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A incubadora que acelera startups com foco na cibersegurança

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A Incubou nasceu de uma intersecção pouco habitual: tecnologia, direito e uma vivência direta do fenómeno migratório. Em conversa com Thiago Vieira, engenheiro de software e perito forense em cibersegurança, percebemos como este percurso pessoal deu origem a uma incubadora que apoia startups tecnológicas com foco em segurança digital.

Com uma rede de atuação cada vez mais internacional, a Incubou destaca-se pelo modelo próximo de aceleração e pela aposta numa abordagem centrada nas pessoas. “O que faltava não era mais tecnologia, era mais empatia, mais suporte humano para quem chega a um país novo e quer empreender”, sublinha o fundador. Tornar Portugal um polo relevante na cibersegurança global é hoje o propósito que move a incubadora, através de um programa único no país, focado em impacto, internacionalização e inovação colaborativa.

De experiência pessoal a projeto estruturado

Thiago chegou a Portugal há sete anos para fazer um mestrado, depois de vender uma software house no Brasil e com uma década de experiência na área tecnológica. Já em território nacional, sentiu na pele os desafios da migração e começou, de forma informal, a ajudar outros empreendedores brasileiros no processo de adaptação. A sua formação jurídica, adquirida paralelamente, deu-lhe uma visão abrangente sobre os obstáculos legais que as startups enfrentam, em especial as estrangeiras. “Muitos empreendedores diziam-me que as incubadoras não os compreendiam, que faltava empatia. E como não consegui entrar nas incubadoras como mentor, decidi criar a minha”, conta. A criação da Incubou foi tudo menos linear. O espaço físico exigiu uma renovação completa, o projeto sofreu atrasos inesperados, e o percurso de instalação foi exigente. Ainda assim, a incubadora deu início ao seu programa de aceleração, o primeiro e, até hoje, o único em Portugal dedicado exclusivamente a startups de cibersegurança.

 

Thiago Vieira, CEO

 

 

Acelerar talento com impacto

O foco da Incubou está claramente definido: acelerar startups com soluções inovadoras para desafios reais de cibersegurança. Atualmente, o programa acompanha 14 projetos, dos quais apenas três são portugueses. A maioria tem origem no Brasil, reflexo natural da rede de contactos do fundador e do acolhimento que o projeto encontrou naquele país.

Dessas startups, duas já foram internacionalizadas, ou seja, têm atividade comercial em Portugal e receberam investimento de cerca de 50 mil euros. O programa criou ainda oito startups novas, três das quais nasceram num hackathon realizado em Amarante. Outras três surgiram num Startup Weekend apoiado pela Incubou no Brasil.

A temática do phishing foi a mais abordada, dado o seu peso crescente no universo dos crimes digitais.

Mas o verdadeiro valor acrescentado do programa não está apenas na técnica, está no apoio ao desenvolvimento de competências de negócio. “Estas pessoas dominam a parte técnica. O problema é comunicar isso a um investidor ou cliente que não entende o tema. Falta visão comercial, falta treino em vendas, falta narrativa”, sublinha Thiago. Por isso, a incubadora aposta fortemente em formação em soft skills, networking e metodologias de comercialização. “No primeiro dia do programa, 95% dos participantes disseram que estavam ali para fazer contactos. Perceberam que, sem isso, não conseguem avançar”, destaca.

Ecossistema, desafios e rede internacional

A Incubou colabora com instituições como o ISLA, a Universidade Lusófona e a Ordem dos Advogados de Braga. Tem também o apoio do IAPMEI e da Startup Portugal, além de financiamento direto do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência – com um orçamento de 158 mil euros para execução. Ainda assim, Thiago aponta que o envolvimento de entidades públicas nacionais continua limitado. “Tentámos aproximação ao Centro Nacional de Cibersegurança, mas não conseguimos. E o setor privado também ainda participa pouco. Precisamos de empresas que tragam desafios reais, para que as startups possam propor soluções e testar pilotos”, reforça.

É neste contexto que surge a ambição de lançar uma nova edição do programa de aceleração, desta vez mais robusta e com enfoque na open innovation. “Se uma empresa portuguesa nos trouxer um problema específico, podemos lançar esse desafio às startups e acelerar o desenvolvimento de soluções. Mas isso exige que alguém assuma o risco connosco”, explica. A componente internacional é outro pilar estratégico. A Incubou já esteve presente em eventos na Lituânia, Londres, Qatar e prepara visitas ao Vale do Silício e à Arábia Saudita. “Estamos a criar pontes com programas semelhantes ao nosso, como uma iniciativa ‘gémea’ no Egito, que vai ajudar técnicos em cibersegurança a criarem as suas próprias startups”, revela.

Essa visão global está, aliás, na génese da incubadora: oferecer um “atalho” no processo de entrada na Europa. “Se estas startups viessem sozinhas, demorariam muito mais a alcançar resultados. Aqui encontram estrutura, mentores e acesso a contactos”, diz Thiago. Além disso, a Incubou prepara novas formações sobre temas como phishing e spoofing, com impacto direto na comunidade.

 

 

O futuro passa por escala e inovação

Em novembro, a Incubou vai apresentar as suas startups no Demo Day, durante a Web Summit. A melhor será escolhida por um painel de parceiros e investidores. O momento será simbólico, mas também estratégico: demonstrar resultados, captar apoios e reforçar o posicionamento internacional da incubadora. O objetivo, no médio prazo, é claro: “Queremos lançar uma segunda edição do programa com maior envolvimento empresarial, consolidar a rede internacional e reforçar o papel da incubadora como ponte entre continentes, especialmente no Médio Oriente, onde o investimento em tecnologia e indústria tem vindo a crescer rapidamente’’, conclui Thiago.

Mais do que um projeto de empreendedorismo, a Incubou tem-se afirmado como um ecossistema com identidade, propósito e visão. Centrada em pessoas, competências e impacto, mostra que a cibersegurança pode, e deve, ser tratada não apenas como uma área técnica, mas como uma oportunidade real de transformação económica, humana e social.

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