Quase meio século depois, a Agovi continua a provar que é possível ser do metal e, ao mesmo tempo, gerar mudança: de oficina de manutenção industrial a referência na conceção de equipamentos industriais para a economia verde e azul, sempre com “O metal ao serviço da comunidade” como bússola.
Fundada em 1978, a Agovi tem uma longa experiência no setor metalomecânico. Como descreveriam a evolução da empresa ao longo destas décadas e os marcos mais importantes que moldaram a sua identidade?
São já quase cinco décadas d’O metal ao serviço da comunidade. Começamos por ser essencialmente uma empresa de manutenção industrial, e ao longo do tempo fomos acrescentando novos serviços, à medida que a empresa crescia e a equipa também. Tornámo-nos muito bons a reparar máquinas e equipamentos, ainda hoje ouvimos falar da adaptação de uma máquina de leite para água, e de grandes obras como as estruturas para o aeroporto de Málaga ou a praça de touros de Barcelona. Mais recentemente, instalámos um limpa-grelhas a 20 metros de altura no Funchal, desenhámos vários trituradores e tapetes transportadores para recolha e valorização de resíduos e bio resíduos, máquinas para esmagar cana-de-açúcar, e requalificamos total ou parcialmente várias centrais hidroelétricas, dos limpa-grelhas, às grelhas, às comportas e às turbinas para produção de energia, duas das quais com mais de 100 anos. Isto orgulha-nos muito, não só pelo desafio em si, mas porque reflete na perfeição a nossa essência – requalificar sempre que possível, acrescentar vida útil ao ciclo do produto, trazer a sustentabilidade para os processos produtivos.
Já fizemos um pouco de tudo, mas na área da engenharia a diversidade requer muita experiência e capacidade técnica, além da criatividade necessária à inovação. Naturalmente, uma empresa com quase cinco décadas tem muito para contar. No nosso caso, os últimos anos foram mais marcados pela reestruturação do negócio, período em que tivemos de reposicionar a empresa e nos reinventar. Sempre fomos reconhecidos por aceitar os desafios mais difíceis, este é mais um exemplo e o fator diferenciador que marca toda a nossa história.

A empresa começou com serviços de retificação e hidráulica e evoluiu para metalomecânica pesada e construção naval. De que forma a Agovi adapta os seus processos e tecnologias para acompanhar as exigências do mercado sem perder a sua experiência acumulada?
No setor metalomecânico, o investimento é um fator determinante. Temos de estar permanentemente atualizados, e o investimento é elevado, principalmente na secção de torneamento e fresagem. Para além desta, nós temos mais três, a de construção soldada, a de manutenção industrial e o gabinete de engenharia. Como somos fabricantes de equipamentos e peças de grande dimensão, em cada uma delas temos sempre a questão do espaço disponível. Pelo que à medida que vamos evoluindo focamo-nos nos serviços de valor acrescentado em chão-de-fábrica, para sermos eficientes, competitivos e diferenciadores. Mas não se trata apenas de investimento na capacidade produtiva e infraestruturas. É, sobretudo, a qualidade do trabalho executado. Aqui entra a formação permanente, a qualificação dos procedimentos de soldadura e soldadores, as certificações. A precisão técnica é essencial em tudo o que fazemos, principalmente nos serviços de subcontratação industrial. Quem trabalha numa cadeia de valor, se se limitar a cumprir tolerâncias, no final as peças podem não encaixar. Na construção naval temos requisitos técnicos específicos, como por exemplo os tipos de materiais a utilizar, dadas as condições a que as peças vão estar expostas (alto mar, e temperaturas muito baixas).
No âmbito da construção naval e energia, quais são os segmentos ou soluções que mais contribuem para que a empresa se destaque no mercado?
Estes dois setores representam habitualmente pelo menos metade da nossa produção anual, no caso da construção naval quase na totalidade para o mercado internacional, com o fabrico de peças como estruturas, enroladores de cabos, carrinhos, partes de gruas e suportes. Para além da subcontratação industrial, estamos a desenvolver soluções para recolha e tratamento de lixo nos oceanos e rios, e de resíduos de outros setores da economia azul, aliando a nossa experiência na produção de energia, resíduos e agronegócios. Na energia, da manutenção industrial à conceção, fabrico e reparação de estruturas, grelhas, limpa-grelhas, comportas e turbinas para produção de energia. Temos, inclusive, no grupo, uma empresa de produção de energia renovável, a Gesthidro, que explora cinco centrais mini-hídricas em Portugal.
