Celebro o Dia da Mulher porque a história ainda não está terminada, e porque, todos os dias, há razões urgentes para continuar. Não é apenas uma data simbólica; é um lembrete vivo de conquista, resistência e, sobretudo, de tudo o que ainda falta fazer.
Celebro porque as mulheres sempre estiveram no centro da sociedade, mesmo quando foram empurradas para as margens da narrativa. São motor da economia, impulsionam inovação, sustentam famílias e comunidades inteiras. Empreendem, lideram, criam, cuidam, muitas vezes tudo ao mesmo tempo e, ainda assim, continuam a ver o seu contributo subvalorizado ou invisível. Sem mulheres, não há crescimento sustentável, não há equilíbrio social, não há futuro.

Mas celebro também com consciência crítica. Num mundo que julgávamos estar a avançar, assistimos a retrocessos inquietantes. A violência no namoro cresce, a violência contra as mulheres persiste e, em muitos contextos, intensifica-se. Há mulheres que continuam a não se sentir seguras a caminhar na rua. Há vozes que defendem um regresso a papéis limitadores, como se a ambição feminina fosse uma ameaça e não uma mais-valia coletiva.
Celebro porque ainda é necessário denunciar que os homens continuam, muitas vezes, a ser avaliados pelo seu potencial, enquanto as mulheres têm de provar o seu valor todos os dias, através da sua performance. Celebro porque, apesar de trabalharem tanto ou mais, as mulheres continuam a ganhar menos e essa desigualdade acumula-se ao longo da vida, refletindo-se em pensões até 40% mais baixas, empurrando muitas para a pobreza numa fase em que deveriam ter segurança e dignidade. Nenhum país no mundo ainda tem uma legislação que garanta total igualdade entre homens e mulheres, a lei, por si só, ainda não protege o que é básico: oportunidade, respeito e reconhecimento.
Celebro porque a história ainda insiste em apagar os nomes das mulheres visionárias, das pioneiras, das que abriram caminho. Porque o reconhecimento não pode continuar a ser exceção, tem de ser regra. Celebro também pelas mães que lutam diariamente para equilibrar carreira e família num sistema que ainda não lhes dá condições reais para o fazer. Pela pressão silenciosa de terem de escolher, de abdicar, de gerir o impossível. E celebro por todas as que recusam essa escolha e continuam a exigir um mundo mais justo.
E repito, alto e claro: não me deem flores, deem-me salários iguais. Não me deem flores, deem-me oportunidades. Invistam nas minhas ideias, apoiem os meus projetos, garantam a minha segurança e respeitem as minhas escolhas. Celebro, acima de tudo, porque acredito que cada pequena conquista importa. Porque cada conversa, cada tomada de posição, cada avanço, por mais pequeno que pareça, constrói um caminho coletivo.
E irei sempre celebrar. Não apenas pelo que já foi alcançado, mas pelo compromisso com o que ainda está por fazer. Celebrar o Dia da Mulher é não esquecer. É dar visibilidade. É honrar. É continuar a lutar para que um dia esta celebração seja, finalmente, apenas uma memória de um tempo em que a igualdade ainda precisava de ser reivindicada.






