Licenciada em Gestão, mas foi na dança onde encontrou a sua verdadeira paixão. Joana Rodrigues trocou as contas e os números pelo palco e, ao fim de 20 anos de dedicação, decidiu dar um passo marcante na sua carreira e fundar a sua própria escola de dança, a Attitude Academia de Artes. Desde cedo, percebeu que a dança não era apenas uma atividade artística, era também uma ferramenta de desenvolvimento humano, capaz de moldar disciplina, persistência, foco e caráter.
O início de uma paixão
Joana Rodrigues estreou-se no mundo da dança aos seis anos, no ballet clássico. Mais tarde, aos 14 anos, sofreu uma lesão grave que a obrigou a parar quase dois anos, o que a impossibilitou de prosseguir em termos profissionais enquanto bailarina. No entanto, essa pausa não apagou a sua paixão: a dança continuava a fazer parte da sua vida e a motivar cada decisão.
Durante este período, foi convidada a ser assistente nas aulas, o que lhe permitiu começar a perceber o prazer de ensinar. Mais tarde, ingressou na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, sem nunca largar a dança: “Acabava de trabalhar no escritório e saía a correr, o que eu mais queria era ir dar aulas de dança”. Com o tempo, percebeu que a verdadeira felicidade estava no ensino da dança. Motivada por essa descoberta, concluiu um curso de professora da Royal Academy of Dance e, posteriormente, completou o mestrado em Ensino de Dança em Lisboa, acumulando múltiplas formações e experiências internacionais.

A realização de um sonho
Após 20 anos a ensinar num colégio, Joana Rodrigues decidiu unir a paixão pela dança à carreira de empresária e fundou a Attitude Academia de Artes. O seu objetivo não é apenas criar excelentes bailarinos, mas sim excelentes pessoas. “Creio que a arte, neste caso, a dança, tem o poder de ajudar a moldar crianças, jovens e futuras mulheres e homens, contribuindo para o seu desenvolvimento pessoal e social”.
A escola distingue-se pela sua versatilidade, oferecendo uma panóptica de estilos de dança que inclui ballet clássico, jazz, contemporâneo, dança criativa, dança comercial, entre outros. Além de ter aqui uma versatilidade de ofertas em termos de modalidades também, o facto de ter aqui já um histórico de competições ganhas e de prémios reconhecidíssimos demonstra a qualidade do trabalho desenvolvido. “Nós não nos especializamos numa só área, tentamos alcançar a excelência, mas em muitas áreas, que não é fácil, mas o que eu acho é que isto consegue dar mais equilíbrio na formação até de uma possível bailarina”.
Primeiros passos, primeiros prémios
Desde o início, Joana Rodrigues procurou transmitir valores como disciplina, rigor, persistência e dedicação. Estes valores são incutidos ao longo das aulas e visíveis em cada passo, cada ensaio e cada espetáculo. “Interessa-me muito mais o processo, tendo em conta aquilo que eu digo que gosto, de estar a formar seres humanos”.
A escola destacou-se rapidamente, mesmo em circunstâncias adversas. Logo no início, participaram numa competição onde foram premiadas como melhor escola, mesmo sem terem uma escola física pronta: “Nós fomos a uma competição e ganhamos o prémio de melhor escola, sem termos escola. Na altura tive que alugar um espaço onde fazíamos ensaios para as competições”. Atualmente, a escola conta com diversos prémios nacionais e internacionais, fruto do trabalho, disciplina e dedicação de todos.

