Multipotencial por natureza e ponte por escolha, Nidia Teodoro tem feito da sustentabilidade humana e da inclusão o eixo invisível que liga o life design, o coaching executivo e a construção em LSF, ajudando pessoas e organizações a desenhar vidas, lideranças e espaços que cuidam hoje do que queremos habitar amanhã.
Como gestora e coach, de que forma integra o design integrativo e princípios de life design na orientação de empreendedores multipotenciais, ajudando-os a harmonizar as suas múltiplas competências com objetivos profissionais sustentáveis?
O design integrativo parte de uma premissa simples, mas poderosa. As pessoas não são sempre iguais ao longo da sua vida, e os seus percursos também não têm de ser.
Quando trabalho com empreendedores, em particular com multipotenciais, começamos por mapear o que chamo de ecossistema de competências, ou seja, um conjunto de saberes, experiências e paixões, que à primeira vista podem parecer dispersos, mas que por norma encerram uma coerência profunda.
O life design entra precisamente neste ponto, não se trata de uma ferramenta de produtividade direta, mas sim uma bússola de significado.
Ajudo cada pessoa a construir um projeto profissional que seja simultaneamente viável, sustentável e autêntico, que não peça para a pessoa abdicar de quem é para poder ser bem-sucedida.

No seu percurso como empreendedora multipotencial, que estratégias de gestão e coaching recomenda para transformar a aparente dispersão de interesses numa vantagem competitiva, promovendo uma liderança inclusiva e resiliente?
Existe uma ideia errada de que a multipotencialidade cria instabilidade ou dispersão, o que para mim não é de todo verdade. Esta é uma ideia que pode sair cara, tanto para quem pensa assim, como para organizações que acabam por perder talentos únicos por não os saber reconhecer.
A minha abordagem parte da recontextualização, aquilo que à partida pode parecer dispersão, é na realidade capacidade de adaptação e de síntese, uma capacidade única de ligar os pontos e criar uma inovação transversal.
A minha recomendação é que estes profissionais aprendam a descrever o seu percurso de forma integrada, não como uma lista de áreas distintas, mas como uma história com um fio condutor. Claro que podem sempre entrar em contacto comigo ou com outro profissional da área para uma melhor e mais profunda abordagem.
Quando se fala de liderança, os multipotenciais têm uma maior tendência para serem naturalmente inclusivos, porque compreendem diferentes pontos de vista e múltiplas perspetivas. Esta é uma vantagem competitiva real, especialmente em contextos de mudança acelerada.
Em que medida o seu trabalho em consultoria e mentoria incorpora a sustentabilidade humana e a inclusão para fomentar ambientes de trabalho mais equilibrados e equitativos?
Para mim a sustentabilidade humana é e deve ser o tema central do nosso tempo. Vivemos numa cultura que premeia e exige produtividade, mas ignora o custo humano de alcançar essas metas. O Burnout não é uma fraqueza, é o sintoma de um sistema que não foi desenhado para pessoas.
No meu trabalho enquanto consultora e mentora, a inclusão e o bem-estar não são valores decorativos que ficam bem no papel, são critérios de design organizacional. Ajudo equipas e líderes a criar ambientes onde as diferenças, quer seja de ritmos, de perfis ou de necessidades, são vistas como um recurso e não como um problema.
Isto inclui sensibilidade a questões de neurodiversidade, adaptações de mobilidade, saúde mental, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, entre tantas outras. Estes são temas que ainda são tratados com demasiado constrangimento no tecido empresarial português.

