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Castro Marim: Crescer sem perder a essência

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A proximidade com Espanha, a valorização do património natural e o desafio de fixar população marcam a estratégia de desenvolvimento de Castro Marim. Para a Presidente da Câmara Municipal, Filomena Sintra, o concelho tem condições para afirmar um modelo de crescimento equilibrado, onde a natureza, o turismo e a qualidade de vida caminham lado a lado.

Um território de fronteira com novas oportunidades

Situado no extremo oriental do Algarve, Castro Marim continua a viver o paradoxo de muitos territórios periféricos: distante dos grandes centros de decisão, mas cada vez mais próximo de novas oportunidades. A fronteira com Espanha, em particular com a Andaluzia, tem-se revelado um fator de dinamização económica e social. “Em termos de política de ordenamento e de coesão, continuamos a ser periféricos dentro do país”, reconhece Filomena Sintra. Ainda assim, a autarca sublinha que a proximidade geográfica oferece vantagens importantes. “Temos um mercado de proximidade, que é a Andaluzia, que nos permite reduzir o impacto da sazonalidade e da própria periferia”.

Essa cooperação é atualmente visível na Eurocidade do Guadiana, um projeto que junta Ayamonte, Vila Real de Santo António e Castro Marim. Mais do que um símbolo político, a iniciativa traduz-se em relações económicas e sociais cada vez mais intensas. Grande parte da procura que mantém a restauração aberta durante todo o ano tem muito a ver com esta relação de proximidade com Espanha”, explica a presidente. Ao mesmo tempo, começam a surgir novas dinâmicas residenciais. “Já temos muitos espanhóis a viver em Castro Marim e também castramarinenses a viver em Ayamonte”.

 

Filomena Sintra, Presidente

 

Natureza como valor estratégico

O concelho integra uma das zonas ambientais mais sensíveis do país: a Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António. Para Filomena Sintra, esta realidade deve ser vista como uma oportunidade e não como um obstáculo ao desenvolvimento. “O ambiente hoje é uma oportunidade de afirmação dos territórios, desde que haja bom senso”, defende. “Não devemos ser fundamentalistas na proteção exclusiva do ambiente, porque qualquer ação humana tem impacto”.

A autarca recorda que o Sapal foi a primeira reserva natural classificada em Portugal e sublinha a evolução da relação entre o município e as entidades ambientais. “Durante muitos anos houve uma relação quase antagónica, mas hoje temos uma cooperação muito próxima”.

Ainda assim, alerta para a necessidade de equilíbrio entre preservação e qualidade de vida. “Para termos pessoas a proteger o ambiente temos de ter casas para essas pessoas viverem”, afirma. “O novo luxo é viver bem, com menos riscos ambientais e com mais qualidade de vida”

 

 

Turismo de natureza e crescimento sustentável

Entre as apostas estratégicas do concelho está o turismo de natureza, uma área que tem vindo a ganhar relevância no Algarve e que encontra em Castro Marim condições privilegiadas. “O turismo da natureza tem um enorme potencial”, afirma Filomena Sintra. O território combina ribeiras, o rio Guadiana, praias, mata e percursos pedestres, além de pequenas localidades que preservam a autenticidade algarvia.

Nos últimos anos, o município investiu também em mobilidade suave e infraestruturas de lazer. Um exemplo é o Triângulo Verde, uma rede ciclável que liga Castro Marim a Vila Real de Santo António e à Praia Verde. “Agora vamos avançar com novas ligações, reforçando esta afirmação territorial através do turismo de natureza”, acrescenta.

Apesar do crescimento turístico, a autarca garante que o município mantém uma estratégia de baixa densidade e respeito pela paisagem. “Quem nos procura sabe qual é a filosofia do município e vem precisamente por isso”.

Fixar população é o grande desafio

Tal como em muitos territórios do interior e do litoral menos urbanizado, o envelhecimento populacional é uma das principais preocupações do concelho. “A inversão da pirâmide demográfica é um desafio em todo o país”, admite Filomena Sintra. Para o combater, defende políticas que facilitem o acesso à habitação e atraiam novas famílias.
“É muito caro viver no Algarve e o rendimento médio não acompanha esses custos”, sublinha. O problema torna-se ainda mais evidente com o crescimento do turismo e da segunda habitação.

A presidente da Câmara dá um exemplo concreto: a abertura de novos empreendimentos turísticos exigirá centenas de trabalhadores. “O hotel do Verde Lago vai precisar de cerca de 320 funcionários. A pergunta é: onde vão viver essas pessoas?”

Para a autarca, o território tem capacidade para receber novos residentes, desde que existam condições habitacionais adequadas. “Se queremos uma segurança social sustentável e uma região dinâmica, temos de aceitar novas famílias”.

 

 

Um futuro com identidade própria

Apesar dos desafios, Filomena Sintra acredita que Castro Marim tem todas as condições para se afirmar como um território equilibrado e atrativo. “Daqui a dez anos, quero ver Castro Marim com novas famílias e ser o concelho mais apetecível para viver no Algarve”, afirma. Mais do que crescimento económico, a autarca valoriza a qualidade de vida e o sentimento de pertença.

“Quero que as pessoas tenham orgulho em dizer que são castro-marinenses”, sublinha. Entre novos investimentos, cooperação transfronteiriça e valorização ambiental, Castro Marim procura afirmar-se como um território onde desenvolvimento e identidade caminham juntos, um concelho pequeno em dimensão, mas com ambições claras para o futuro.

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