PUB

A visão presidencial de Cotrim no ICPT

Data:

Partilhar

No almoço-debate do International Club of Portugal, em Lisboa, João Cotrim de Figueiredo defendeu um Presidente da República interveniente na reforma do país e garantiu que, se já estivesse em Belém, promulgaria o pacote laboral do Governo, mesmo na véspera de uma greve geral que promete testar a força dos sindicatos e do Executivo.

Convidado de honra e orador principal do almoço-debate do International Club of Portugal, João Cotrim de Figueiredo falou sobre “O papel do Presidente da República para reformar Portugal” e escolheu a agenda laboral como terreno para afirmar o perfil de chefe de Estado que propõe aos eleitores. Perante uma plateia empresarial e institucional, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal defendeu um Presidente firme, capaz de apoiar reformas estruturais, e deixou claro que não gostaria de ver um Executivo que “cedesse às primeiras pressões ou às primeiras ilusões”, sustentando que, se o Governo está convicto da necessidade de mudar a lei, “deve ir com ela tão longe, até onde achar razoável”.

A discussão em torno do pacote laboral entrou no centro da sua intervenção, não apenas como um dossier técnico, mas como símbolo da capacidade de o país decidir reformas em ambiente de contestação social. Cotrim de Figueiredo admitiu que, “com certeza”, haverá recuos e ajustamentos, lembrando que “numa negociação, ninguém tem tudo o que quer”, mas defendeu que as linhas gerais da proposta devem ser preservadas. Para o candidato, é “necessário flexibilizar a legislação laboral, não, como outros dizem, para flexibilizar os despedimentos, mas para facilitar os recrutamentos, a criação de emprego e o pagamento de melhores salários”, considerando que a iniciativa do Governo “dá um passo nesse sentido” e merece promulgação presidencial.

A greve geral convocada para o dia seguinte foi lida pelo candidato como um teste de representatividade e de legitimidade social da revisão laboral. Na sua análise, a adesão à greve será “uma medida exata” para perceber se “os interesses sindicais têm tanta representatividade quanto eles próprios acham que têm” e se a reforma “tem a adesão social” que o primeiro-ministro garante existir. Ao mesmo tempo, antecipa “muita disrupção em muitos serviços essenciais” e chama a atenção para o outro lado da equação: o direito ao trabalho de quem não adere à paralisação. Em tom de solidariedade, lembrou as pessoas que “vão receber menos” e “vão ter menos oportunidades de obter rendimento sem terem decidido fazê-lo”, defendendo a garantia de serviços mínimos em setores como transportes, lares de idosos e creches.

A partir do palco do International Club of Portugal, Cotrim de Figueiredo não evitou também uma nota crítica à ambição salarial traçada por Luís Montenegro, que voltou a apontar o objetivo de um salário mínimo de 1.600 euros e um salário médio de 3.000 euros, sem calendário definido. O candidato assumiu-se “da escola que acha que os salários não se decretam, pagam-se” e declarou não saber “o que se passou pela cabeça do primeiro-ministro”, preferindo, porém, não o acusar frontalmente de demagogia.

Newsletter

Últimas Edições

Artigos Relacionados

This will close in 5 seconds