Guilherme Pires, Presidente da Câmara Municipal de Boticas, reafirma a importância da Feira Gastronómica do Porco como pilar da identidade barrosã e motor do desenvolvimento local, defendendo a valorização das tradições, da autenticidade e dos produtos endógenos como caminho para promover o território ao longo de todo o ano.
A Feira Gastronómica do Porco é, há décadas, um símbolo da identidade barrosã e um motor essencial para a economia local. Que papel pretende a nova presidência atribuir a este evento na estratégia global de valorização do território e dos produtos endógenos de Boticas?
Após 28 edições, pouco há a acrescentar à Feira Gastronómica do Porco, até porque já é o maior evento que se realiza anualmente em Boticas e o principal cartão de visita do nosso concelho. Ao executivo cabe apenas promover e divulgar o que de melhor se faz na nossa região, dando a conhecer os produtos endógenos e a nossa gastronomia local. A essência do evento será mantida, embora possamos fazer pequenos ajustes e acrescentar um ou outro aspeto, para melhorar as condições, não apenas para os produtores, mas também para os visitantes, mas será nos mesmos moldes das edições anteriores, até porque têm sido um sucesso. Este certame ajuda a promover o território do Barroso, os seus produtos de altíssima qualidade e que muito têm ajudado economicamente o concelho, e acaba por movimentar todo o concelho, designadamente o comércio, restauração e hotelaria. Por isso, a autarquia continuará empenhada na realização desta feira e na promoção do concelho de Boticas.

O certame tem um impacto direto na promoção dos produtores de fumeiro tradicional e na dinamização do comércio e do turismo local. Existem medidas previstas para potenciar estes efeitos durante e após o evento, de modo a garantir benefícios mais duradouros para a economia do concelho?
Há da nossa parte um esforço para proteger as nossas tradições, usos e costumes. No fundo, valorizar aquela que é a nossa história e a nossa identidade. Queremos continuar a ser genuínos, porque é essa autenticidade que faz do nosso território verdadeiramente diferente e é o melhor cartão de visita da nossa terra. Aqueles que visitarem o concelho de Boticas durante os dias da feira certamente ficarão com vontade de regressar depois e esse é o nosso principal objetivo. A feira é apenas uma montra daquilo que se produz nesta região e uma excelente oportunidade para conhecer o concelho de Boticas e descobrir os encantos da nossa terra.

Sendo Boticas um território reconhecido como Património Agrícola Mundial, de que forma esta distinção será integrada na narrativa e na comunicação da feira, reforçando o posicionamento de qualidade e autenticidade dos produtos barrosões?
Quem visitar Boticas durante os quatro dias da feira tem ao seu dispor, para além da gastronomia típica, os produtos regionais, as tradições, a cultura e a natureza. Mas Boticas tem muito para oferecer ao longo do ano, quer em termos gastronómicos, quer culturais e turísticos, por ser um território com caraterísticas únicas e classificado como Património Agrícola Mundial, pela FAO. Para além da qualidade dos produtos, como já referi, o sucesso da nossa feira deve-se ao facto de, no mesmo espaço, os visitantes poderem comprar fumeiro e enchidos, mas também saborear esses produtos nas “Tasquinhas” presentes no recinto, onde são confecionados alguns dos melhores pratos à base de carne de porco e enchidos. Os visitantes podem desfrutar de uma experiência gastronómica num ambiente único. Aos produtos e à gastronomia junta-se ainda a animação permanente no recinto, quer através da atuação dos grupos locais de música tradicional, quer com a realização das tradicionais chegas de bois que atraem centenas de aficionados todos os anos.


Que iniciativas pretende o Município desenvolver para que a Feira do Porco continue a ser, não só um evento gastronómico, mas também um espelho vivo da cultura e das tradições locais?
A autarquia tem vindo a implementar alguns apoios neste setor, de forma que estas atividades sejam cada vez mais atrativas, sobretudo para os mais jovens, contribuindo para a fixação da população no nosso concelho. Temos a consciência das dificuldades que existem para os agricultores, no entanto fazemos o que está ao nosso alcance para os apoiar a manterem a agricultura e a pecuária como forma de sustento. Mas este é, sem dúvida, um dos grandes desafios que temos, que é manter a agricultura e a produção de gado como setores atrativos ao nível da geração de riqueza, apostando na qualidade dos produtos endógenos e contribuindo para a criação de cadeias de comercialização e escoamento dos produtos da agricultura local. Nem sempre é fácil, até porque o setor tem sido muito descurado no que diz respeito aos apoios concedidos aos pequenos agricultores.





