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Restaurante Bueni: Da Moldávia para Portugal

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Com uma trajetória marcada pela resiliência, Sergiu Bucsa, moldavo de origem, encontrou em Portugal o cenário ideal para dar vida aos seus projetos. Após o sucesso do Latitude, lançou o Bueni em Lagos, um restaurante que valoriza os produtos locais, combina tradição com inovação e transforma cada refeição numa experiência partilhada, refletindo a própria jornada de vida.

 

Sergiu Bucsa, Fundador

 

Uma viagem que começa na Moldávia

Natural da Moldávia, Sergiu Bucsa desde cedo que percebeu que não ia ficar para sempre no seu país natal “A Moldávia é a minha raiz, mas desde cedo que senti que precisava de procurar horizontes diferentes”, recorda.

A primeira paragem foi em Timișoara, na Roménia, onde ingressou no curso de Arte. A paixão pela criação e pela estética marcou esse período, mas Sergiu não tardou a perceber que a vida académica teria de ser conciliada com trabalho para garantir rendimento. Foi assim que começou a trabalhar em mercados e pequenos negócios ligados à gastronomia. “Foi o meu primeiro contacto verdadeiro com a restauração. Na altura era apenas uma forma de sobreviver”.

Mais tarde, o destino levou Sergiu Bucsa até Itália, escolhendo Veneza como ponto de partida para uma nova etapa. Com uma atmosfera única e exigente, Veneza foi ao mesmo tempo palco de oportunidades e de duras provas. “Na altura candidatei-me ao IUAV – Instituto Universitário de Arquitetura de Veneza, um dos mais prestigiados do mundo. Havia 150 candidatos para apenas cinco vagas internacionais. Fiquei em terceiro lugar, o que para mim foi uma vitória enorme”, recorda. Chegou a trabalhar noites inteiras, das oito da noite às oito da manhã, apenas para garantir a sobrevivência. “Foram tempos duros, mas eu estava preparado para fazer qualquer coisa. Não podia desistir”. A persistência deu frutos: a sua experiência começou a abrir portas em restaurantes de renome.

Trabalhou em casas prestigiadas tanto nas salas como na cozinha, absorvendo conhecimentos preciosos. “Foi em Veneza que aprendi a ter disciplina, essa escola marcou-me para sempre”.

No meio das dificuldades, construiu também a sua vida pessoal. Conheceu a esposa, colega dos tempos de universidade e foi em Itália que nasceu a primeira filha. “A família foi sempre o meu maior apoio. Mudámo-nos juntos de país, começámos do zero e enfrentámos tudo lado a lado. Sem ela, não teria tido coragem de arriscar tanto”.

Essa etapa em Veneza não foi só uma passagem profissional, foi o momento em que Sergiu descobriu a gastronomia como forma de expressão criativa. “Eu vinha das artes visuais, do design. Um dia percebi que cozinhar é também uma arte: é composição, é cor, é equilíbrio. No fundo, é criar beleza através do sabor”.

 

 

 

 

A escolha de Portugal

Em 2017, durante uma visita, Sergiu descobriu Portugal. O clima, a tranquilidade e, sobretudo, a forma calorosa como foi recebido convenceram-no a fixar-se com a família. Os primeiros anos foram de adaptação, com trabalhos na construção e momentos de dúvida, mas a ligação ao setor da restauração acabaria por se impor novamente. “Portugal foi onde me senti verdadeiramente integrado. Percebi que era aqui que queria construir o meu futuro e oferecer oportunidades à minha família”, recorda.

Latitude: o primeiro passo

O primeiro grande projeto em solo português surgiu em 2019, com a abertura do Latitude. O desafio foi enorme, sobretudo por coincidir com os anos da pandemia. Ainda assim, o restaurante resistiu e tornou-se uma referência na zona.

Ao lado da esposa, que se revelou um apoio fundamental, Sergiu consolidou a sua visão empreendedora: criar negócios sustentáveis, que valorizem a qualidade e ofereçam estabilidade às equipas.

