O II Encontro do Serviço de Psicologia da ULS de Matosinhos reflete o percurso e a evolução do serviço, sublinhando os desafios de uma área em crescente exigência e consolidando a relevância de práticas integradas, fundamentadas em evidência científica e orientadas para a centralidade da pessoa. A iniciativa reúne profissionais, estudantes e investigadores, oferecendo um espaço de reflexão crítica, partilha de experiências e consolidação de práticas, num contexto marcado pela complexidade crescente dos cuidados de saúde e pela necessidade de respostas cada vez mais integradas e humanas.
Consolidação e integração
O II Encontro surge como continuidade natural do trabalho iniciado na primeira edição, marcando um momento de maior maturidade e consolidação. Mafalda Barral destaca que, enquanto o primeiro encontro teve como principal objetivo afirmar e dar visibilidade ao que se desenvolve no serviço, esta edição centra-se na consolidação das práticas e na assunção de responsabilidades acrescidas. “Este segundo encontro traduz um crescimento natural do caminho que iniciámos e reforça a consolidação das nossas práticas”, sublinha.
A diversidade de temas abordados, que vai desde o neurodesenvolvimento até à intervenção em situações de crise ou de violência, evidencia a preocupação do serviço e a sua presença em todas as fases do ciclo de vida dos utentes. A articulação com outros serviços e especialidade de saúde assume um papel central, reforçando a ideia de que a
psicologia não pode atuar de forma isolada, mas deve desenvolver a sua intervenção em estreita colaboração com as diferentes áreas, necessidades e objetivos da ULS de Matosinhos. Este encontro consolida uma cultura de trabalho conjunto, em que a colaboração entre profissionais é essencial para uma resposta mais eficaz e coordenada.
Num contexto de crescente complexidade clínica, as práticas exigem flexibilidade, capacidade de articulação e proximidade com as pessoas, o que implica a adoção de modelos de intervenção mais precoces e transversais. A preparação para contextos exigentes, como situações de crise, emergência ou trauma, reforça a necessidade de uma revisão contínua das práticas e de uma adaptação constante a cenários imprevisíveis, salvaguardando a evolução sustentada do serviço.
Integração, ciência e proximidade
A produção e partilha de conhecimento assume um papel central. Mafalda Barral explica que a evidência científica “não é apenas um requisito técnico, é uma forma de responsabilidade”, permitindo sustentar intervenções e demonstrar o impacto da psicologia clínica na saúde. O encontro foi concebido como um espaço de diálogo entre investigação e
prática, promovendo reflexão crítica e troca de experiências entre profissionais de diferentes níveis e áreas de conhecimento. A intenção é criar uma cultura que valorize a prática informada por evidência científica, contribuindo para a melhoria contínua das intervenções.
Os temas do Programa foram intencionalmente selecionados para refletir a complexidade dos percursos de vida, ao abordar questões que vão desde o desenvolvimento, à identidade corporal, à violência ou à sexualidade. Esta perspectiva permite uma resposta integrada e contínua, que considera o indivíduo para além do diagnóstico e do contexto clínico em que se encontra. A participação de profissionais, estudantes e investigadores em diferentes fases do percurso reforça a construção de uma identidade coletiva, promovendo o sentimento de pertença e fortalecendo a comunidade da psicologia clínica da saúde. O encontro funciona como catalisador de aprendizagem, debate e reconhecimento mútuo, consolidando o papel da psicologia clínica como componente indispensável no sistema de cuidados de saúde. Este Encontro cria espaço para que diferentes áreas se encontrem e dialoguem. E é nesse diálogo que se constrói a continuidade de cuidados.
Num contexto em que a psicologia clínica e da saúde assume cada vez maior relevância, o II Encontro da ULS de
Matosinhos revela-se como um espaço de reflexão, consolidação e projeção, em que a articulação, o conhecimento e a
centralidade da pessoa se afirmam como pilares essenciais da prática profissional.






