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Silmadeiras: três décadas de resiliência e visão familiar

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30 anos depois de ter começado com um pequeno armazém e uma imensa vontade de fazer diferente, José Lourenço celebra o percurso da Silmadeiras ao lado do filho, Carlos Lourenço, que trouxe nova visão e modernidade a um negócio enraizado na experiência e no rigor. Entre tradição e inovação, pai e filho mantêm viva a essência de uma empresa algarvia que fez da madeira o reflexo da sua própria história: trabalhada com paciência, solidez e carácter.

Das origens humildes à solidez de um império local 

“Eu era vendedor numa empresa de madeiras”, recorda José Lourenço. O fundador da Silmadeiras, empresa algarvia que completa 30 anos, fala como quem revisita uma vida inteira feita de esforço. “Passei de vendedor a encarregado geral, mas observei algumas irregularidades, acabei por sair e decidi começar do zero”. 

O zero, nesse caso, era um pequeno armazém de 300 metros quadrados, em dezembro de 1994, na zona da Palmeirinha, Silves. Ali nascia o embrião da Silmadeiras, fundada oficialmente em janeiro de 1995. “Tinha clientes, fornecedores, o negócio na mão. Era só sair de lá e começar a trabalhar com os erros que já sabia que não queria repetir”, conta José. 

Da pequena estrutura original à atual área de mais de 3.000 metros quadrados, a Silmadeiras construiu uma reputação assente na confiança, no conhecimento do setor e numa filosofia de crescimento prudente. “Isto levou muito dinheiro e muito trabalho”, resume o fundador. “Paguei tudo aos bancos, mantive as contas em ordem. Parti do zero, mas continuei”.  

 

Carlos Lourenço e José Lourenço, Administradores

 

Crises, viragens e a força da persistência 

A trajetória da empresa não foi linear, marcada por desafios que testaram a sua estrutura e capacidade estratégica. A primeira grande prova chegou com a crise de 2008, que abalou o país e o setor da construção. “Fiquei com quase meio milhão de euros de crédito mal parado”, recorda José Lourenço, sem dramatismo, mas com a memória de quem sobreviveu a um embate profundo. “Foi o momento mais difícil. Mas a gente vai lá com dificuldade e acaba por atingir o objetivo”. 

Com o tempo, a empresa estabilizou. Em 2014, o negócio começou a subir novamente, depois de uma queda nas vendas de 50%. “Tive de despedir três pessoas, mas conseguimos levantar o avião outra vez”, recorda. “A partir de 2014 começou a melhorar. E estabilizámos”. 

A resiliência foi o cimento de um percurso que atravessou crises económicas, transformações de mercado e mudanças geracionais. “Há 30 anos, isto era outro mundo. Hoje o negócio é mais exigente, mais técnico, mais caro – mas também mais transparente”, reconhece o fundador. 

A nova geração: continuidade com outra visão 

Foi em 2010 que Carlos Lourenço, filho de José, entrou para a empresa. “Acabara de sair da universidade, não tinha ainda muita noção do negócio”, admite. “Aprende-se no dia a dia. Uma coisa é a teoria, outra é a prática. E o choque de realidade foi grande”. 

Carlos chegou precisamente num dos períodos mais difíceis da Silmadeiras. “Não foi fácil, mas nunca deixámos de crescer. Todos os anos, 5 a 10%”, diz. O filho trouxe uma nova geração de gestão e um olhar mais estruturado sobre processos, certificações e tecnologia. 

“Hoje temos stock, temos logística. Entregamos rápido, explicamos tudo ao cliente. Isso faz toda a diferença”, nota Carlos. A Silmadeiras tornou-se referência no Algarve pela agilidade e pela proximidade com o cliente, num setor onde as grandes superfícies, como ele próprio sublinha, “vendem barato, mas vendem às cegas”.

 

 

 

O negócio da madeira: tradição e modernidade 

A Silmadeiras dedica-se à importação e venda de madeiras a retalho, sobretudo para construção e remodelação. “Trabalhamos com construtores e particulares. O cliente chega aqui e leva tudo: chão, portas, roupeiros. Temos uma grande variedade de produtos”, explica José Lourenço. 

O negócio mudou com o tempo: “Antigamente, vinha muita madeira do Brasil e de África. Hoje, 90% é europeia. E ainda bem”, diz o fundador. “Na Europa há uma floresta sustentável. Lá, arrancam uma árvore e plantam duas. Na África, já não há madeira – apanharam tudo”. 