“Para mim, esta é a adrenalina. Sinto-me vivo quando estou a fazer estas coisas. Todos os dias é incrementar a qualidade do restaurante, ir à procura de produtos melhores, ir à procura de pessoas melhores. Sozinhos, não conseguimos nada. Sozinhos, não somos ninguém”, explica. A gestão do Latitude e do Bueni divide-se entre coordenação, presença ativa na cozinha e formação da equipa. “Se tenho que ir fazer o cocktail no bar, vou fazer o cocktail. Se tenho que fazer o serviço na sala, vou fazer o serviço lá. Também lavo pratos. Não tenho vergonha nenhuma. É assim que conhecemos o negócio e mantemos a qualidade”.

 

 

Bueni: qualidade, partilha e experiência em Lagos

Em 2023, a oportunidade de um novo espaço no coração de Lagos deu origem ao Bueni. Mais do que uma churrascaria, o conceito assenta na simplicidade: respeitar os produtos frescos de norte a sul do país e prepará-los na grelha, realçando a qualidade natural, mas também na experiência partilhada com amigos e família.

“É viver a vida. Não há nada mais específico do que partilhar: comida, momentos, risadas. Muitas vezes, digo às pessoas para comerem com as mãos, porque é mais saboroso. Hoje, a refeição é mais do que gastronomia, é uma experiência”, explica Sergiu.

O menu do Bueni é estruturado em secções: entradas rápidas como costela de vaca com puré de pastinaga e salada de agrião. O famoso franguito marinado com mais de 20 especiarias, peixe do dia sempre fresco e opções de grelhados sazonais. A carta de vinhos é limitada, mas selecionada com rigor, abrangendo cinco tipos de brancos, tintos e rosé, de várias regiões portuguesas.

“Não é a quantidade que importa, mas a qualidade. Um bom vinho, a preço justo, pode transformar a refeição numa experiência completa”, sublinha.

Sergiu mantém uma forte ligação às suas raízes: “Temos pratos típicos da minha terra. Sinto falta desses sabores, mas, de vez em quando, a minha mãe cuida disso. É uma excelente cozinheira – e as mães, afinal, são sempre boas cozinheiras”. O Bueni acolhe uma clientela diversificada, entre turistas e locais, registando o maior movimento durante os meses de verão. “Entre julho e agosto, muitos residentes preferem esperar até outubro, quando tudo acalma, para desfrutar da experiência como deve ser. Ainda assim, à noite, a casa está sempre cheia”.

O nome Bueni combina memórias de infância e família: “Bu é de Buli, meu apelido de criança, e Ni é da minha esposa, Nina. Bueni, Buli e Nina, é um nome positivo e cheio de significado”.

Com apenas um ano de existência, o Bueni já duplicou o volume de clientes, confirmando a boa receção e o caminho de crescimento. A história de Sergiu Bucsa é um testemunho de coragem, resiliência e paixão. Da Moldávia à Itália, e finalmente a Portugal, cada etapa da sua vida foi marcada por desafios que transformou em oportunidades. “Sempre acreditei que o sucesso depende da dedicação, do respeito pelas pessoas e pelo produto, e da coragem de arriscar”, afirma.

Com o Latitude consolidado e o Bueni a afirmar-se como referência em Lagos, Sergiu mostra que a restauração pode ser muito mais do que um negócio: é uma forma de criar valor, unir pessoas e dar oportunidades. Mais do que pratos bem confecionados, ele oferece experiências que refletem anos de aprendizagem, exigência e amor pela cozinha.

A sua história é também uma lição sobre família e perseverança: construir um projeto sólido significa investir em pessoas, partilhar sonhos e nunca perder a vontade de evoluir. Para Sergiu, o futuro é feito de desafios, mas também de confiança naquilo que se constrói com trabalho, integridade e paixão.

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