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Território, identidade e compromisso com o futuro

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Num momento marcado por desafios climáticos e pela afirmação do território, a visita do Presidente da República a Soure reforçou a importância da proximidade entre o poder central e as comunidades locais. Em entrevista, Rui Fernandes, Presidente da Câmara Municipal de Soure, destaca o papel da resiliência, da valorização do setor agrícola e da herança templária na construção de um concelho mais preparado e competitivo.

Qual foi o impacto da visita do Presidente António José Seguro à Associação Cultural, Recreativa e Social de Samuel e à empresa Arunca & Seminário em Vila Nova de Anços, no âmbito da sua primeira Presidência Aberta, para a resiliência das instituições locais face a catástrofes como as cheias recentes?

A presença do Senhor Presidente da República no Concelho Soure foi muito mais do que um gesto institucional — foi um sinal político claro de reconhecimento do território e das suas pessoas.

Após um momento particularmente exigente, marcado pela passagem da tempestade Kristin e por um período de cheias abundante, esta visita reforçou uma ideia essencial: a resiliência constrói-se no terreno, com instituições fortes, próximas das populações e capazes de responder em rede. O que aqui ficou evidente foi que Soure não está sozinho. Há uma atenção nacional crescente para os desafios dos territórios de baixa densidade, e isso deve traduzir-se em políticas concretas.

O Município continuará a exigir esse compromisso: mais meios, mais prevenção e mais valorização das nossas associações e empresas, que são a primeira linha de resposta em situações de crise.

 

Rui Fernandes, Presidente

 

Como é que a Câmara Municipal de Soure articulou esta segunda visita oficial do Presidente Seguro com os agricultores e produtores de arroz carolino do Baixo Mondego, e que compromissos emergiram desse diálogo?

Procurámos garantir que esta visita oficial tivesse uma forte componente de escuta ativa junto dos agentes económicos, em particular dos agricultores e produtores de arroz carolino do Baixo Mondego. Mais do que um momento simbólico, esta foi uma oportunidade para dar voz a quem está no terreno e enfrenta diariamente estes desafios.

Promovemos um momento de diálogo onde foram abordados desafios concretos, como a gestão hídrica, os impactos das alterações climáticas e a valorização do produto. Deste encontro emergiram questões importantes ao nível da necessidade de reforço de apoios à produção nacional, de afirmar o arroz carolino como produto estratégico e identitário, e de garantir políticas públicas que garantam a sustentabilidade económica e ambiental do setor.

O Município de Soure assumiu-se como facilitador deste diálogo, afirmando-se como ponte entre o território e as instâncias nacionais. Mais do que mediar, estamos comprometidos com soluções.

Estamos ao lado dos nossos produtores, na defesa de um setor que é estruturante para o concelho. Em Soure, o setor agrícola — e, de forma muito particular, o arroz carolino do Baixo Mondego — não é apenas economia, é identidade e é futuro.

De que forma a doação do Castelo de Soure por D. Teresa à Ordem dos Templários, a 19 de março de 1128 – tornando-o a primeira sede da Ordem em Portugal –, influencia as estratégias atuais da Câmara para a preservação do património e o turismo cultural?

Quando D. Teresa doou o Castelo de Soure à Ordem dos Templários, lançou as bases de uma identidade que ainda hoje nos distingue.

Para nós, esse legado não é apenas passado — é uma oportunidade estratégica. A valorização do património é uma afirmação política: de quem somos, da nossa história e da nossa ambição. Queremos um concelho que respeita as suas raízes, mas que sabe transformá-las em desenvolvimento, em turismo qualificado e em criação de valor.

Estamos a trabalhar para que o património não seja apenas preservado, mas vivido, integrado e projetado como um ativo central da nossa estratégia de futuro.

Qual o papel da Câmara Municipal de Soure na promoção da herança templária, nomeadamente através da integração na Rota dos Templários Portugal e de iniciativas como os Dias Templários, para potenciar a economia local e a identidade concelhia?

A Câmara Municipal tem assumido um papel ativo na valorização da herança templária, designadamente através da integração na Rota dos Templários e da promoção de iniciativas dedicadas a esta temática. Escolhemos afirmar Soure como território templário de referência. Escolhemos investir na cultura como motor de desenvolvimento económico. E escolhemos envolver a comunidade na valorização da sua própria identidade.

Estas ações permitem não só preservar e divulgar o património histórico, mas também dinamizar a economia local, com um impacto direto no comércio, na restauração, na valorização dos produtos endógenos e na atração de visitantes. Mas têm também um impacto mais profundo: contribuem para reforçar a identidade concelhia, envolvendo a comunidade em torno da sua história e tradições.

O nosso objetivo passa por transformar a nossa história numa força ativa de desenvolvimento e projetar Soure como um território diferenciado, com qualidade de vida para viver, visitar e investir.

Convido todos a visitarem o evento Origem Templária Soure 1128, entre 5 e 7 de junho, e a viverem connosco esta celebração da nossa história e identidade. Este é um evento que honra o legado templário que ajudou a construir Soure, mas que também mostra a capacidade que temos de transformar o nosso património em cultura, dinamismo e desenvolvimento para o concelho. Queremos receber bem quem nos visita, envolver a nossa comunidade e afirmar Soure como um território com história, autenticidade e futuro. Contamos com a presença de todos para fazer desta edição um momento verdadeiramente memorável.

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