PUB

PUB

Adalberto Campos Fernandes defende consensos na saúde

Data:

Partilhar

Adalberto Campos Fernandes defende que o futuro da saúde em Portugal depende menos de ruturas políticas e mais da construção de consensos duradouros. O antigo ministro, recentemente escolhido para coordenar um pacto estratégico para o setor, considera que o país tem condições para alcançar melhores resultados, mesmo com recursos limitados, desde que combata a ineficiência e o desperdício.

A intervenção teve lugar num almoço do International Club of Portugal, onde o ex-governante sublinhou que a saúde exige estabilidade e cooperação entre diferentes forças políticas. Sem entrar em detalhes sobre o processo, admitiu que o diálogo deverá envolver os vários partidos, rejeitando a ideia de exclusões. Para Campos Fernandes, “não há partidos de primeira nem de segunda”, numa clara defesa de uma abordagem inclusiva à construção de soluções.

O antigo ministro mostrou-se “honrado” com o convite presidencial e recordou a importância de unir esforços entre Governo, parlamento e restantes intervenientes do setor. A sua visão assenta na necessidade de ultrapassar divisões e encontrar pontos comuns que permitam responder aos desafios estruturais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Durante a sua intervenção, apontou fragilidades persistentes, como os cerca de 1,7 milhões de portugueses sem médico de família e o aumento das listas de espera. Estes problemas, aliados ao crescimento da despesa pública em saúde, constituem, na sua perspetiva, sinais de alerta que não podem ser ignorados. Ainda assim, rejeita a ideia de que a falta de meios seja o principal obstáculo, defendendo que Portugal já demonstrou, no passado, ser capaz de fazer mais com menos.

Campos Fernandes argumenta que a chave está na eficiência. Combater o desperdício permitiria libertar recursos para melhorar o acesso a medicamentos e reforçar a qualidade dos serviços. Sem essa transformação, alerta, o país arrisca-se a comprometer a sustentabilidade do sistema e a limitar a capacidade de resposta às necessidades da população.

O antigo governante deixou também críticas à forma como as reformas são frequentemente conduzidas. Considera que um Estado reformista não se limita a anunciar mudanças, devendo antes implementá-las, avaliá-las e só depois apresentá-las ao escrutínio público. A frustração de expectativas, sublinhou, é um dos maiores riscos da ação política nesta área.

Num encontro que reuniu várias figuras ligadas à saúde e à política, entre elas Pedro Passos Coelho, o ex-ministro alertou ainda para a necessidade de evitar nomeações políticas em cargos de gestão pública, defendendo maior profissionalização da administração.

A mensagem central é clara: o futuro da saúde em Portugal dependerá da capacidade de gerar entendimento e de gerir melhor os recursos disponíveis, num equilíbrio entre responsabilidade política e eficácia na ação.

Newsletter


 

Últimas Edições

Artigos Relacionados