Que abordagens inovadoras de life design e coaching executivo propõe para profissionais em transição, alinhando o empreendedorismo multipotencial com metas de sustentabilidade pessoal e organizacional num contexto de crescente complexidade?
Para quem está numa fase de transição, o risco não está na mudança em si, está em fazê-la sem ter uma âncora, o life design oferece essa âncora. É um processo estruturado de autoconhecimento, prototipagem e decisão consciente. Em contextos em que a complexidade é crescente, trago uma abordagem que combina clareza de valores, gestão da incerteza e construção de redes de suporte. O coaching executivo que eu pratico não é para dizer às pessoas o que fazer, não é uma receita pronta, ajudo-as a perceber o que já sabem, mas que ainda não conseguem cruzar e articular com outros saberes. Para empreendedores multipotenciais em transição, o objetivo deve ser construir um modelo de vida profissional que converse com a sua essência e que seja resiliente o suficiente para acolher a evolução, sem perder a coerência.
Na Get to Work, que celebra 10 anos de inovação, como integra as remodelações em LSF com soluções ecológicas e modernas para atender às exigências atuais de construção sustentável em Portugal?
Antes de mais gostava de demonstrar aqui o tal fio condutor de que falei anteriormente. O fio condutor que liga as minhas atividades multipotenciais, a Design by Nidia Teodoro e a Get to Work, Unipessoal, Lda., é a sustentabilidade e a inclusão, é construir espaços e organizações sustentáveis e inclusivas para pessoas.
Assim, importa dizer que a Get to Work nasceu da convicção de que as pessoas merecem espaços melhores e mais sustentáveis para viver e trabalhar. Construir bem é construir de forma sustentável e o LSF (light steel framing) é uma das melhores e mais inteligentes respostas às exigências atuais.
Quer em termos de tempo, de precisão, de desperdícios ou de pegada ecológica o LSF bate a construção tradicional em tudo.
Ao longo destes dez anos, temos sempre que possível integrado métodos sustentáveis e alertado consciências para a importância desta mudança. Agora, estamos numa nova fase em que a transição para aquilo em que nos queremos focar, está a acontecer a passos largos. Temos novos planos e projetos com foco na construção LSF, com atenção especial a soluções de eficiência energética, matérias certificados e designs pensados para a inclusão e longevidade. Em breve teremos grandes novidades a respeito destes projetos.
Em Portugal, o parque habitacional precisa urgentemente de renovação, a construção sustentável já não é mais uma opção de nicho, é uma necessidade. A Get to Work posiciona-se nesta fronteira, temos o know-how técnico e uma visão clara do futuro.
Quais estratégias de gestão adota a Get to Work para harmonizar design e construção, promovendo um futuro mais sustentável a partir de hoje?
A nossa estratégia assenta numa interligação real entre as várias áreas e acima de tudo numa proximidade com os nossos clientes e as suas reais necessidades. A maioria das empresas apresenta estas áreas em silos. Nós na Get to Work, criamos projetos de forma holística, onde a estética, a funcionalidade e a sustentabilidade são pensadas em simultâneo e não em fases separadas. Isso traduz-se em menos retrabalho, mais coerência no resultado final e numa experiência muito mais fluida e centrada nas necessidades do cliente.
Em termos de sustentabilidade, trabalhamos com marcas e fornecedores alinhados com práticas responsáveis e orientamos os clientes para escolhas que valorizam o imóvel a longo prazo.
Sustentável não é só o que polui menos, é também o que dura, o que serve bem e o que respeita quem nele vive.

Quais os seus principais objetivos e ambições para o futuro, enquanto mulher, empresária e empreendedora?
O meu principal objetivo é continuar a ser uma ponte, entre disciplinas e saberes, entre pessoas, entre o que existe e o que é possível. Quero continuar a trabalhar a partir de um porquê que me diz muito e me faz todos os dias querer fazer mais e melhor.
A questão não é o que faço ou quero fazer, mas sim porque o faço, e o meu porquê é o facto de acreditar que as pessoas merecem ter espaços sustentáveis e que as sirvam, acredito que temos de construir um mundo melhor para o amanhã, mas também temos de ter pessoas melhores e mais saudáveis para habitar esse mundo, por isso a sustentabilidade e a inclusão são os fios condutores pelos quais me guio e que são transversais a tudo o que faço.
O meu objetivo é aprofundar cada vez mais, o trabalho na área da sustentabilidade humana, levando para mais organizações e comunidades a conversa sobre o burnout, inclusão e liderança consciente, ao mesmo tempo em que planeio e crio projetos de habitação inovadores nas áreas da sustentabilidade quer ambiental, quer humana e de inclusão. Enquanto mulher, empresária e empreendedora, sinto a particular responsabilidade de mostrar que é possível construir percursos profissionais complexos, sem sacrificar o bem-estar ou a autenticidade. O futuro que imagino quer para mim, quer para os negócios que lidero é feito de impacto real, relações genuínas e trabalho com sentido. Não quero crescer apenas em dimensão, quero crescer em profundidade.






