EDIFÍCIOS COM ALMA

Na porta número 53 da Rua José Augusto Coelho, em Azeitão, existe um gabinete de arquitetura que se destaca dos demais. Carateriza-se pelo toque moderno, onde sobressai a história de cada objeto, que em estilo brocante se apresenta. Espaço esse, que se coaduna com o arquiteto e CEO que o dirige, Nuno Marôco. Um profissional upscale e multifacetado, que faz questão de acompanhar todos os projetos com proximidade. Em conversa com a Revista Business Portugal, Nuno Marôco e Susana Teodoro Cabaço, arquiteta e gestora de projeto, explicaram-nos que não projetam casas pret-à-porter (como é apanágio da construção frenética dos tempos de hoje), mas sim edifícios com alma.

 

De luthier a arquiteto upscale

Nuno Marôco começou por estudar arquitetura no Porto, onde viveu durante dois anos. Passou por Lisboa, onde estudou mais um ano e viria a terminar o seu curso em Setúbal, pela facilidade em conciliar todas as atividades a que se dedicava. Não hesita em afirmar que sempre quis ser arquiteto, mas face às despesas e num sentido responsável de não sobrecarregar economicamente a família, para além de estudar, trabalhava. Chegou a ajudar o avô na sua oficina e chegou a trabalhar num atelier de lutherie – onde se dedicava à construção e reparação de violinos, que conheceu através do conservatório de música onde estudava viola de arco. Cada experiência trouxe-lhe competências que mantém até hoje, como por exemplo, a atenção ao detalhe. É, por isso, um arquiteto que assume um papel preponderante em obra.

 

O início do atelier Nuno Maroco – Arquitectos Associados

O entrevistado recorda que, quando foi estudar para Setúbal, queria imprimir os seus trabalhos para a faculdade, muitas vezes fora de horas, tendo dificuldade em encontrar locais que o fizessem. Foi então que, em conjunto com cinco colegas da universidade, comprou uma Plotter (máquina de impressão). Entretanto, um dos colegas cedeu um espaço livre e “decidimos abrir o atelier”, afirma. Ainda estudantes universitários, montaram o atelier e começaram a fazer os seus próprios projetos, que lhes permitiram ganhar prática. Mais tarde, cada um iniciou os seus próprios projetos de vida, dando por terminada a sociedade. Há cerca de doze anos assumiu o seu próprio atelier, em Azeitão, do qual é CEO, o atelier Nuno Maroco Arquitectos Associados.

 

A linguagem arquitetónica que caracteriza o arquiteto: Compromisso entre o moderno e o clássico

Especializou-se na área da reabilitação de edifícios históricos, bem como em arquitetura eclesiástica. É um arquiteto creditado e pode fazer intervenções em edifícios classificados ou que são complexos de intervencionar, por terem séculos de existência, como é exemplo a obra de reabilitação do Forte de Albarquel, em Setúbal, ainda em curso. Não obstante, cada projeto novo é igualmente vivido com enorme emoção. Costuma dizer que é um arquiteto “de largo espetro”, porque se dedica desde a construção mais contemporânea até à mais clássica.

O entrevistado assegura que, quando intervenciona em casas devolutas, gosta de ir às origens, usando a evolução técnica, considerando sempre a essência do existente: “isso é que é a alma de um edifício”. A reabilitação é a sua grande paixão, uma assinatura de compromisso entre o moderno e o clássico, remata, explicando que os edifícios “devem ser dinâmicos”, pois é importante compreender que “as estruturas têm histórias, vivências! É necessário reconhecer a característica original da construção e transformá-la numa nova valência utilizando materiais antigos como a pedra, a cal, entre outros”.

 

O atelier: serviços, dinâmica e área de atuação

O atelier conta hoje com seis colaboradores, cinco dos quais arquitetos e uma administrativa. Afirma que hoje tem uma equipa sólida, em quem confia, e que tem o ambiente de atelier que sempre quis ter. Os serviços que disponibilizam dirigem-se para o segmento médio-alto, posicionando-se no patamar upscale. Já realizaram projetos em vários pontos geográficos do país, maioritariamente para clientes estrangeiros, principalmente francófonos, devido ao domínio fluente da língua. Elaboram os orçamentos em função dos recursos que vão dispensar a cada projeto. No final, apresentam resultados que o comprovam.

Susana Teodoro Cabaço, gestora de projeto e braço direito do CEO, explicou-nos a dinâmica do atelier: “o arquiteto Nuno trabalha a angariação do cliente, estabelecendo uma relação de empatia e confiança mútua. Eu percebo as necessidades do cliente e elaboro a proposta. Após a adjudicação, distribuo o trabalho pela equipa, tendo em conta qual o arquiteto que se adequa mais ao projeto e a disponibilidade no momento”. O objetivo de ambos é fazer com que cada arquiteto do atelier seja autónomo. Explicam-nos que “não podem reduzir um arquiteto à função de desenhador, é desmotivante. É crucial que tenham participação ativa em todas as etapas do projeto”. Acrescentam ainda que, “não podemos projetar segundo as nossas premissas, embora incluamos o nosso cunho pessoal, temos de ouvir e perceber o cliente”.

 

Pontos diferenciadores: “Pensar nas casas de dentro para fora” e serviço chave na mão

Em conversa, os arquitetos explicaram-nos quais os serviços que os diferenciam. O facto de planearem os edifícios do interior para o exterior é um deles: “temos em consideração a orientação solar do terreno, a morfologia, as condições, as proporções e a funcionalidade. O layout resultante é um compromisso da vivência do espaço que se propõe. Há quem faça primeiro o exterior, nós não funcionamos assim”. Com um vasto portefólio de projetos realizados de qualidade extrema, acrescentam que, são muitas vezes procurados por clientes que preferem o “serviço chave na mão”. Fazem o projeto, constroem e entregam.

 

Parceiros – Real Estate, Atelier Brocante e Serviço de Advocacia

Para além do atelier, o arquiteto Nuno Marôco é diretor técnico da sua própria empresa de construção e destaca ainda os seus parceiros, “que é como se pertencessem à empresa”. Em Azeitão, disponibiliza o serviço de Real Estate; a Loja de Decoração – o Atelier Brocante – gerido pela designer de interiores Luísa Ribeiro da Silva; e ainda o Serviço de Advocacia, a cargo da advogada Marta Batardo, para procedimentos administrativos. A necessidade de alargar o tipo de serviços foi surgindo naturalmente, com as necessidades expostas pelos clientes.

Para 2020, os objetivos do arquiteto estão bem definidos: consolidar as parcerias do atelier e fazê-las crescer, a par da arquitetura.

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