Mais que ensinar, cuidar
A filosofia de Joana Rodrigues vai muito além da simples transmissão da técnica. Cada aluna recebe atenção personalizada, aprendendo não só passos de dança, mas também valores fundamentais para a vida, como gestão do tempo, disciplina, resiliência, autoconfiança e espírito de responsabilidade. Sob esta orientação, as alunas desenvolvem competências que se refletem tanto no palco como no quotidiano, permitindo-lhes conciliar com sucesso a carreira académica e a dança: “Chegámos ao ponto de estarmos a competir e, entre as competições, elas estudavam”, evidencia a fundadora, sublinhando a importância de formar indivíduos completos, capazes de enfrentar desafios em diferentes áreas da vida.
Para Joana Rodrigues, a dança deve ser uma experiência positiva e nunca uma obsessão. “A dança faz parte da vida delas e tem que fazer parte de uma maneira positiva. Eu não defendo o resultado, eu defendo o processo”. Na dança, tal como na vida, é preciso ter atitude para enfrentar os desafios, saber aprender com o insucesso e ter uma perspetiva saudável em relação ao sucesso.
Diversidade e inclusão
Embora a dança seja, muitas vezes, associada ao universo feminino, a Attitude Academia tem conseguido aumentar o rácio de alunos do sexo masculino: “O que foi mais difícil, foi termos um menino pela primeira vez. Agora, conseguimos ter quatro ou cinco rapazes”.
Atualmente, a escola conta com cinco professoras especializadas em diferentes modalidades, que planificam cuidadosamente cada aula, garantindo que todas as sessões sejam desafiadoras e enriquecedoras: “Todas as professoras têm a chave da escola e vêm preparar aulas, muitas vezes estamos todos aqui a trabalhar, mas não temos alunos”. A Attitude é uma segunda casa, quer dos professores quer dos alunos, e isso faz toda a diferença na aprendizagem.
Expansão internacional e projetos futuros
Joana Rodrigues levou a sua escola além-fronteiras, estabelecendo uma parceria com várias escolas de Belém do Pará, no Brasil: “Vêm a Portugal e fazem seminários, fazem as aulas durante a semana inteira”. Futuramente, planeia ir ao Brasil para aplicar as suas metodologias diretamente aos alunos, fortalecendo esta troca de experiências e promovendo a cultura da disciplina e técnica que caracteriza a Attitude.
Joana Rodrigues pretende organizar uma competição que vá muito além do simples confronto entre alunos no palco. O objetivo é criar um evento que integre todos os elementos que já fazem parte do currículo da Attitude Academia de Artes ao longo do ano letivo, incluindo formação contínua para professores, aulas estruturadas para os alunos e momentos de aprendizagem específicos. Neste formato, os participantes seriam direcionados a frequentar as masterclasses, garantindo que a competição não se reduza a um exercício de desempenho isolado, mas sim a uma culminação de todo o processo educativo e artístico. A ideia central é que o evento reflita a filosofia da escola, valorizando o desenvolvimento integral dos alunos, onde a disciplina, a técnica e a criatividade caminham lado a lado.

A próxima etapa
O percurso de Joana Rodrigues mostra que a dança vai além da técnica: é uma ferramenta de desenvolvimento pessoal e social. Na Attitude Academia de Artes, cada aula visa formar não apenas bailarinos, mas pessoas disciplinadas, confiantes e capazes de enfrentar desafios. “E, portanto, o meu objetivo não é propriamente criar excelentes bailarinos, mas sim excelentes pessoas. Eu acho que a dança consegue, de facto, contribuir para ajudarmos a moldar estas crianças, os jovens de futuro, as mulheres de futuro”.
A escola distingue-se pela versatilidade de modalidades e pelo histórico de prémios reconhecidos, refletindo a dedicação de toda a equipa. “Nós não nos especializamos numa só área, tentamos alcançar a excelência, mas em muitas áreas, que não é fácil, mas o que eu acho é que isto consegue dar mais equilíbrio na formação até de uma possível bailarina”.
A filosofia de ensino privilegia o processo em vez do resultado: “Todos sabem, porque o defendo publicamente, que apesar até mesmo dos resultados muito positivos que a Attitude tem alcançado, o que eu defendo é o processo”. A escola olha para o futuro com projetos internacionais, inclusão e programas para diferentes idades, consolidando a dança como experiência de crescimento humano e artístico. Falta agora transportar esta filosofia, esta pedagogia de ensino para um evento internacional e organizar uma competição com esta imagem.






