribuído para reforçar a segurança no mar, fomentar a inovação nos setores tradicionais e apoiar a transição para práticas mais sustentáveis?

A segurança marítima é central em todas as atividades no mar e os programas do FOR-MAR, alinhados com a Convenção STCW, capacitam os marítimos em técnicas de sobrevivência, primeiros socorros e prevenção de incêndios, reduzindo riscos e protegendo vidas. A formação é igualmente um alicerce para setores tradicionais, como a pesca, cuja atividade tem riscos, sendo fundamental a formação dos seus profissionais em segurança no mar. A formação em segurança é obrigatória em todos os nossos cursos da área marítima.

O FOR-MAR integra conteúdos de formação direcionados para a eficiência energética, gestão de resíduos e redução de emissões. Nos últimos anos, ao abrigo do investimento PRR, o FOR-MAR tem vindo a dinamizar o seu processo de modernização, investindo nas suas infraestruturas e equipamentos pedagógicos, com destaque para a aquisição dos mais atuais simuladores de navegação, máquinas e operação portuária, e renovação da plataforma de aprendizagem com o desenvolvimento de conteúdos e recursos pedagógicos interativos. Desta forma, o FOR-MAR assume o seu papel de agente catalisador de transformação na economia azul.

A sustentabilidade é hoje uma exigência transversal. O FOR-MAR assume um papel de sensibilização e transformação, incluindo nos seus programas temáticas relacionadas com a preservação dos ecossistemas marinhos, o uso responsável dos recursos, a redução do impacto ambiental das operações marítimas e a literacia do oceano. A formação prepara os profissionais para práticas mais eficientes e ambientalmente responsáveis – desde a adoção de técnicas de pesca seletiva e menos predatórias, à gestão de resíduos a bordo, passando pela promoção de energias limpas e pela integração de princípios de economia circular. Desta forma, a ação formativa contribui diretamente para os compromissos nacionais e europeus de neutralidade carbónica e de proteção da biodiversidade.

Pode partilhar algumas histórias de formandos do FOR-MAR que hoje desempenham papéis estratégicos na economia do mar e como a formação contribuiu para o seu percurso profissional?

Os profissionais formados pelo FOR-MAR atuam em território nacional e internacional, nas mais diversas áreas, alguns empreendedores em empresas ligadas à turismo da natureza ou em projetos de proteção ambiental, à aquacultura e a construção naval. Temos igualmente muitos ex-formandos que são hoje marítimos e que são profissionais muito procurados por empresas de outros países europeus. Poderíamos dar muitos exemplos, mas destacamos um jovem ex-formando do FOR-MAR que abriu uma das primeiras empresas em Portugal para Observação de Cetáceos, respeitando as práticas de trabalhos sustentáveis, e que é presentemente uma empresa de grande sucesso.

Quais são os principais desafios que o FOR-MAR encontra ao preparar profissionais para responder às novas exigências tecnológicas dos setores marítimos, desde a aquacultura à logística portuária?

Os principais desafios passam por antecipar mudanças tecnológicas e capacitar profissionais para atividades mais exigentes e tecnológicas, garantir formadores especializados em áreas emergentes, muitas vezes disputados pelo setor privado; e superar a resistência cultural à digitalização e automação, mostrando que a inovação não substitui trabalhadores, mas pode tornar o trabalho mais seguro, eficiente e criador de novas oportunidades. Sistemas de monitorização avançada, drones para inspecionar navios ou sensores ambientais para a aquacultura já são uma realidade e requerem profissionais com novas competências. Não basta, por isso, saber operar uma máquina: é essencial compreender dados, interpretar informação em tempo real e eventualmente tomar decisões rápidas e fundamentadas.

 

Como perspetiva o FOR-MAR a sua atuação nos próximos anos? Quais são as prioridades e os novos projetos para formar profissionais capazes de responder às necessidades futuras do mar e das comunidades costeiras?

Áreas prioritárias de atuação:

  • Aprofundar a digitalização na formação e intensificar a oferta de formação na modalidade e-learning de forma a abranger comunidades mais dispersas e contribuir para a igualdade no acesso a formação qualificada;
  • Integrar competências de inovação e sustentabilidade, com novas ofertas formativas que contribuam para a eficiência energética e transição verde;
  • Reforçar a cooperação e o trabalho com empresas, universidades e polos de inovação e investigação, aproximando cada vez mais a formação das reais necessidades do tecido empresarial e dos mercados. O FOR-MAR, integrado na Rede Hub Azul e reconhecido como Hub Azul School, encontra-se a desenvolver o respetivo plano de negócio para trabalhar com todos os parceiros numa verdadeira estrutura em rede.
  • Valorizar as comunidades costeiras, apoiando projetos em pequena escala que envolvam pescadores, mariscadores e pequenas empresas locais do setor, assegurando a sua inclusão nos processos de qualificação profissional.
  • Valorizar o papel das mulheres no setor do mar, promovendo a sua inclusão ativa em todas as áreas de formação e incentivando a igualdade de oportunidades no acesso às profissões ligadas às comunidades costeiras e à economia azul.

De que forma o FOR-MAR aproveita o Dia Mundial do Mar para sensibilizar a sociedade para a importância da formação profissional nos setores marítimos e para a preservação dos ecossistemas costeiros?

O FOR-MAR assinala a data não apenas como celebração, mas sobretudo como momento de sensibilização para a importância da formação profissional e da proteção do Oceano.  O Dia Mundial do Mar constitui um momento de diálogo com a sociedade, sublinhando o mar como património coletivo e a formação profissional como uma das ferramentas mais eficazes para garantir que esse património não se degrada, reforçando a sua sustentabilidade.

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