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ICAD cria em Lisboa e no Porto tratamento para dependência de jogos

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Primeiro serviço público a tratar a dependência de jogo prevê que as famílias dos utentes participem, também, no plano terapêutico. Projeto inovador abre portas, este verão, na Capital e na Cidade Invicta.

O Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) vai abrir em Lisboa, durante este verão, um centro de tratamento especializado numa estrutura própria, em ambulatório, com um programa estruturado de acordo com as melhores evidências científicas. Neste centro do ICAD, que abrirá em instalações provisórias enquanto não terminam as obras, vão decorrer as consultas para estas dependências sem substâncias, tendo como principal objetivo tratar a dependência de jogo de pessoas que entram numa espiral de dependência dos jogos a dinheiro ou dos videojogos.

O tratamento contempla sessões semanais de intervenção grupal multidisciplinar, com intervenção individual, sempre que necessário. O primeiro serviço público a tratar a dependência do jogo prevê, também, que as famílias dos doentes participem no programa terapêutico.  «A abertura deste centro em Lisboa é a primeira medida no âmbito dos compromissos assumidos pelo Conselho Diretivo do ICAD para conseguirmos dar respostas à problemática do jogo», afirma Joana Teixeira, Presidente do ICAD, que tem Sofia Albuquerque e Marco Garcia Silva como Vogais do Conselho Diretivo. Também neste verão arranca no Porto um programa do ICAD, destinado a tratar dependências de videojogos (“Gaming”), com as consultas a decorrerem em instalações já existentes do ICAD.

«É um programa inovador, que não existe na rede de tratamento de público no Serviço Nacional de Saúde. Não se trata de um centro, mas de um programa, que já tem a equipa formada e que vai começar a funcionar até junho», disse a Presidente Joana Teixeira.

 

 

 

Internamento, patologia e comparticipação

«Nem todo o jogo é patológico, pois a base do jogo é de lazer. Agora, há indivíduos que têm vulnerabilidades e poderão, nesse contexto, vir a desenvolver uma perturbação de jogo patológico. Nesse sentido, temos que identificar quais são as populações mais vulneráveis e fazer campanhas de prevenção seletivas e indicadas para estas pessoas».

A opinião é de Joana Teixeira, Presidente do ICAD. «O internamento é também encarado, algumas vezes, como sendo uma necessidade de tratamento neste tipo de doentes. Estamos, igualmente, a desenvolver os meios para que os programas de internamento para tratamento de perturbação de jogo possam ser financiados em termos de comunidades terapêuticas», complementou, na defesa do «bem comum» e do «serviço público».

1º Fórum Nacional do Jogo, da Internet e dos Videojogos

O Ministério da Saúde, através do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), promoveu, neste último mês de abril, em Cascais, um fórum nacional tendo em vista a definição de estratégias que previnam e reduzam os danos associados à problemática do uso da internet, jogo a dinheiro e aos videojogos.

Com o objetivo de apoiar políticas públicas mais eficazes e coordenadas, o 1º Fórum Nacional do Jogo, da Internet e dos Videojogos (FNJIV) juntou responsáveis da Administração Pública e da Sociedade Civil no centro empresarial “DNA Cascais”.

«O Fórum é um espaço ideal para abordarmos questões de mitigação de riscos associados à utilização excessiva dos videojogos e dos jogos», referiu Joana Teixeira, Presidente do ICAD, na sessão de abertura, que contou com uma mensagem da Secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, bem como da presença do Vereador do Município de Cascais, Pedro Morais Soares.

Esta ação, de dimensão nacional, tem como objetivo criar uma plataforma que envolva todas as partes com responsabilidades na área, entidades ligadas à produção, distribuição e regulação do jogo, especialistas, académicos e representantes das áreas da saúde e da saúde mental.

Nesse sentido, será assinada uma Carta de Compromisso, de modo a implementar estratégias de prevenção, boas práticas e de promoção da saúde. «Este Fórum marca o início de um caminho que o ICAD quer trilhar com setores da sociedade civil e da Administração Pública, representantes da indústria, distribuição e publicidade dos jogos, além de outras entidades com atividade neste setor», salienta Joana Teixeira.

«É fundamental que estejam todos reunidos para chegarmos a bons resultados, de modo a serem assumidos compromissos robustos para a problemática do jogo, que tem vindo a aumentar a prevalência nos últimos anos, bem como a procura pelos serviços de tratamento para esta problemática», concluiu a Presidente do ICAD.

O Fórum Nacional do Jogo, da Internet e dos Videojogos é uma nova iniciativa do ICAD, prevista no Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e Dependências 2021-2030 (PNRCAD 2030).

 

 

 

Diferenças entre “Gaming” e “Gambling

A História conta-nos que, no final do século XVII, D. Pedro II introduziu as lotarias em Portugal. O objetivo era repor os cofres do Estado, exauridos pela guerra e dominação espanhola. Em 1783, a Rainha D. Maria I concede à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a exploração de uma lotaria nacional. De lá para cá, o jogo teve muitas evoluções, a começar pelas terminologias adotadas. Apesar de, na Língua Portuguesa, se utilizar a palavra ‘Jogo’ de forma indistinta, na literatura científica utiliza-se a distinção da Língua Inglesa: gaming e gambling. “Gaming” é a prática ou conjunto de práticas relacionadas com o uso de videojogos. Por definição, é uma atividade de jogo sem envolvimento de dinheiro onde não se inclui jogos de apostas (fortuna ou azar), ao contrário do que acontece com o “Gambling”.

Segundo dados da “Interactive Software Federation of Europe” (2024), mais de metade da população, entre os 6 e os 64 anos, joga videojogos. 23% dos jogadores têm 45-64 anos, 22% têm entre 15 e 24 anos e 45% dos jogadores são do género feminino.

«A principal preocupação está sobretudo relacionada com os menores e com as mecânicas que possam ser conducentes a facilitar e a levar os jovens a procurar jogos de apostas», alertou Mário Santos, perito do ICAD. «É importante regular, fiscalizar e reformular estratégias», considera, por sua vez, João Marques, especialista do ICAD em “Gambling”. Segundo as estatísticas, o perfil do jogador mais afetado é jovem e tem entre 15 e 34 anos. A monitorização nacional apenas começou em 2025 e o ICAD está a acompanhar esta problemática, sobretudo com o aumento da prevalência da utilização do jogo.  «Este fórum traduz a nossa preocupação e a nossa iniciativa para juntar vários parceiros e conseguirmos chegar a medidas de compromissos que sejam as mais consensuais, em benefício dos portugueses», defende Joana Teixeira.

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