Diana Catalão, Psicóloga Clínica, acredita que liderar é um ato de empatia e autoconhecimento. Em entrevista, fala sobre a importância da escuta ativa, da valorização das pessoas e da humanização nas organizações. Defende que o equilíbrio entre bem-estar e produtividade é a base das equipas fortes e conscientes, e que, no caminho da liderança feminina, sensibilidade e coragem são inseparáveis.
A sua prática baseia-se na escuta ativa, empatia e foco na solução. Na sua perspetiva, de que forma estas competências humanas podem ser integradas e valorizadas em contextos de liderança e gestão, especialmente em equipas sob elevada pressão emocional?
Liderar com empatia é compreender que cada pessoa carrega consigo uma história única, feita de forças, vulnerabilidades e sonhos. A escuta ativa e o apoio genuíno criam confiança e transformam equipas sob pressão em grupos coesos e resilientes. Estas competências humanas são o alicerce da liderança moderna: fomentam relações autênticas e resultados sustentáveis. Respeitar o outro, mesmo nas diferenças, é um ato de inteligência emocional e um reflexo de maturidade profissional.

A saúde mental é cada vez mais reconhecida como um pilar essencial do desempenho profissional. Que estratégias considera prioritárias para que as organizações portuguesas possam promover o bem-estar psicológico dos seus colaboradores sem comprometer a produtividade?
Promover a saúde mental nas organizações é compreender que produtividade e bem- estar não se opõem – completam-se. Valorizar o ser humano para além do desempenho é essencial para equipas motivadas e sustentáveis. A flexibilidade de horários, os espaços de escuta e a liberdade para pequenas pausas não são privilégios, mas estratégias de gestão emocional eficazes. O colaborador emocionalmente equilibrado é mais criativo, leal e produtivo. O futuro das organizações passa, inevitavelmente, por uma liderança mais humana.
Enquanto mulher, psicóloga e profissional de saúde, que desafios e aprendizagens destacaria na conciliação entre o desenvolvimento pessoal e o exercício de um papel de liderança inspiradora no setor da saúde e bem-estar?
Enquanto mulher, psicóloga e profissional de saúde, aprendi que liderar é um ato de coragem e autenticidade. O verdadeiro valor não se impõe – demonstra-se através da coerência entre o que se diz e o que se faz. A idade ou o género não definem competência, o caráter, sim. Liderar com consciência é reconhecer que a sensibilidade é uma força transformadora. O autoconhecimento é o pilar de uma liderança inspiradora, que se constrói no equilíbrio entre firmeza, empatia e propósito.
Que mensagem deixa às mulheres que aspiram ser líderes ou empreendedoras na área da saúde e do bem-estar, e que procuram equilibrar a ambição profissional com o cuidado de si mesmas?
Às mulheres que aspiram liderar ou empreender na área da saúde e do bem-estar, deixo uma mensagem de coragem e verdade: arrisquem, mesmo com medo. Os desafios são mestres silenciosos que moldam a nossa essência. Permitam-se sentir, parar e até falhar – mas nunca desistam de si. Cuidar de si não é egoísmo, é sabedoria emocional. Filtrem as vozes críticas e protejam a vossa paz interior. A verdadeira força de uma mulher líder está em manter-se fiel a si mesma, equilibrando ambição com serenidade, e poder com humanidade.




