Boca Santa e Max Garden são dois espaços que redefinem a gastronomia em Santa Cruz. Em conversa com Rui Terras, percebemos que cada detalhe reflete paixão, autenticidade e visão. O engenheiro que trocou os grandes projetos pela restauração investe agora em experiências autênticas. Da tradição portuguesa aos sabores internacionais, os seus restaurantes acolhem todos os públicos. São lugares onde se celebra a comida, a comunidade e a vida.
Um apaixonado por Santa Cruz encontrou nesta pequena aldeia o paraíso e a qualidade de vida que tanto procurava. Com uma vida cheia de grandes projetos e obras internacionais no âmbito da engenharia topográfica, decide então mudar de vida para estar mais perto da família e amigos. Aventura-se no projeto de restauração Boca Santa, mesmo no miradouro de Santa Cruz, no antigo espaço “Postigo”. Ao longo dos anos, vê Santa Cruz aos poucos a perder-se no tempo e decide inovar, criando o café Max Bistrô, um tributo à sua praia de juventude, a Praia do Max.
Com tantas ideias retiradas das inúmeras viagens pelo mundo, introduz neste novo espaço comidas alternativas, voltadas para uma alimentação mais cuidada e saudável. Durante a pandemia da Covid-19, surge então o Max Garden, onde combina sabores internacionais com a tradição portuguesa, criando uma carta que agrada a todos os gostos. A diversidade à mesa reflete também a diversidade de públicos que frequentam os seus espaços: locais, turistas, jovens e famílias.



Criatividade e compromisso: a receita do sucesso
No cenário competitivo e em constante transformação da restauração portuguesa, Rui Terras destaca-se pela paixão, resiliência e capacidade de adaptação que imprime nos seus restaurantes Boca Santa e Max Garden, em Santa Cruz. Entre desafios constantes, mostra que gerir restaurantes hoje é um verdadeiro exercício multifunções, onde o contacto humano e o compromisso com a qualidade são chave para o sucesso.
“Para mim, o mais gratificante é a interação com as pessoas: clientes, funcionários, fornecedores. Cada conversa traz algo novo, um desafio, uma aprendizagem. Isso é o que faz valer a pena todo o esforço”, afirma. Rui acumula múltiplas funções, desde a cozinha à gestão, passando pelas redes sociais, tudo para garantir qualidade e controlar custos. Sobre os preços, reforça: “Procuro mantê-los justos. Tenho absorvido os aumentos de custo, não quero penalizar o cliente”. O sucesso dos seus dois restaurantes é a prova de que, na restauração, paixão, adaptação e uma gestão rigorosa são o caminho para enfrentar os desafios do setor. Além disso, continua a fazer trabalhos de topografia, atividade que considera ser o seu verdadeiro “anti-stress”.
Mesmo com o tempo contado, ainda se dedica ao Movimento Santa Cruz Viva, através do qual ajuda a organizar eventos solidários e focados no desenvolvimento da comunidade local. “Estes eventos são sempre fora da época balnear para trazer vida e movimento à vila todo o ano. Santa Cruz merece”, remata.



