Rafaela Silva é Terapeuta Integrativa e usa uma abordagem que une corpo, emoções, biologia e história familiar para ajudar os clientes a encontrarem a origem emocional por detrás da dor que sentem. O seu trabalho não é apenas terapêutico. É um movimento de consciência. Um convite para deixar de normalizar o sofrimento, para escutar o corpo e para recuperar o nosso poder pessoal de cura. Rafaela acredita que não viemos ao mundo para sobreviver – viemos para viver em plenitude.
Enquanto terapeuta e líder na área da Saúde e Bem-Estar, de que forma o seu propósito pessoal orienta diariamente as decisões terapêuticas e estratégicas que toma, tanto no acompanhamento dos seus pacientes como na forma como estrutura o seu projeto profissional?
Doeu-me muito ter vivido num ambiente com ansiedade e depressão e não me esqueço disso. O meu propósito orienta todas as minhas decisões através de um filtro claro: cada ação, seja terapêutica ou estratégica, deve aproximar a pessoa de si mesma, em vez de a manter num estado de sobrevivência. O objetivo não é criar dependência, nem aliviar sintomas de forma temporária, mas sim equipar cada pessoa com as ferramentas necessárias para construir uma vida com bem-estar físico, mental e emocional.

Numa sociedade onde a ansiedade, o stress e o cansaço emocional parecem quase normalizados, que visão procura trazer para o futuro da Saúde e Bem-Estar e que lugar atribui às terapias que desenvolve na construção de uma cultura de autocuidado mais consciente?
A minha visão para o futuro da saúde é uma mudança de paradigma: pararmos de apenas reagir à dor ou sofrimento para começarmos a entender o que está por trás de nos sentirmos assim. Numa sociedade que normalizou o sofrimento, o caminho não é apenas gerir esses sintomas, mas sim questionar porque é que eles existem.
No processo terapêutico que realizamos ajudamos o cliente a entender a ponte corpo – emoção – história criando uma cultura de autocuidado onde deixe de lutar contra si e passe a escutar-se. Assim, o sintoma deixa de ser um inimigo e torna-se um guia.
Nos nossos atendimentos promovemos um lugar onde não queremos que o cliente apenas desabafe, mas sim, que entenda mais sobre si e sobre as raízes emocionais por detrás das dores que manifesta.
Ser uma mulher em posição de liderança implica, muitas vezes, romper padrões e crenças limitadoras. Quais foram os maiores desafios que enfrentou nesse percurso e que aprendizagens transformou em força motriz para continuar a empreender?
O maior desafio na minha jornada de liderança não foi romper com padrões externos, mas sim desconstruir as crenças limitadoras que vinham de mim mesma. Deixei de querer provar o meu valor ao mundo e foquei-me na minha evolução pessoal e profissional.
Gosto de ver o negócio como uma dança. A flexibilidade, a leveza, a capacidade de adaptação e a empatia são forças que me permitem escutar, ajustar, sentir o ritmo e liderar com mais consciência. Acredito que uma mulher não lidera da mesma forma que um homem – e está tudo bem. Somos diferentes, não apenas por género, mas porque somos seres únicos. E é nessa diversidade que podemos aprender tanto uns com os outros.
Que mensagem de propósito, visão e determinação gostaria de deixar às mulheres empreendedoras que estão a iniciar o seu caminho de liderança neste setor?
Não esperem sentir-se prontas para agir, porque o “pronto” é uma ilusão. Ajam porque feito é sempre melhor do que perfeito. O vosso primeiro passo não precisa de ser grandioso, apenas tem que ser dado.
Definam os vossos valores inegociáveis e sejam fiéis a eles, pois nenhum projeto vale a vossa paz, a vossa saúde ou a vossa família. E, acima de tudo, nunca parem de investir em vocês mesmas. O vosso maior ativo não é o vosso negócio, é a vossa mente, corpo e o vosso bem-estar. Cuidem deles com a mesma determinação com que lideram os vossos projetos.






