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Advocacia em transformação ética, tecnologia e proximidade

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Numa entrevista exclusiva, conhecemos a visão de Estêvão Augusto Bernardino, Sócio-Fundador da Bernardino, Resende e Associados (BR Portuguese Boutique Law Firm), que reflete sobre a evolução da profissão, os novos desafios tecnológicos e o papel ético do jurista na sociedade atual.

Na sua perspetiva, como é que o papel do advogado tem evoluído na sociedade moderna e que impacto isso tem na defesa dos direitos dos cidadãos e no funcionamento da justiça?

O papel do advogado na sociedade moderna tem vindo a tornar-se mais abrangente e exigente. Não somos apenas defensores em tribunal, mas parceiros estratégicos na vida dos cidadãos e das empresas. A nossa função passa por interpretar o presente, antecipar o risco e muitas vezes evitar o conflito. Este alargamento de responsabilidades exige mais proximidade, empatia e compreensão do contexto social em que operamos. Na defesa dos direitos dos cidadãos, essa evolução é determinante: o advogado é hoje, mais do que nunca, um agente de equilíbrio e um mediador entre o indivíduo e o sistema de justiça, sobretudo quando este se mostra lento, desigual ou desumanizado, como é o caso em Portugal!

Dr. Estêvão Augusto Bernardino, Sócio-Fundador

 

Quais são as áreas do direito que têm registado maior procura nos últimos anos e de que forma a Bernardino, Resende e Associados tem adaptado os seus serviços para responder às novas necessidades dos clientes?

Notamos uma procura crescente em áreas como o direito da imigração, fiscalidade internacional, proteção patrimonial e resolução alternativa de litígios. O mundo mudou: as pessoas movimentam-se, os ativos circulam, e os desafios legais estão cada vez mais interligados. Na Bernardino, Resende E Associados, procuramos responder com uma abordagem multidisciplinar e personalizada. Não basta saber o que está na lei – é preciso compreender quem é o nosso cliente, o que está em causa na sua vida, na sua família ou no seu negócio. Apostamos numa advocacia de proximidade, com soluções práticas, éticas e sustentáveis.

Com a crescente digitalização da justiça e a introdução de novas tecnologias, como a Inteligência Artificial, quais considera serem os maiores desafios e oportunidades para os advogados no futuro?

A digitalização e a Inteligência Artificial representam uma revolução silenciosa, mas profunda. Por um lado, há ganhos de eficiência e acesso, por outro, o risco de desumanização! O maior desafio será manter viva a dimensão ética e crítica da profissão. A IA pode ser uma ferramenta extraordinária, mas não pode substituir o discernimento, a intuição ou a sensibilidade que só o ser humano possui. A oportunidade (e o desafio) está em integrar essas tecnologias sem abdicar da verdadeira  essência da advocacia: servir com rigor, mas também com humanidade, que corre o risco de se perder!

No âmbito do Dia do Advogado, que se celebra a 19 de maio, que conselhos daria a um jovem advogado que inicia agora a sua carreira, tanto no que respeita ao desenvolvimento de competências técnicas como à construção de uma reputação sólida e ética no meio jurídico?

A um jovem advogado, diria para escutar mais do que falar, estudar mais do que querer mostrar, e agir sempre com consciência. A técnica é importante, mas a ética é inegociável. A reputação constrói-se nos pequenos gestos: no respeito pelos colegas, na palavra dada, no tempo dedicado ao Cliente. Este é um ofício de resistência, muitas vezes solitário, mas também de enorme recompensa quando exercido com rigor. O direito é uma profissão, mas também, como a medicina, uma forma de cuidar dos outros.

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