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Logrise: a tecnologia que nasceu do sul

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No coração do Algarve, longe dos eixos lisboetas que normalmente concentram a inovação tecnológica, nasceu uma empresa que teima em provar que a geografia não é destino. Chama-se Logrise, e foi fundada por dois algarvios – Ricardo Viegas e Nelson Maló – que decidiram contrariar a ideia de que o futuro da tecnologia portuguesa teria de passar, inevitavelmente, por Lisboa.

A história começa muito antes do primeiro software, antes sequer da primeira ideia de negócio. “Conhecemo-nos em Beja, por acaso – ou talvez não”, recorda Ricardo. As suas esposas, então namoradas, eram colegas de curso e partilhavam casa. O encontro entre os dois jovens acabaria por ser a semente de uma cumplicidade que mais tarde germinaria num projeto empresarial. “Houve uma grande química desde o início”, conta Nelson. “Falávamos sobre criar algo nosso, algo com propósito, e a ideia foi crescendo”. 

Durante anos, o projeto existiu apenas em esboço. Trabalharam por conta de outrem, tentaram outros empreendimentos, erraram, aprenderam. “Falhámos várias vezes antes de acertar na Logrise”, admite Ricardo. Mas o que parecia um ciclo de tentativas frustradas era, afinal, uma formação intensiva em realismo e resiliência – atributos sem os quais dificilmente se sobrevive no ecossistema tecnológico português. 

 

Nelson Maló e Ricardo Viegas, Sócios

 

Um Algarve além do turismo 

A génese da Logrise está intrinsecamente ligada ao território. “Queríamos mostrar que é possível criar uma empresa tecnológica com valor aqui no Algarve”, sublinha Nelson. “Há talento, há qualidade de vida, só faltam oportunidades”. 

Essa convicção tornou-se bandeira e missão: provar que o sul do país podia ser mais do que uma montra de verão. “Não temos nada contra o turismo”, explica Ricardo. “Mas o Algarve não pode viver só dele. É preciso diversificar. Quem quiser trabalhar em turismo deve poder fazê-lo – mas quem quiser trabalhar em tecnologia também tem de ter essa possibilidade”. 

Essa visão ecoa nas entrelinhas de cada resposta. A dupla fala de Lisboa com respeito, mas também com a consciência de um país desequilibrado. “Em Portugal, os problemas só se tornam nacionais quando chegam à capital”, lamenta Nelson. “Habitação, água, saúde – tudo isso já era problema no Algarve há muito tempo”. 

A Logrise nasceu dessa vontade de contrariar o determinismo geográfico. A empresa é, no fundo, um manifesto: um laboratório de inovação plantado num território onde se dizia não haver espaço para isso. 

Do Marketing ao código 

Quando fundaram a Logrise, em 2019, Ricardo e Nelson tinham percursos complementares: um engenheiro informático; o outro, especialista em comunicação e marketing. A fusão dessas duas competências definiu o ADN da empresa. 

O primeiro projeto, um software de catálogos de vendas – o B2log –, viu a luz do dia pouco antes da pandemia. Mas o mundo fechou-se e, com ele, o mercado. “A Covid obrigou-nos a pivotar rapidamente”, recorda Ricardo. “Percebemos que as empresas precisavam de presença digital, e passámos a concentrar-nos no marketing e na tecnologia aplicada à comunicação”. 

A adaptação deu frutos. Sem investidores de capital de risco por trás, a Logrise cresceu a partir da sua própria carteira de clientes. “Nós acreditamos que o empreendedor é do tamanho da sua carteira”, diz Nelson, com pragmatismo. “Para nós, não há empresa sem faturação”. 

A honestidade brutal da frase resume a filosofia da Logrise: crescer de forma orgânica, com base na rentabilidade real. “Sempre nos guiámos por um princípio: fazer bem. O pai do Ricardo dizia-nos – fazer mal dá mais trabalho do que fazer bem. E tinha razão”. 

 

 

O salto tecnológico 

Com o tempo, a Logrise deixou de ser apenas uma agência digital para se afirmar como uma empresa de desenvolvimento tecnológico. O Amplifier deu origem ao Octoki, uma ferramenta que unifica comunicações, tarefas e projetos num só sistema. “Chamam-lhe CRM, mas é mais do que isso”, explica Ricardo. “Permite integrar e-mails, propostas, tarefas, tudo. Se alguém faltar, outro colaborador pode assumir o trabalho imediatamente, sem que o cliente sinta o impacto”. 