Boca Santa: História, Sabor e Território
O restaurante Boca Santa situa-se num local privilegiado em Santa Cruz. Situado no Miradouro de Santa Helena, possui a melhor vista para o pôr do sol. Com um interior cuidado, charmoso e cativante, este espaço moderno, com suaves apontamentos rústicos, também possui uma agradável esplanada para que se possa desfrutar de um ambiente acolhedor com vista para o mar.
Aqui encontra o melhor marisco e pratos de peixe em Santa Cruz: desde petiscos como as tábuas de sapateira ou ameijoas, até aos pratos mais tradicionais como o polvo ou as cataplanas, passando ainda por carnes selecionadas. “Cerca de 80% dos nossos produtos são da região, desde o pão aos legumes, dos peixes às carnes”, destaca Rui.
A restauração em Portugal vive grandes transformações, com clientes cada vez mais exigentes, que procuram não apenas boa comida, mas também boas experiências. Rui acredita que os restaurantes têm de se reinventar constantemente, investindo em criatividade, imagem e ambiente. “Hoje, as pessoas sentem-se alimentadas só de ver o prato. Gostam de partilhar essas experiências nas redes sociais”.
No Boca Santa, a carta de vinhos é cuidadosamente selecionada, composta apenas por vinhos da região de Torres Vedras e arredores. “Estamos a trabalhar com o guia do enoturismo da Câmara. Todos os vinhos que servimos vêm de quintas da Região de Lisboa”, menciona
O Restaurante Boca Santa não é apenas comida e bebida: é um marco identitário da vila e um ponto de informação cultural. Desde os poetas que aqui viveram às invasões francesas e até aos dinossauros que um dia habitaram esta zona, aqui percebe-se que Santa Cruz é muito mais do que praia. No Boca Santa, une-se a gastronomia à história, cultura e tradição.
Mesmo estando numa região sazonal, o restaurante está aberto todo o ano, recebendo quem quer conhecer mais da verdadeira Santa Cruz.



Max Garden: diversidade e contemporaneidade
O projeto Max nasce da necessidade de introduzir em Santa Cruz um pouco das viagens que Rui fez, e continua a fazer. Espaço virado para a natureza e para os novos tempos, aqui até pode trazer o seu animal de estimação para lhe fazer companhia.
Com vista para o mar, este restaurante moderno e acolhedor combina o melhor da gastronomia contemporânea com um ambiente descontraído, perfeito para almoços tranquilos, jantares românticos ou encontros entre amigos. Não há televisões, apenas boa conversa. “Para mim, todas as refeições são momentos a partilhar com pessoas especiais”, defende Rui. No Max Garden, a carta é diversificada e inclusiva, com ingredientes frescos e atenção ao detalhe. É um espaço onde todos se sentem bem: do avô ao neto. Há pratos portugueses, italianos, asiáticos, vegetarianos, vegan e sushi. O polvo e as lulas, o risotto e o caril asiático de legumes estão entre os preferidos.
Aqui, o atendimento é marcado pela simpatia e profissionalismo, como o próprio Rui gosta. Os elogios falam por si: “Uma experiência deliciosa! Sushi incrível e atendimento exemplar.” / “Espaço encantador, comida muito boa e ótimo custo-benefício.” / “Opções vegetarianas com muito sabor e criatividade!”
O ambiente contemporâneo inclui uma pequena esplanada solarenga e um interior acolhedor decorado com inspiração na natureza e reflexão espiritual. Neste momento, o Max Garden tem uma exposição de pinturas em aguarela feitas por um jovem artista local e amigo de Rui: Johnny, “um talento enorme e um coração ainda maior”. O Max Garden é hoje uma referência em Santa Cruz, elogiado por turistas e locais. Sem dúvida, um lugar a visitar.
O futuro é de quem sonha com raízes
Nos próximos anos, Rui não prevê grandes mudanças, prefere manter a solidez e melhorar detalhes. “Todos os anos faço algo novo, na decoração, na carta, mas sem perder a essência”, salienta. Para quem quer investir na região, deixa um conselho direto: “Não venham para enriquecer. Venham pelo estilo de vida. Se tiverem uma boa ideia, financiamento e resiliência, vale a pena. Mas tem de haver paixão, capacidade de aguentar três anos difíceis, e vontade de contribuir”, evidencia o gerente.
Mais do que empresário, Rui vê-se como comunicador: “A minha paixão é comunicar. Aprendo sempre com os outros. O restaurante não é um fim, é um meio para criar experiências”, conclui. O Boca Santa e o Max Garden não são apenas restaurantes. São extensões de uma visão pessoal, de um compromisso com a terra e com as pessoas. São lugares onde se come bem, mas sobretudo onde se vive uma experiência pensada, honesta e com sentido.






