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O contributo das parteiras para um sistema de saúde mais sustentável

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No contexto do Dia Internacional da Parteira, Sónia Barbosa da Rocha, Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Diretora Clínica da Razão D’Ser, destaca o papel central das parteiras na transformação do modelo de cuidados no nascimento, defendendo uma abordagem mais humanizada, segura e alinhada com a evidência.

Humanizar o nascimento é inovar o futuro da saúde

Num setor frequentemente dominado por protocolos, métricas e pressão assistencial, falar de humanização pode parecer, à primeira vista, um desvio ao essencial. Mas para Sónia Barbosa da Rocha, enfermeira especialista em saúde materna, mestre em saúde pública e Diretora Clínica da Razão D’Ser, é precisamente o contrário: é aí que começa a verdadeira inovação em saúde.

“A forma como nascemos importa – clinicamente, emocionalmente e socialmente”, afirma. E é com base nesta convicção que a clínica Razão d’Ser se tem vindo a afirmar como uma referência no acompanhamento da gravidez, parto e pós-parto no norte de Portugal.

 

Sónia Barbosa da Rocha, Diretora Clínica

 

Um modelo centrado na continuidade – e na confiança

Ao contrário de modelos fragmentados, a Razão D’Ser aposta na continuidade de cuidados: a mesma equipa acompanha a mulher ao longo de todo o processo. Esta abordagem não só reforça a confiança como está associada, segundo a evidência internacional, a melhores resultados clínicos e menor necessidade de intervenções. “Não acompanhamos apenas um evento clínico. Acompanhamos uma experiência que ficará para sempre na vida daquela mulher e daquela família”, sublinha.

Este posicionamento traduz-se num equilíbrio exigente: respeitar a fisiologia do nascimento, sem nunca comprometer a segurança. E isso exige diferenciação – técnica, humana e organizacional.

Menos intervenção, mais competência

Num contexto onde a medicalização do parto ainda é predominante, o modelo da Razão D’Ser destaca-se pela capacidade de intervir apenas quando necessário. A chave está na competência clínica e na leitura contínua do processo, confiando em primeiro lugar na fisiologia e sabedoria do corpo da mulher.

“A segurança não está em fazer mais – está em saber quando fazer”, explica Sónia Rocha.

Este paradigma não só reduz intervenções desnecessárias como melhora a experiência da mulher, reforçando o seu papel ativo e informado ao longo de todo o percurso.

Os nossos resultados sustentam esta abordagem. Numa análise retrospetiva (2009–2024; n=320), observaram-se 86% de partos vaginais, com mais de 80% de partos vaginais fisiológicos, ou seja, de início espontâneo e sem auxílio de fármacos ou intervenções. Registam-se ainda taxas elevadas de aleitamento materno (89,8% até aos 6 meses; 57,7% aos 2 anos), (Rocha, 2025).

Autonomia como valor – não como conceito

Num setor onde muitas vezes a mulher é conduzida, este modelo devolve-lhe o protagonismo. E isso tem impacto – não apenas no momento do parto, mas na forma como vive a maternidade e a parentalidade.

A autonomia constrói-se na prática: informação clara, planos personalizados e respeito efetivo pelas decisões da mulher. Este modelo devolve protagonismo e tem impacto não só no parto, mas na vivência da maternidade e parentalidade.

Uma abordagem integrada à maternidade

A clínica aposta num modelo multidisciplinar que reconhece a complexidade da experiência materna. Médicos, enfermeiras especialistas e terapeutas de outras áreas clínicas trabalham de forma articulada para responder às necessidades clínicas, emocionais e sociais.

Este modelo reduz a fragmentação dos cuidados e cria um verdadeiro ecossistema de suporte – algo cada vez mais valorizado num contexto de saúde centrado na experiência do utilizador.

Impacto que vai além dos indicadores

Os indicadores clínicos são fundamentais, mas não são suficientes. Na Razão D’Ser, o impacto mede-se também pela confiança, pelo vínculo e pela forma como cada mulher se sente ao sair deste processo. “Queremos que cada mulher se sinta mais forte, mais capaz e mais conectada consigo própria”, afirma.

Esta visão alinha-se com tendências internacionais que reconhecem a experiência do cliente como um indicador crítico de qualidade em saúde. Orgulhámo-nos de cuidar de famílias em que todos os seus bebés nasceram connosco.

Escalar sem perder a essência

O desafio agora é crescer. Mas crescer com intenção.

Entre os objetivos estratégicos estão a expansão do acesso a este modelo de cuidados, o investimento em inovação digital e o reforço da componente científica e formativa.

A ambição é clara: contribuir para transformar o paradigma do nascimento em Portugal, tornando-o mais humanizado, mais eficiente e mais alinhado com a evidência.

O papel das parteiras num sistema de saúde sustentável

Num momento em que se assinala o Dia Internacional da Parteira, Sónia Barbosa da Rocha reforça o papel central das Enfermeiras Especialistas em Saúde Materna e Obstétrica (Parteiras). A evidência é consistente: modelos liderados por parteiras melhoram resultados clínicos, aumentam a satisfação e reduzem custos. Num sistema de saúde pressionado, esta não é apenas uma questão clínica – é uma questão estratégica.

 

 

 

Quando a missão clínica encontra a dimensão cultural

A visão da Razão D’Ser não se limita ao contexto assistencial. Estende-se também à educação e à transformação cultural em torno do nascimento e da parentalidade.

É neste contexto que surgem projetos editoriais como “A menina Natal”, inspirado numa história real de nascimento, e o livro a lançar brevemente, “O Anjo que não nasceu”, o qual se refere a um tema tão delicado como a perda gestacional. Ambos na categoria infantojuvenil e parte de uma coleção que terá, ainda, pelo menos mais duas obras. Disponíveis em português e inglês, estes livros procuram sensibilizar, educar e apoiar famílias – abordando tanto a beleza do nascimento como a realidade, ainda pouco falada, da perda gestacional.

Uma nova narrativa para o nascimento

Num setor em transformação, a Razão D’Ser posiciona-se na interseção entre ciência, humanização e inovação.

Mais do que um modelo clínico, propõe uma mudança de paradigma: colocar a mulher no centro, respeitar a fisiologia e integrar conhecimento com sensibilidade.

Porque, no final, inovar em saúde pode começar por algo simples – devolver significado ao nascimento.

Rocha, S. B. (2025). Midwifery Continuity of Care in Portugal: Maternal and Neonatal Outcomes (2009-2024). Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Disponível em: https://sigarra.up.pt/fmup/pt/pub_geral.pub_view?pi_pub_base_id=751041

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