A Agovi valoriza a proximidade e a relação duradoura com clientes e parceiros. Que práticas adotam para criar confiança e fidelização ao longo dos anos?
Nós não temos um departamento comercial tradicional. São técnicos que acompanham os clientes desde o primeiro contacto, visita ou reunião online, avaliam os trabalhos ou projetos, fazem o levantamento de necessidades e depois mantêm-se na equipa até ao fim. Acreditamos que isto é uma mais-valia, facilita a comunicação em todo o processo e junto do cliente, criando confiança, com clientes nacionais e sobretudo os internacionais. Além da capacidade de resposta, também a agilidade. Este é um fator muitas vezes desvalorizado, porém a capacidade de adaptação, de inovação, até de decisão, é um enorme fator competitivo. Acima de tudo, a disponibilidade. Quão incrível é um cliente chegar com uma dificuldade ou ideia, avaliarmos no momento se temos capacidade e ajudarmos a materializá-la?

Trabalhar com metalomecânica pesada e equipamentos de grande dimensão implica desafios técnicos e logísticos. Quais foram os principais desafios enfrentados e como conseguiram superá-los?
Às questões logísticas, já estamos habituados. Transportes especiais, trabalhos em altura ou em condições desafiantes como neve, chuva ou dentro de tanques, ou as pontes rolantes, pórticos e guinchos para manuseamento de cargas. O nosso maior desafio é o risco. Como é tudo grande, qualquer acidente tem uma proporção enorme. É por isso que temos um foco tão grande na saúde e segurança, e na educação. Incluímos, rastreios, vacinação, e os seguros de vida e saúde, a comparticipação da educação no sistema de compensação e benefícios, e apostamos na formação permanente, este ano por exemplo com um ciclo de primeiros socorros. Também temos o nosso próprio dicionário de segurança, que lembra a todos/a que os auriculares servem para conseguir ouvir um “gosto de ti” aos 80 anos. Nos maiores desafios de engenharia, temos várias parcerias com outros gabinetes, com instituições de ensino. A colaboração e a aprendizagem estão muito presentes no nosso dia a dia e acrescentam imenso valor às soluções que desenvolvemos. Disso são exemplo os projetos europeus em que participamos este ano, como o projeto HY4ares, para o qual estamos a fabricar os equipamentos a instalar na comunidade de energia Moinho do Salto, e o I3-4 Blue Growth, no qual participamos como techproviders para prototipagem industrial, através da Blue Bio Alliance, entidade da qual somos associados. A Agovi também foi uma das três empresas portuguesas – num total de 46 europeias – selecionadas pelo EU Business Hub – Japan and the Republic of Korea para participar na Smart Energy Week Autumn 2025, que decorreu no passado mês de setembro no Japão.
Quais são os objetivos e ambições da empresa em termos de inovação, expansão de serviços e consolidação no mercado nacional e internacional futuramente?
Continuar, sobretudo, a criar soluções inovadoras. A competir em qualidade nos mercados internacionais, a representar com orgulho o nosso país. Este ano estivemos em 6 países, em inúmeros eventos nacionais e internacionais. Vamos mudar de instalações nos próximos meses, esse é o desafio do momento! Não queremos apenas mudar de instalações, queremos que este seja o marco de uma nova fase da empresa.
Sim, vamos aumentar a nossa equipa e capacidade produtiva. Mas queremos, acima de tudo, poder continuar a criar valor em setores essenciais, contar com uma equipa de #DurosComoOaço dedicada a contribuir positivamente para a inovação sustentável, manter a nossa essência e honrar o nosso legado. Somos uma empresa familiar, e já temos a terceira geração a trabalhar connosco. Grande parte da nossa equipa é mais nova do que a empresa. Por isso dizemos com frequência: Enquanto a empresa tiver mais anos do que nós, devemos estar a fazer alguma coisa bem!





