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Crescimento de 42% na receita de jogos online reforça digitalização do sector

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Portugal encerrou 2024 com uma receita bruta anual que ultrapassou 1,1 mil milhões de euros, quase 30% a mais que o ano anterior, coroando um quarto trimestre de 323 milhões de euros que, só por si, já representou um salto homólogo de 42,1%.

Estes números, divulgados pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), demonstram que a digitalização do entretenimento reforça a relevância económica de um sector que emprega talento tecnológico, paga impostos altos e atrai capitais estrangeiros.

Receitas online sobem 42%: O mercado em 2024

Entre outubro e dezembro de 2024, os 17 operadores licenciados geraram 323 milhões de euros antes de impostos, contra 227 milhões de euros um ano antes. O casino online manteve a liderança do mercado, com 184,6 milhões de euros (57,2% do total).

Já as apostas desportivas atingiram 138,3 milhões de euros, duplicando praticamente a fatia obtida em 2023. A comparação com o terceiro trimestre confirma um ritmo ainda mais impressionante, com um aumento de mais de 21% em apenas três meses.

A dinâmica está relacionada com o reforço da oferta móvel em 5G, que reduziu a latência dos jogos ao vivo, mas também com a popularização de métodos de pagamento instantâneos, do MB Way às carteiras virtuais.

É claro que um calendário desportivo carregado, com Champions League e Premier League a impulsionarem o volume de apostas. Dentro do segmento de casino, o poker reconquistou protagonismo graças às mesas de cash partilhadas com Espanha e França, criadas em meados de 2018.

O aumento de liquidez atraiu principiantes, mas também expôs a importância de dominar os fundamentos. Compreender a hierarquia das mãos é essencial para quem pretende jogar nos múltiplos torneios que oferecem plataformas do sector (fonte: https://www.pokerscout.com/pt/guias/maos-poker-ordem-clasificacao/).

O número total de contas registadas nos operadores licenciados chegou a 4,7 milhões no final de 2024. É verdade que várias contas podem pertencer ao mesmo jogador, mas a base activa ronda 1,23 milhões de utilizadores por trimestre. Os jovens entre os 18 e 24 anos representam 22,1% dos apostadores, enquanto o grupo dos 25 a 34 anos concentra 33,9%.

 

 

 

Digitalização, inovação e futuro do iGaming português

A velocidade a que o 5G se instalou no país, já presente em todos os concelhos e em 70% das freguesias, com uma média de 97 estações-base por 100.000 habitantes, alterou de forma decisiva a experiência do casino online. Permitindo mesas “live-dealer” sem latências perceptíveis e póquer móvel em streaming HD, mesmo fora de casa.

O regulador das comunicações confirma que o número de antenas 5G cresceu mais 24%, densificando a rede e abrindo caminho a funcionalidades de realidade aumentada nos lobbies virtuais. E a infra-estrutura móvel encontrou, nos métodos de pagamento, um aliado natural.

Segundo o Relatório dos Sistemas de Pagamentos do Banco de Portugal, os portugueses efectuaram 4,7 mil milhões de operações electrónicas em 2024, 11% mais que em 2023. Mais de metade das compras presenciais já são contactless e as transferências imediatas cresceram 84% em número e 55% em valor.

O reflexo no iGaming é directo, pois depósitos em MB Way ou instant SEPA entram na conta em segundos, elevando a fasquia da conveniência e aumentando o tempo de permanência nas plataformas. A camada seguinte é a inteligência artificial.

Os 17 operadores licenciados em Portugal recorrem hoje a motores de IA não apenas para detectar padrões de risco, mas para personalizar bónus em tempo real e adaptar cotas desportivas com base em micro-tendências.

Um salto qualitativo que se tornará ainda mais visível quando o streaming de baixa latência e a análise preditiva convergirem em apostas ao segundo. Além disso, o esforço regulatório iniciado com o Decreto-Lei 66/2015 permitiu criar um dos ecossistemas mais competitivos da Europa Ocidental.

Frente a uma base de utilizadores digitalmente exigente, as marcas investem num desenho omnicanal. Aplicações que replicam o lobby do desktop, programas de fidelização integrados com casinos físicos de Lisboa ou do Algarve e dashboards de apostas que recordam os feeds de redes sociais.

A omnipresença do telemóvel também impulsionou a rápida adopção de verificação de identidade “em dois cliques”, ligando o cartão de cidadão aos registos bancários. Este onboarding express proporciona activação em minutos e reduz drasticamente a fuga para sites sem licença.

O Imposto Especial de Jogo Online (IEJO), hoje escalonado entre 15% e 30% da receita bruta, poderá passar a taxa única de 25%, ou mesmo sofrer redistribuição, se vingar a proposta da Confederação do Desporto que pretende canalizar 45% do imposto das apostas para as federações.

 

*Este artigo é da inteira responsabilidade da Bazoom

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