Com uma trajetória marcada pela inovação, resiliência e liderança inclusiva, Manuela Timóteo transformou a PMT numa referência nacional e internacional. À frente da empresa desde a sua fundação, em 2009, a CEO fala sobre os desafios superados, as estratégias de crescimento e o papel da sustentabilidade, da tecnologia e da diversidade no futuro da engenharia.
A PMT nasceu em 2009 e, rapidamente, destacou-se no setor. Que desafios enfrentaram nos primeiros anos e quais foram as principais estratégias adotadas para consolidar a empresa como referência nacional e internacional?
Os primeiros anos foram desafiantes, como é natural em qualquer processo de crescimento. No entanto, foi a nossa equipa – unida, resiliente e tecnicamente competente – que nos permitiu ultrapassar cada obstáculo. Desde cedo, investimos numa cultura organizacional sólida e partilhada, baseada na formação contínua, na inovação e numa forte cooperação interna. Esta base permitiu-nos entregar soluções de excelência e conquistar reconhecimento a nível nacional e internacional.

Enquanto CEO, tem desempenhado um papel fundamental na expansão da empresa. Quais foram as decisões mais estratégicas que impulsionaram o crescimento da PMT e como define o seu estilo de liderança?
A decisão de investir numa equipa multidisciplinar e continuamente capacitada foi, sem dúvida, uma das mais estratégicas. Sempre acreditei que o crescimento sustentável da PMT passaria por colocar as pessoas no centro – tanto os nossos colaboradores como os nossos clientes. O meu estilo de liderança é colaborativo e baseado no exemplo: valorizo a escuta ativa, o empowerment e a criação de um ambiente onde todos sentem que fazem parte de algo maior. Promover a inovação, dar espaço à criatividade e reconhecer o mérito tem sido fundamental para o nosso crescimento. O crescimento da PMT é um reflexo direto do empenho e do talento coletivo.
A engenharia e a arquitetura exigem constante atualização tecnológica. De que forma a PMT tem incorporado inovação nos seus projetos para garantir um diferencial competitivo no mercado?
A inovação faz parte do nosso ADN. Trabalhamos com ferramentas de modelação BIM, desenvolvemos processos internos baseados em metodologias ágeis e investimos continuamente na formação dos nossos profissionais em tecnologias emergentes.
Temos uma estrutura interna voltada para a inovação, mas é na prática dos nossos profissionais, no terreno e nos gabinetes, que ela ganha forma. Esta abordagem colaborativa e proativa tem sido essencial para manter a nossa vantagem competitiva.
A sustentabilidade é hoje um pilar fundamental no setor da construção. Como a PMT tem trabalhado para integrar soluções mais sustentáveis nos seus projetos, especialmente na aérea de auditoria energética?
Na PMT, encaramos a sustentabilidade como um compromisso real e transversal a todas as áreas. Desenvolvemos projetos com certificação LEED, promovemos soluções de e incorporamos práticas de economia circular sempre que possível. Na área de auditoria energética, temos equipas especializadas e atualizadas que aplicam metodologias rigorosas para identificar oportunidades concretas de poupança e redução do impacto ambiental, tanto em edifícios novos como em reabilitações.
A PMT tem uma presença significativa em países como Angola, Moçambique e Cabo Verde. Quais foram os projetos internacionais mais desafiantes e como foi a experiência de adaptação a diferentes realidades e exigências de mercado?
Cada contexto internacional traz os seus próprios desafios – desde questões logísticas até diferenças culturais e regulamentares. Em todos os países onde atuamos, a chave para o sucesso tem sido a capacidade de escutar, adaptar e colaborar. Tivemos projetos desafiantes em Angola, por exemplo, que exigiram soluções de engenharia adaptadas às condições locais, e foi graças à nossa equipa – resiliente, experiente e multicultural – que conseguimos entregar com qualidade e cumprir os objetivos. Trabalhar em diferentes geografias expandiu a nossa visão e reforçou a importância da empatia e da flexibilidade.
A empresa atua tanto em projetos públicos como privados, desde infraestruturas básicas até edifícios de serviços. Quais são as principais diferenças e desafios ao trabalhar nestes dois setores?
No setor público, o principal desafio está muitas vezes nos prazos e na complexidade burocrática, enquanto no setor privado a agilidade e a personalização são mais valorizadas. Em ambos os casos, a nossa prioridade é garantir a qualidade técnica e o cumprimento rigoroso dos requisitos do cliente. A nossa equipa tem experiência sólida nos dois contextos, o que nos permite adaptar processos e linguagens conforme o tipo de projeto. Essa flexibilidade é resultado direto do investimento que fazemos na formação contínua e no desenvolvimento das soft skills dos nossos profissionais.

Quais são os próximos passos da PMT? Há novos mercados a explorar, serviços a lançar ou investimentos estratégicos que possa partilhar?
Estamos a preparar a entrada em novos mercados europeus, com foco em serviços altamente especializados, como consultoria em sustentabilidade e coordenação de projetos BIM. Vamos continuar a investir fortemente em inovação, digitalização de processos e formação técnica dos nossos quadros. Também queremos reforçar o nosso posicionamento como referência em práticas de conciliação entre a vida profissional e pessoal, porque acreditamos que equipas felizes e motivadas entregam resultados extraordinários.
A engenharia ainda é um setor predominantemente masculino. Como tem sido a sua experiência enquanto mulher na liderança de uma empresa de engenharia e que conselhos daria a outras mulheres que aspiram a cargos de topo neste setor?
Foi, e continua a ser, um caminho feito de superações, escolhas difíceis e muita aprendizagem. Mas nunca estive sozinha. Caminhei sempre com uma equipa incrível ao meu lado – feita de pessoas que acreditam, que se entregam e que fazem acontecer. Na PMT, valorizamos o talento em todas as suas formas. Aqui, o que conta é a paixão, a competência e a vontade de crescer juntos.
Ser mulher na liderança de uma empresa de engenharia ainda traz desafios, mas também uma enorme responsabilidade: a de abrir caminho para outras. O meu conselho para quem sonha em liderar é simples, mas profundo – acreditem em vocês mesmas, cuidem da vossa formação, e rodeiem-se de quem vos inspira, vos respeita e vos impulsiona. O mundo precisa da vossa voz, da vossa visão e da vossa coragem. O futuro não se constrói sozinho – e é mais forte quando é liderado com coração, propósito e diversidade.




