Com mais de duas décadas de experiência à frente do seu escritório em Setúbal, Claudete Teixeira tem construído uma carreira assente no rigor técnico e na proximidade humana. Licenciada em Direito e com especializações em áreas como o Direito da Família, Sucessões e Trabalho, a Advogada defende uma prática jurídica em permanente atualização e centrada nas pessoas. Nesta entrevista, reflete sobre a importância da mediação familiar, os desafios jurídicos do setor imobiliário e o papel da inovação na advocacia moderna.
Licenciada pela Faculdade de Direito de Lisboa e com pós-graduações em áreas como Direito da Família e Sucessões, que elementos do seu percurso formativo considera fundamentais para a solidez da sua prática advocacia, especialmente num contexto de crescente complexidade legislativa?
Ao longo do meu percurso sempre procurei manter uma relação muito próxima com o estudo e com a atualização constante do conhecimento jurídico. O Direito está em permanente evolução e, por isso, considero essencial que o advogado invista continuamente na sua formação.
A frequência de várias pós-graduações, em particular nas áreas do Direito da Família e das Sucessões, permitiu-me aprofundar conhecimentos numa área em que tenho vindo a trabalhar com particular intensidade. Mais recentemente procurei também reforçar a minha formação em Direito do Trabalho, acompanhando a evolução das necessidades dos clientes e da realidade económica.
Para além da especialização, considero igualmente importante manter uma visão abrangente do Direito. Os problemas jurídicos raramente surgem isolados e muitas vezes cruzam diferentes ramos jurídicos. A conjugação entre conhecimento atualizado, experiência prática e capacidade de análise global é um fator essencial para uma prática sólida.

Após mais de duas décadas à frente do seu escritório em Setúbal, como tem evoluído a sua visão de liderança para equilibrar o rigor técnico com a proximidade humana que distingue a Claudete Teixeira Advogados?
A liderança de um escritório de advogados exige equilíbrio entre rigor técnico e dimensão humana. O Direito é uma área exigente, mas nunca podemos esquecer que por detrás de cada processo existem pessoas, empresas e famílias cujas decisões podem ter impacto profundo nas suas vidas.
Ao longo dos anos tenho procurado consolidar uma cultura de trabalho assente no rigor, na responsabilidade e na proximidade com o cliente. Para mim é essencial que quem nos procura sinta que o seu problema é tratado com atenção, seriedade e acompanhamento próximo.
No escritório trabalhamos em equipa e procuramos que cada processo seja acompanhado com o cuidado que merece. A confiança dos clientes constrói-se dessa combinação entre competência técnica, disponibilidade e capacidade de compreender verdadeiramente as suas preocupações.
No Direito da Família e das Crianças, onde a mediação familiar surge como ferramenta certificada no seu currículo, de que modo esta abordagem contribui para soluções mais humanizadas e eficazes face aos métodos tradicionais de resolução de conflitos?
O Direito da Família é uma área particularmente sensível porque envolve, além das questões jurídicas, uma forte dimensão emocional. Em processos como divórcios ou regulação das responsabilidades parentais, as decisões tomadas têm impacto direto na vida das pessoas e muitas vezes na vida das crianças.
A mediação familiar, embora ainda tenha pouca expressão em Portugal, é uma ferramenta extremamente relevante porque introduz uma mudança de paradigma: em vez de fomentar o confronto, promove o diálogo estruturado, ajudando as partes a encontrar as suas próprias soluções.
Nem todos os casos são mediáveis, mas quando existe margem para negociação, a solução construída pelas próprias partes tende a ser mais estável e duradoura. Ter formação em mediação permite-me também abordar estes processos de forma mais estratégica e consciente das dinâmicas humanas envolvidas.

A assessoria em Imobiliário, Turismo e Arrendamento Urbano, incluindo parcerias com investidores estrangeiros, representa uma fatia significativa da sua atividade, que desafios emergentes identifica nesta área, no atual panorama económico português?
O setor imobiliário tem sido particularmente dinâmico nos últimos anos e continua a atrair um número significativo de investidores, incluindo investidores estrangeiros. No entanto, essa dinâmica traz também desafios jurídicos importantes.
Um dos principais desafios prende-se com as frequentes alterações legislativas e regulamentares, que exigem acompanhamento atento. Medidas relacionadas com o arrendamento urbano, o alojamento local ou determinadas alterações fiscais têm impacto direto nas decisões de investimento.
Além disso, os processos de aquisição e desenvolvimento imobiliário exigem acompanhamento jurídico rigoroso, desde a verificação da situação registral e urbanística dos imóveis até à elaboração e negociação dos contratos, garantindo segurança jurídica nas operações.
Num setor jurídico marcado por insolvências, contencioso laboral e comercial, como assegura o seu escritório a prontidão e eficiência na prestação de soluções concretas, mantendo a confiança dos clientes em tempo real?
Num contexto económico exigente, em que muitas empresas enfrentam desafios significativos, a rapidez de resposta e a capacidade de encontrar soluções concretas tornam-se essenciais.
No nosso escritório procuramos assegurar essa eficiência através de uma organização de trabalho estruturada e de uma equipa com competências complementares em diferentes áreas do Direito. Essa diversidade permite analisar os problemas de forma mais abrangente e encontrar soluções adequadas com maior rapidez.
A comunicação com o cliente é igualmente fundamental. É importante que os clientes estejam informados sobre a evolução dos seus processos e sintam que existe acompanhamento permanente.
Olhando para o futuro da advocacia em Portugal, que papel atribui à inovação tecnológica e à formação contínua na consolidação de gabinetes como o seu, especialmente no apoio a empresas e particulares em contextos multissetoriais?
A tecnologia é hoje uma ferramenta indispensável no exercício da advocacia. Facilita a gestão processual, a comunicação e a organização do trabalho.
Contudo, a tecnologia não substitui o pensamento jurídico nem a capacidade estratégica do advogado. A inovação deve ser encarada como um instrumento de eficiência, não como substituto da análise jurídica. Num contexto multissetorial, em que empresas e particulares enfrentam desafios cada vez mais complexos e interligados, a consolidação de um escritório depende da conjugação entre competência técnica, adaptação tecnológica e proximidade no acompanhamento dos clientes.







