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Crescimento sustentável e autónomo no alojamento local português

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Com uma gestão eficiente, estrutura interna autónoma e foco no investimento local, a Umbral afirma-se como um dos principais operadores de alojamento local em Portugal. À frente da operação está Rui Sacramento, Fundador e CEO, que partilha com a Revista Business Portugal a evolução do projeto, os momentos decisivos e os planos futuros para a marca.

O percurso de Rui no setor do turismo começou em 2017, em Albufeira, com a exploração de uma única unidade, a Quinta do Lagar. Com um modelo de negócio baseado inicialmente na intermediação de reservas online, depressa percebeu que a maioria dos empreendimentos locais estavam mal geridos. Foi então que propôs assumir a exploração direta de várias unidades, mediante pagamento de uma renda anual aos proprietários. “Comecei com a Ao Rubro, uma empresa que só tratava de reservas. Mas percebi que podia fazer melhor. Propus gerir diretamente e tudo começou a crescer a partir daí”, diz, salientando que, neste momento, a empresa dedica-se exclusivamente a publicidade online e offline. O crescimento foi orgânico, sustentado e, muitas vezes, impulsionado por contextos de crise. Durante a pandemia, em 2020, criou a empresa Sem Rumo, que lhe permitiu continuar a expandir sem perder acesso a apoios estatais. “As novas unidades ficaram sob a alçada da Sem Rumo. Era uma forma de garantir a continuidade do projeto sem quebrar regras nem comprometer a estabilidade”, menciona Rui.

 

Rui Sacramento, Fundador e CEO

 

O nascimento da marca Umbral

A marca Umbral surge em 2023, resultado de um rebranding que teve início com “Portugal Férias”, convertida numa agência de viagens online. O nome “Umbral” foi sugerido por um diretor de marketing e carrega um simbolismo duplo: representa, fisicamente, o limiar entre interior e exterior de uma casa, e, num sentido mais abstrato, o purgatório – uma metáfora para o espaço de decisão e transformação. “Não gostei logo do nome, mas quando me explicaram o significado espiritual, fez sentido”, destaca o CEO. Esta identidade está presente em todos os pontos de contacto da marca: no atendimento, no design, nos textos promocionais e na própria postura perante clientes e parceiros. “Queríamos um nome com peso, que tivesse uma história. A marca comunica isso: mudança, passagem, transformação”, afirma.

Crescer com estrutura e autonomia

Um dos pilares fundamentais da estratégia da Umbral é a autonomia operacional. Desde contabilidade, marketing, manutenção até à lavandaria, tudo é gerido internamente. “Não dependemos de ninguém. Só dois serviços – piscinas e jardins – são subcontratados, e mesmo esses foram incentivados por mim a criar a sua própria empresa”, evidencia Rui. Esta filosofia permitiu à empresa crescer rapidamente e adaptar-se com agilidade às necessidades de cada nova unidade. “Fomos crescendo com base em problemas. Aparecia uma necessidade, criava-se uma solução. Foi assim que estruturámos toda a operação”, partilha.

Hoje, a Umbral gere 29 empreendimentos espalhados pelo Algarve (Albufeira, Almancil e Portimão), Vila Nova de Milfontes e Fátima totalizando mais de 1.700 camas. O portefólio inclui desde pequenos alojamentos locais até hotéis de duas e três estrelas.

O fator humano: o verdadeiro desafio

Um dos temas recorrentes na conversa com Rui Sacramento é a valorização das pessoas. “O maior desafio não é encontrar empreendimentos. É encontrar gente boa para os gerir”, comenta o fundador. A Umbral aposta na promoção interna: “Temos, por exemplo, um diretor que entrou para a empresa como rececionista, passou pelas reservas e neste momento é diretor de alojamento”. Esta cultura interna, baseada na partilha e na polivalência, é uma marca distintiva. “Aqui todos fazem tudo. E ninguém diz ‘isso não é comigo’. Trabalhamos em equipa, sem hierarquias rígidas. As promoções acontecem naturalmente, por mérito e dedicação”, realça.