Carlos acrescenta uma perspetiva mais contemporânea: “Trabalhamos com madeiras certificadas, sustentáveis. É o futuro. O cliente quer saber a origem do produto e nós queremos garantir que é um material limpo”. 

A empresa importa madeira de países como Suécia, Alemanha e França, adaptando-se a um mercado onde a sustentabilidade deixou de ser uma opção para se tornar uma obrigação. “Na qualidade pode ser diferente, mas na consciência é melhor”, sublinha José. “Hoje trabalhamos com madeiras que respeitam o meio ambiente”. 

A ciência e a sensibilidade da madeira 

A conversa com os Lourenço é uma aula de carpintaria e física aplicada. José fala da madeira como quem fala de um ser vivo: “A madeira nunca está seca. Tem sempre 12% a 14% de humidade. Quando seca demais, encolhe, empena. O vento é pior que a chuva”, explica com naturalidade de quem aprendeu a ler a matéria com o olhar. 

Carlos acrescenta o lado técnico: “O choque térmico é real. Uma madeira que sai daqui a 35 graus e vai para uma casa fria pode rachar toda. As pessoas não sabem. Por isso explicamos como a madeira se comporta. É preciso adaptar o material ao ambiente”. 

A empresa investe em conhecimento – formações na Alemanha e na Suécia, visitas a fábricas e florestas. “Fomos à Suécia ver como eles faziam. Lá, para cada árvore que arrancam, plantam duas. E as árvores crescem em 20 anos. Aqui levam 60 anos a crescer. É outro ritmo”, conta José. 

 

 

Entre tradição e serviço: o valor do saber 

No coração do negócio, a Silmadeiras mantém uma filosofia simples: vender com qualidade e serviço. “Prefiro vender menos, mas com qualidade”, diz José Lourenço. “Estamos sempre aqui, eu ou o Carlos. O cliente tem nome, não é número”. 

Carlos reforça: “O nosso diferencial é a rapidez e o conhecimento. O cliente vem cá, paga, e em cinco minutos tem o material carregado. Vai à grande superfície, perde uma hora e ninguém lhe explica nada. Aqui ensinamos como usar o produto. Muitas vezes, o cliente sai daqui e diz: ‘aprendi muito hoje’”. Essa proximidade é o que sustenta a lealdade dos clientes – muitos há mais de 20 anos. “Temos funcionários com 20, 25, 28 anos de casa. É sinal de estabilidade”, diz o fundador. “A Silmadeiras é feita de gente que cresceu connosco”. 

Mercado, sustentabilidade e futuro 

O setor da madeira em Portugal vive entre a tradição e a escassez. “As madeiras exóticas estão a desaparecer. Vão ser produtos de luxo”, prevê José Lourenço. “Uma mesa que hoje custa 200 euros, daqui a dez anos custa 2.000. A madeira é um bem raro. Não perde valor”. 

A empresa, consciente dessa tendência, aposta na rotação de stocks e na diversificação. “Temos mais de um milhão de euros em stock”, revela Carlos. “Isso permite responder rápido, mas também exige muito controlo”. Sobre o futuro, pai e filho convergem: crescer, sim, mas com prudência. “Já tivemos dez anos de crescimento contínuo. Agora é manter, consolidar”, afirma Carlos. “Estamos muito dependentes do clima económico. Não fazemos exportação, vivemos do comércio local. Mas enquanto houver construção e remodelação no Algarve, a Silmadeiras estará lá”. 

 

 

Uma história de madeira e caráter 

No final da conversa, José Lourenço olha para trás, para os 30 anos de percurso, e resume com serenidade: “Comecei com 300 metros, hoje tenho 3.000. Valeu a pena”. 

Sabe que o mercado mudou, que a concorrência é feroz e que o futuro pertence aos que inovam. Mas também sabe que há coisas que não mudam. “Na madeira, como na vida, é preciso paciência. Tudo o que cresce depressa, parte depressa. A Silmadeiras cresceu com tempo, com trabalho e com verdade. E isso é o que mais me orgulha”. A Silmadeiras é uma empresa familiar que se tornou referência no sul do país, exemplo de gestão responsável e de um saber antigo que resiste à erosão das modas. Como a boa madeira, amadureceu com o tempo – e promete durar. 

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