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Da advocacia em sociedade à prática independente

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Depois de um percurso construído em grandes sociedades de advogados, Ângela Guerreiro Lopes decidiu arriscar numa prática independente, levando a especialização do direito laboral para fora dos grandes centros. A advogada aborda o impacto da formação em estruturas exigentes, os desafios atuais da legislação laboral e a necessidade de equilibrar interesses num mercado de trabalho em constante transformação.

Ao longo do seu percurso profissional integrou sempre grandes sociedades de advogados. Que impacto teve esse contexto na sua formação enquanto advogada e na forma como encara atualmente o direito?

Integrar sociedades de grande dimensão desde que comecei o estágio, permitiu-me ganhar resiliência, capacidade de resposta rápida e ensinou-me a desenvolver soft skills que dificilmente aprenderia fora daquele meio. São realidades muito exigentes e em que se espera de nós, desde muito cedo, versatilidade e adaptação a diferentes formas de trabalho nas equipas que vamos integrando. Hoje posso dizer que sou o resultado da formação de todas as equipas com que trabalhei e sou muito grata por isso.

 

Ângela Guerreiro Lopes, Advogada

 

Sendo o direito laboral uma área em constante transformação, marcada por alterações legislativas e novas dinâmicas no mercado de trabalho, quais considera serem hoje os principais desafios tanto para as empresas como para os trabalhadores?

O maior desafio está no encontro de um ponto de equilíbrio de interesses. A legislação laboral é uma lei viva, das que mais sofre alterações em função das forças políticas dominantes. O desafio está precisamente, no meio das alterações constantes, em fazer a ponte entre trabalhadores e empregadores sem fazer pender a lei em maior benefício de uns.

Há um sentimento generalizado das empresas de que partem de um ponto de desvantagem ou de uma posição mais sensível, o que não está completamente errado. As exigências legais, nem sempre estão conectadas à realidade das empresas, no “terreno”, principalmente das Pequenas e Médias Empresas. É necessário um maior conhecimento do seu real funcionamento e dificuldades práticas. O anteprojeto da reforma laboral parece dar resposta a alguns destes problemas.

Após uma carreira construída em grandes estruturas, optou por exercer advocacia de forma independente. O que motivou essa decisão e que diferenças sente na relação com os clientes e na prática diária da profissão?

A decisão não foi fácil. Estava num momento muito promissor da minha carreira profissional para o qual tinha trabalhado muito. Paralelamente encontrava-me num momento ideal a nível pessoal para arriscar. Este sempre foi um sonho e se não fosse agora, não o faria mais tarde. Apesar de viver agora em Lisboa, nasci e cresci em Setúbal e sentia que o recurso a advogados na capital sempre se deveu à falta de oferta especializada na Margem Sul. O meu projeto procura dar resposta às empresas, com o mesmo nível de especialização das grandes sociedades da capital onde me formei, agora com a proximidade de um escritório em Alcochete.

Futuramente, como vê a evolução do direito do trabalho em Portugal e que papel gostaria de desempenhar, enquanto advogada independente, nesse novo cenário?

A evolução do direito do trabalho vai passar por acompanhar a nova realidade das transformações e plataformas digitais. A nossa lei está pensada numa lógica tradicional de trabalho. Os novos conceitos, mais flexíveis, têm de ser regulados de modo a garantir direitos e obrigações sem comprometer a inovação.

A inovação, contudo, facilita o acesso rápido a (des)informação que, quando mal interpretada prejudica trabalhadores e empregadores. É este o meu papel nesta nova realidade – sensibilizar para o recurso informado a advogados ao invés de ferramentas de Inteligência Artificial.

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