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E-REDES acelera autoconsumo coletivo

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A crescente adoção do autoconsumo coletivo e das comunidades de energia está a transformar a relação entre consumidores e rede elétrica, exigindo novas abordagens ao nível da gestão, medição e integração de energia. Na E-REDES, este movimento traduz-se num esforço contínuo de digitalização, simplificação de processos e investimento em infraestruturas inteligentes, garantindo não só a viabilidade técnica destes modelos, mas também a sua escalabilidade num sistema elétrico em rápida evolução. Em entrevista, Ana Carina Morais, Diretora de Gestão de Cliente, explica como a empresa está a responder a estes desafios e a preparar a rede para um futuro mais distribuído, flexível e sustentável.

Qual o procedimento que a E-REDES segue para avaliar a capacidade da RESP num pedido de autoconsumo coletivo e se os contadores dos membros são adequados?

O processo inicia-se com o registo do ACC/CER no Portal de Autoconsumo da DGEG, onde é analisada a viabilidade do pedido, nomeadamente as condições de acesso e critérios de proximidade. Após aprovação, a DGEG comunica os membros que fazem parte de cada comunidade à E-REDES, que emite pronúncia quanto ao uso da RESP e avalia a capacidade de receção da rede. Aceites as condições pela ACC/CER, o processo avança para a fase de cadastro. Nesta etapa, a E-REDES verifica a adequação do sistema de medição, podendo proceder à teleparametrização ou substituição do contador para assegurar registos em períodos de 15 minutos.

A adequação dos sistemas de contagem é assegurada antes da certificação, garantindo que todas as instalações dispõem de equipamentos compatíveis no momento da entrada em funcionamento.

Como é calculado e alterado o coeficiente de partilha de energia no autoconsumo coletivo após certificação pela DGEG e qual o papel da EGAC na articulação com a E-REDES para essa gestão?

Na data de certificação, a comunidade inicia a sua exploração com coeficiente de partilha proporcional ao consumo. A EGAC, enquanto entidade central de representação do coletivo, é responsável por definir a metodologia e os coeficientes de partilha. Sempre que se pretenda alterar o coeficiente de partilha, essa atualização deve ser efetuada pela EGAC ou CER na Área Reservada GAC (Gestor Autoconsumo) (Área reservada exclusiva para EGAC e CER) da E-REDES.

Estão previstos diferentes modelos de partilha, nomeadamente: coeficientes fixos (definidos para períodos de 15 minutos), partilha proporcional ao consumo, partilha hierárquica e um modelo de partilha dinâmica com definição de coeficientes à posteriori.

 

 

De que forma a E-REDES colabora com a DGEG e a ERSE para simplificar o licenciamento e certificação de autoconsumos coletivos, incluindo contadores inteligentes e a venda de excedentes a agregadores?

A E-REDES tem promovido a simplificação e desmaterialização do processo de constituição de comunidades, reforçando a relação digital com stakeholders e automatizando o processo de ligação e acompanhamento end-to-end, incluindo integração via webservice com a DGEG e monitorização do estado dos pedidos. Em paralelo, desenvolve integrações via webservice com o Operador Logístico de Mudança de Agregador (OLMA) (REN) para simplificar a venda de excedentes e aumentar a transparência. No plano operacional, disponibiliza canais digitais como Área Reservada e Balcão Digital, que suportam contratação do uso da RESP, alteração de coeficientes, submissão de dossier técnico e acesso a informação relevante.

Como está a E-REDES a impulsionar a integração de fontes renováveis distribuídas através da instalação de contadores inteligentes e controladores de postos de transformação? Qual o impacto esperado na operação e resiliência da rede até 2030?

A E-REDES tem vindo a impulsionar a integração de fontes renováveis distribuídas através da implementação de uma Rede Inteligente, pela instalação massiva de contadores inteligentes e de controladores de transformador de distribuição (DTC) nos Postos de Transformação, assegurando a comunicação bidirecional entre os contadores e os sistemas centrais. Esta infraestrutura reforça a observabilidade e a capacidade de operação (incluindo telegestão e disponibilização de dados), viabilizando o apuramento de energia essencial para modelos como o autoconsumo e as comunidades de energia. Em paralelo, sublinha-se a crescente necessidade de modernização e investimento nas redes para a integração de renováveis e produção distribuída, bem como para responder à crescente eletrificação, podendo estes fatores contribuir para desafios acrescidos na operação e resiliência da rede no horizonte até 2030.

 

 

Sendo a E-REDES uma pioneira no uso de tecnologias de 5G e mercados de flexibilidade, como estas iniciativas podem contribuir para uma maior otimização da gestão da rede?

A E-REDES tem vindo a desenvolver iniciativas que demonstram o potencial do 5G e dos mercados de flexibilidade para otimizar a gestão da rede. Foi implementado, em projeto-piloto, a primeira subestação 5G, visando comunicações mais resilientes, eficientes e seguras. Em paralelo, a E-REDES lançou o projeto-piloto FIRMe (Flexibilidade Integrada em Regime de Mercado), que operacionaliza um mercado local de flexibilidade através de leilões, permitindo mobilizar ajustamentos de consumo e/ou injeção por parte de utilizadores da rede (diretamente ou por agregação), como instrumento para responder a necessidades de operação de rede e gerir restrições de forma eficiente.

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