A importância da facilidade na administração das vacinas

A Roxall é uma farmacêutica que há 83 anos se dedica ao tratamento da doença alérgica. Luís Silva, Country Manager da Roxall Portugal, esteve à conversa com a Revista Business Portugal e conta a história da Roxall, as perspetivas e os objetivos que ambiciona para o futuro da empresa.

 

Luís Silva, Country Manager

 

 

A Roxall é uma empresa farmacêutica alemã com uma atividade significativa a nível internacional. Fale-nos um pouco da sua trajetória e posicionamento.

A Roxall é uma empresa internacional que se dedica exclusivamente ao tratamento da doença alérgica. Tudo começou em 1941, no País Basco, com a criação do laboratório da Aristegui que, na altura, se distinguiu, pois conseguia incorporar na sua produção técnicas inovadoras para o tratamento das vacinas dessensibilizantes (como lhes chamamos hoje), o que permitiu o desenvolvimento da empresa. Um pouco mais tarde, o laboratório foi comprado pela Efideza, um laboratório espanhol que deu um novo impulso aos negócios da empresa. Em 1998 o Bial compra o laboratório Aristegui e é neste periodo que são efetuados os maiores investimentos – na construção da atual fábrica, em 2012, e em  I+D.

Em 2017, o Grupo Roxall comprou esta área de negócios ao grupo Bial, e com esta aquisição passou a ser uma das maiores empresas a nível mundial.

A equipa da Roxall apoia médicos e farmacêuticos com um aconselhamento orientado para a prática. Que mais-valias há nesse acompanhamento?

Desde o início da Aristegui que apostamos sempre na formação dos médicos, dedicamos uma parte muito importante dos nossos recursos à formação, isto porque sabemos que terminada a formação médica nas faculdades e hospitais há uma lacuna muito grande quando falamos de imunoterapia, e achamos que é da nossa responsabilidade dar uma parte dessa formação. Portanto, tentamos proporcionar aos médicos jovens e seniores, que utilizam estas terapêuticas, a formação que, muitas vezes, necessitam para poder prestar melhores cuidados aos seus doentes, quer no apoio ao diagnóstico.

A Roxall tem no seu portefólio produtos bastante específicos e únicos. Quais são os produtos mais exclusivos e os que gostaria de destacar?

Há alguns anos, as vacinas que estavam disponíveis eram muito complicadas de utilizar e obrigavam que o doente, por exemplo, numa fase de iniciação, tivesse de ir ao hospital frequentemente. Hoje, as vacinas que temos disponíveis têm um impacto mínimo na vida dos doentes, não ficam afetados na escola nem no trabalho, pois não necessitam de se deslocar constantemente a um hospital, uma vez que conseguem com facilidade administrar a vacina em casa, no conforto do seu lar, ou então num centro médico apenas uma vez por mês, ou seja, são tratamentos muito cómodos. A nossa preocupação foi muito esta, a de procurar vacinas que sejam mais fáceis de utilizar.

Claro que os nossos polimerizados são a joia da coroa, são vacinas altamente desenvolvidas, onde conseguimos ter doses elevadas com ausência de efeitos secundários. Também temos as vacinas moleculares de última geração, em que também conseguimos dar doses muito altas do alergénio que queremos administrar ao paciente, isentas de efeitos secundário, graças à tecnologia molecular que desenvolvemos e que é exclusiva da Roxall. Também temos os venenos, que são um segmento à parte. São os chamados medicamentos life-saving, ou seja, estamos a tratar de doentes que caso não os tomassem poderiam morrer.

 

 

 

 

A Roxall é a primeira empresa no mundo a comercializar o extrato da vespa velutina, a vulgar vespa asiática. Quais as vantagens dessa substância para o mundo farmacêutico em geral e para a sociedade civil em particular?

A vespa velutina é um predador, um invasor que cresceu rapidamente. Segundo as projeções existentes, encontra-se em crescimento e, por muitos ninhos de vespas que se destruam, elas vão continuar em progressão, é inevitável. Se existem muitas vespas e estão a ocupar o território, as picadas também vão surgir de forma diretamente proporcional. Com a inexistência de uma vacina para a picada da vespa asiática, era quase como uma necessidade social devido aos múltiplos casos de picada que iam aumentando, por isso a Roxall decidiu investigar, desenvolver e produzir este extrato, que já se encontra disponível no mercado há algum tempo, e que é uma mais-valia para quem seja alérgico à picada.

A farmacêutica dedica-se há mais de 80 anos ao tratamento da doença alérgica. Que responsabilidades traz esse marco para a empresa?

Temos esta responsabilidade há mais de 80 anos (fazemos este ano 83 anos). A nossa responsabilidade continua a ser a de produzir os medicamentos mais adequados, mais bem tolerados, mais eficazes e mais fáceis de serem administrados, proporcionando a maior comodidade aos médicos e aos doentes, garantindo que a qualidade dos nossos produtos nunca esteja em causa. Temos sempre a preocupação em manter um gold standard em todas as áreas da empresa. A nossa preocupação, neste momento, são os registos dos nossos medicamentos. O processo está já muito adiantado na Alemanha, mas, por sua vez, em Portugal esse processo encontra-se de certa forma estagnado.

Um dos principais objetivos da Roxall é contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos doentes e seus familiares. Que esforços são reunidos para atingir esse objetivo?

Nós dedicamos uma parte importante dos nossos recursos ao desenvolvimento dos produtos, e quando falamos em desenvolvimento do produto, pensamos em primeiro conseguir administrar a dose ótima, ou seja, a dose máxima tolerada pelo doente. Nós só conseguimos dar essa dose máxima se ela for bem tolerada, e só é bem tolerada se conseguirmos desenvolver o produto com todos os meios e fórmulas adequadas para que ela seja efetivamente bem tolerada pelo doente.

Passados sete anos da aquisição da Divisão de Alergia da Bial pela Roxall, em 2017, que balanço faz desta aposta?

Em 2017, o Grupo Roxall comprou a Divisão de Alergia do Bial e com esta aquisição passou a ser uma das maiores empresas, a nível mundial, na área da imunoterapia. Nessa altura, com a aquisição do negócio da Aristegui, o Grupo Roxall tornou-se numa das três maiores companhias a nível mundial, estando presente em três continentes e em mais de duas dezenas de países. Com esta compra, a Roxall conseguiu não só ganhar músculo como entrar em mais países. Agora, temos um caminho muito focado na imunoterapia, muito orientado para as alergias e não nos dispersamos com outras áreas terapêuticas.

Que novidades tem a Roxall em vista num futuro próximo?

Estando focados neste negócio, temos alguns projetos inovadores para a alergia. O nosso foco neste momento é, contudo, o processo de registo. Acreditamos que o registo é fundamental para a evolução deste tipo de medicamentos.

Para o futuro, queremos continuar a assegurar um nível de qualidade muito elevado na  produção, investigação e desenvolvimento das nossas vacinas e continuar a apostar na simplicidade da utilização das mesmas, para isso vamos continuar a rodear-nos das pessoas mais experientes na área da investigação.

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