Hoje, o Octoki é usado por mais de 500 utilizadores e representa o principal produto da empresa. O software é a base de uma filosofia que mistura eficiência e humanidade. “Queremos que a tecnologia liberte as pessoas do trabalho rotineiro”, diz Nelson. “Não é para substituir, é para amplificar o humano”. 

Paralelamente, a Logrise desenvolveu outras ferramentas – desde sistemas de gestão para beach clubs e concessões de praia até mecanismos de deteção de tráfego fraudulento em campanhas digitais. “O nosso objetivo é simples: maximizar o valor que o cliente investe”, acrescenta Ricardo. “Se ele paga 100 euros em anúncios, queremos garantir que são 100 euros reais, e não cliques de robôs”.

 

 

A entrada nórdica 

A credibilidade e a consistência chamaram a atenção de dois investidores nórdicos residentes no Algarve, que se tornaram sócios e consultores. “Não estávamos à procura de investimento, mas eles encontraram-nos e acreditaram na nossa visão”, recorda Nelson. “Mais do que capital, trouxeram know-how e uma mentalidade de longo prazo”. A relação mantém-se orgânica e transparente. “Eles têm o dinheiro, mas nós temos as botas no terreno”, diz Ricardo, com uma metáfora que resume bem o equilíbrio. “O poder de decisão está connosco, porque somos nós que produzimos”. A parceria acelerou o crescimento, mas sem desvirtuar a cultura da empresa. “Continuamos a ser uma empresa ‘clean’, como gostamos de dizer – sustentável, com os pés assentes na rentabilidade e não na especulação”. 

A empresa e as pessoas 

A Logrise conta hoje com uma equipa jovem e diversificada, que trabalha num modelo híbrido entre o escritório e o remoto. As condições são generosas para o contexto português: 35 horas semanais, seguro de saúde, prémios anuais indexados ao desempenho da empresa e flexibilidade horária. “Criámos a empresa para termos qualidade de vida – não fazia sentido esquecermo-nos disso quando começámos a empregar pessoas”, explica Ricardo. O modelo de gestão aposta na transparência e na confiança. “Nós contratamos primeiro a pessoa, depois o técnico”, diz Nelson. “A cultura pesa mais do que as competências. As competências ensinam-se, a cultura não”. Essa filosofia refletiu-se na retenção. “Há colaboradores que começaram connosco e continuam aqui. Outros saíram e quiseram voltar”, conta Ricardo. “Perceberam que a diferença está na forma como encaramos o trabalho – como algo humano, equilibrado”. 

Os clientes e o impacto 

Entre os clientes da Logrise encontram-se nomes como o Grupo Pestana, a Conserveira do Sul, o Grupo Hubel ou o Grupo Timing, a par de pequenas empresas que procuram apenas marcar presença digital. “Damos a mesma atenção a todos”, sublinha Nelson. “Uma mercearia com 300 euros de orçamento mensal merece o mesmo cuidado que um grande grupo”. A visão estratégica é clara: mensurabilidade e resultados. “Amplificar zero é zero”, resume Ricardo, com ironia. “Antes de investir, o cliente tem de ter algo para amplificar”. A Logrise privilegia a transparência total: as contas e os relatórios pertencem ao cliente, e a relação é de parceria. “Queremos que o cliente saiba exatamente quanto investe, quanto ganha e o que pode melhorar”, explica Nelson. “Nada de reféns. Se quiser sair, sai. O que nos prende é a confiança”. 

 

 

Tecnologia, visão e futuro 

Com o Octoki consolidado e novos softwares a caminho, a Logrise prepara-se para integrar Inteligência Artificial em larga escala nas suas soluções. “Queremos que o sistema responda de forma contextual, quase como um assistente humano”, antecipa Ricardo. “A IA não vai substituir o contacto humano, mas vai reduzir o tempo e aumentar a precisão”. Para os fundadores, o futuro da empresa está intimamente ligado à ideia de otimização – fazer mais em menos tempo, mas com mais qualidade. “Acreditamos que o novo ciclo passa por isso”, afirma Nelson. “Mais inteligência, menos desperdício”. Mas há algo que nem a IA substituirá: a convicção de que a tecnologia pode ser um instrumento de coesão territorial. “O Algarve tem talento, tem clima, tem vida”, diz Ricardo. “Só precisa de acreditar que também pode ter futuro”. 

A Logrise nasceu dessa crença – e é, por isso, mais do que uma empresa. É uma prova viva de que a inovação também fala com sotaque do sul. 

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