 

 

 

A expansão para o centro e litoral alentejano

A entrada em Vila Nova de Milfontes foi o primeiro grande salto geográfico da Umbral. No início através de serviços de reservas, seguido de transição para exploração direta.

Em Fátima, a abordagem foi semelhante. Começou com uma visita exploratória a um hotel e, mesmo sem fechar esse negócio, Rui criou ali as conexões certas. Pouco tempo depois, a empresa já operava seis unidades na cidade-santuário. “Conheci as pessoas certas. O conhecimento operacional que tínhamos no Algarve facilitou tudo”, salienta o entrevistado.

Visão para o futuro: cidades e património

A ambição futura passa por Lisboa, Porto, Évora e Funchal. “Já tive negociações muito avançadas em Lisboa, na zona do Campo Pequeno, mas o valor da renda tornou o negócio inviável”, expressa. Ainda assim, Rui mantém-se atento. “Estou sempre à procura de ativos onde faça sentido aplicar o nosso modelo. E um dia vamos comprar”. A aquisição de imóveis próprios é, aliás, o próximo passo da Umbral. “Tenho um processo em curso com o banco. Será o primeiro edifício nosso. Até agora, temos crescido com base em rendas fixas e exploração, mas ter património próprio é fundamental para o futuro”, declara.

Stay local, apoiar o comércio e praticar preço justo

Desde o início, Rui Sacramento fez questão de incentivar os hóspedes a consumir no comércio local. “Cheguei a criar livrinhos com mapas, descontos e sugestões. A ideia era manter o dinheiro na região”. A filosofia mantém-se, agora integrada na identidade da marca. O site da Umbral e os materiais físicos continuam a destacar restaurantes e lojas nas proximidades.

Quanto à política de preços, é pragmática: “Quero vender bem, claro, mas nos meses baixos é preciso estar competitivo. Em julho e agosto temos ocupação garantida. Mas nos outros meses, o preço justo é o que nos mantém nas primeiras páginas das plataformas”, alude. A clientela é diversificada: empresas em época baixa, famílias portuguesas e turistas europeus no verão.

 

 

 

 

A sazonalidade como oportunidade de inovação

Para Rui Sacramento, o Algarve tem potencial para funcionar todo o ano – desde que haja visão. “Albufeira podia ser uma cidade ativa o ano inteiro. Só precisa de um hospital privado, uma universidade e um espaço grande para eventos”, indica. Sugeriu ainda parcerias entre hotéis e universidades, permitindo usar quartos disponíveis fora da época alta como residência estudantil. “A cama já existe, o espaço também. Falta articulação”, compartilha. Defende que Lisboa não deve concentrar toda a oferta cultural e académica. “O Algarve também pode receber concertos, congressos, feiras. Mas faltam infraestruturas”, realça Rui.

 

 

 

Solidez, credibilidade e confiança

Um dos orgulhos do fundador da Umbral é a sua relação com os proprietários dos imóveis. “Nunca falhei um pagamento. Sempre na data combinada, sem desculpas”, destaca. Essa reputação de fiabilidade é, segundo Rui, o maior trunfo da marca. “Quando há confiança, o resto constrói-se. É por isso que temos tantos contratos de longa duração”, assegura. A marca é construída com base em relações duradouras, clareza nas contas e presença no terreno. “Não sou gestor de gabinete. Vou aos empreendimentos, falo com a equipa, vejo os problemas. É isso que faz a diferença”, observa o gerente.

Preparado para o próximo passo

Rui Sacramento já iniciou negociações para adquirir o primeiro imóvel da empresa. “Quero ter património próprio”, afirma. Para o fundador da Umbral, esse é o passo natural de um percurso construído com consistência. Apesar de já ter travado a expansão num ano – para reorganizar e solidificar a operação –, a ambição mantém-se clara.

“O esqueleto está montado. Agora é ir acrescentando peças” conclui com convicção. Mais do que escalar rapidamente, o objetivo é continuar a crescer com estrutura, respeitar o território, formar equipas fortes e manter uma relação justa com todos os envolvidos. Uma abordagem simples, mas eficaz, que distingue a Umbral e a posiciona para continuar a transformar o alojamento local em Portugal com visão, consistência e propósito.

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