A alergia ocular denominada mais frequentemente por conjuntivite alérgica é uma condição frequente que surge quando os nossos olhos desenvolvem uma resposta inflamatória de hipersensibilidade (resposta exagerada do sistema imunológico) a algo que lhes causa irritação e que é designado de alergénio.
Quais são as principais as causas da conjuntivite alérgica?
As causas mais frequentes são alergénios existentes no ar nomeadamente o pólen das árvores ou flores, os pelos de animais, poeiras, fungos, fumos, perfumes, cosméticos…

Quem tem conjuntivite alérgica pode também ter outros tipos de alergias?
Sim, a conjuntivite alérgica encontra-se fortemente associada a outras doenças atópicas nomeadamente a rinite alérgica, asma e dermatite atópica, as quais podem aparecer antes ou depois da conjuntivite alérgica. A doença alérgica ocular estima-se que afete 20% da população mundial.
Quais as manifestações clínicas do doente com conjuntivite alérgica?
Os sintomas principais são o prurido ocular intenso (comichão), a hiperémia conjuntival (olho vermelho), lacrimejo, edema palpebral e, por vezes, fotofobia e sensação de corpo estranho. Estes sintomas são geralmente mais intensos de manhã ao acordar. No entanto é de salientar que a presença de dor ocular ou diminuição da visão não estão presentes nestes doentes e, portanto, o seu aparecimento faz pensar noutras doenças que não esta.
O diagnóstico é clínico e efetuado pelo médico oftalmologista, através dos sintomas e exame oftálmico no qual a presença de papilas na conjuntiva tarsal é muito comum.
Quais os tipos de conjuntivite alérgica?
A conjuntivite alérgica é tipicamente dividida em cinco tipos: conjuntivite sazonal, perene, queratoconjuntivite vernal, atópica e conjuntivite papilar gigante (esta última não parece ter associação com alergia), constituindo as duas primeiras entidades cerca de 98% da doença ocular alérgica. A conjuntivite alérgica sazonal (a mais comum) tem preponderância na primavera/verão sendo o alergénio mais frequente o pólen e na conjuntivite perene o mais comum é a exposição a ácaros e pelos de animais.
A queratoconjuntivite vernal surge geralmente no sexo masculino entre os 5 e os 15 anos e é geralmente mais grave, podem desenvolver-se alterações corneanas graves, como erosões epiteliais superiores e úlceras não infecciosas em “escudo” que diminuem a visão.
A queratoconjuntivite atópica tem um pico de incidência entre os 30-50 anos, sendo que 5% têm antecedentes de QCV. É comum a associação com dermatite atópica. As manifestações clínicas são menos intermitentes e mais graves do que na QCV.

Como se trata a conjuntivite alérgica?
O tratamento de todas as alergias e como tal também da conjuntivite alérgica passa em primeiro lugar por evitar ou limitar o contato com o alergénio. No entanto, é necessário identificar o mesmo e o médico Imunoalergologista tem um papel central neste âmbito. É também frequente o recurso a imunoterapia para dessensibilização do sistema imunitário o que consiste na exposição gradual a doses crescentes do alergénio para melhorar a tolerância do organismo aos alergénios, reduzindo os sintomas e a necessidade de tratamento.
Medidas preventivas adicionais, incluem a higiene diária das pálpebras com toalhitas apropriadas (ex: Posiforlidtoalhitas), a aplicação de compressas frias e evitar coçar os olhos. A utilização de lubrificantes oculares / lágrimas artificiais sem conservantes ou fosfatos e de forma frequente, como por exemplo o Hylo Dual Intense (acido hialurónico 0,2% + ectoina) podem permitir um alívio rápido dos sintomas, a diluição e remoção mecânica de alergénios e mediadores inflamatórios da superfície ocular e uma melhoria do quadro clínico.
Se estas medidas mais gerais não forem suficientes, a escolha do tratamento subsequente é determinada pela gravidade da sintomatologia e inflamação da superfície ocular e engloba: terapêutica tópica com estabilizadores de mastócitos, antihistamínicos, anti-inflamatórios não esteróides, corticosteróides, inibidores da calcineurina – ciclosporina/tacrolimus e adicionalmente terapêutica sistémica com antihistamínicos orais e/ou imunossupressores nos casos mais graves.
O colírio Allergocrom é uma solução oftálmica a 2% (20 mg/mL) de cromoglicato de sódio, sem conservantes ou fosfatos. É indicado para o tratamento preventivo dos sintomas de conjuntivite alérgica sazonal e perene.
• Mecanismo de Ação:
O cromoglicato de sódio possui propriedades antialérgicas ao nível da mucosa conjuntival. Atua como um estabilizador da membrana celular dos mastócitos, inibindo a desgranulação destas células e, consequentemente, impedindo a libertação de histamina e outros mediadores químicos responsáveis pelas reações alérgicas.
• Posologia e Eficácia:
A posologia indicada é de 1 gota, 4 vezes ao dia, no fundo de saco conjuntival. A eficácia do tratamento depende da sua utilização continuada enquanto houver exposição ao alergénio, pois a sua ação é profilática e não de alívio imediato dos sintomas agudos. Vários estudos demonstram a sua eficácia na redução da frequência e gravidade dos sintomas e sinais da conjuntivite alérgica.
• Perfil de Segurança:
O cromoglicato de sódio é pouco absorvido sistemicamente, o que contribui para um bom perfil de segurança. É indicado para adultos e crianças sem limite de idade e a sua utilização deve ser mantida após a melhoria dos sintomas. Pode ser utilizado até 3 meses após abertura.
Em resumo, o colírio Allergocrom é um pilar no tratamento preventivo da conjuntivite alérgica, atuando de forma eficaz e persistente na resposta alérgica ao impedir a libertação de histamina pelos mastócitos, associado a um excelente perfil de segurança.






