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Açores, um destino com identidade

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Entre a força indomável da natureza e a autenticidade das suas comunidades, os Açores têm vindo a afirmar-se como um destino onde a sustentabilidade é prática e identidade. Nesta conversa, Nuno Leandro, Presidente da Visit Azores, revela como o arquipélago constrói uma narrativa distintiva, ancorada na coerência entre aquilo que comunica e aquilo que oferece ao mundo.

De que forma a Visit Azores tem vindo a consolidar uma narrativa distintiva para o arquipélago, equilibrando a promoção da sua riqueza natural com a valorização das comunidades e da identidade local?

A narrativa que queremos afirmar para os Açores assenta em três pilares inseparáveis: natureza, pessoas e cultura. Não promovemos apenas paisagem; promovemos um modo de vida, uma relação muito própria com o mar, com a terra e com o tempo. Temos procurado comunicar o arquipélago como um destino onde a natureza é vivida de forma responsável e próxima das comunidades, valorizando produtos locais, tradições, gastronomia, festas e saberes, e integrando atores regionais – desde marcas a pequenos produtores – na forma como apresentamos o destino ao mundo.

 

Nuno Leandro, Presidente

 

Num contexto global em que a sustentabilidade se afirma como critério decisivo na escolha de destinos, como é que os Açores transformam este compromisso num verdadeiro fator de diferenciação e não apenas numa tendência de comunicação?

Para os Açores, a sustentabilidade não é um slogan; é uma condição de sobrevivência e de desenvolvimento. Trabalhamos com modelos de gestão que procuram proteger ecossistemas muito sensíveis, enquanto criam valor para quem cá vive.

A diferenciação resulta do facto de o compromisso estar incorporado em políticas públicas, em certificações, em regulamentos e em práticas concretas dos operadores, e não apenas em campanhas. Quando o visitante chega, a experiência confirma aquilo que comunicamos: um destino bonito, mas também cuidadoso, exigente e responsável.

 

Terceira
Corvo
Anjos – Santa Maria

 

A diversidade das nove ilhas constitui um dos ativos mais singulares da região. Que estratégias têm sido adotadas para promover essa diversidade de forma integrada, evitando a massificação e preservando a autenticidade de cada território?

A estratégia passa por afirmar os Açores como arquipélago de experiências complementares, e não como um único destino ilha. Trabalhamos produtos e rotas que convidam o visitante a descobrir diferentes ilhas, com ritmos, paisagens e traços culturais próprios, pois cada ilha tem a sua própria identidade. Ao mesmo tempo, procuramos gerir fluxos, incentivar a dispersão geográfica da procura, apoiar a promoção de ilhas menos conhecidas e evitar políticas que incentivem concentrações excessivas em poucos pontos.

A autenticidade preserva-se dando espaço e tempo a cada ilha para crescer à sua medida, com as pessoas no centro.

Como avalia a evolução do posicionamento dos Açores nos mercados internacionais nos últimos anos e quais são, atualmente, os principais desafios e oportunidades na captação de novos perfis de visitantes?

Os Açores consolidaram, nos últimos anos, um lugar claro entre os destinos de natureza e experiência mais relevantes da Europa, com crescente reconhecimento em mercados internacionais que valorizam autenticidade, sustentabilidade e segurança. Ao mesmo tempo, o destino ganhou visibilidade junto de segmentos mais qualificados, com maior permanência e maior despesa. Os grandes desafios hoje passam pela estabilidade da conectividade aérea, pela competição com outros destinos igualmente sustentáveis e pela necessidade de manter a qualidade da experiência à medida que o destino se afirma. As oportunidades residem na diversificação de mercados, na captação de novos perfis – como viajantes de bemestar, workation ou turismo de conhecimento – e na consolidação do arquipélago como referência em turismo responsável.

 

Arcos Vulcânicos da Urzelina – São Jorge
Centro Histórico da Horta-Faial
Centro da Vila da Madalena – Pico

 

De que modo a Visit Azores articula a promoção turística com os agentes locais – desde marcas regionais a operadores turísticos – para garantir uma experiência coerente e alinhada com a promessa do destino?

A Visit Azores tem de ser, antes de mais, uma plataforma de articulação, com os nossos associados. Trabalhamos em rede com operadores, marcas regionais, alojamento, restauração e entidades públicas, procurando envolver o trade na definição de mercadosalvo, campanhas, produtos e narrativas.

A coerência da experiência resulta dessa construção: da forma como alinhamos expectativas, como integramos marcas de origem local na promoção, como apoiamos a estruturação de produto e como recolhemos feedback permanente de quem está no terreno. Só assim a “promessa” que fazemos nos mercados emissores corresponde, de facto, ao que o visitante encontra quando chega.

 

Parque Terra Nostra – São Miguel
Farol da Ponta da Barca – Graciosa
Cascata Grande – Flores

 

 

Olhando para o futuro, que prioridades estratégicas irão marcar a comunicação e promoção dos Açores enquanto destino de excelência, num contexto de crescente competitividade entre destinos sustentáveis?

No futuro próximo, três prioridades serão decisivas: aprofundar o posicionamento dos Açores como destino de natureza e sustentabilidade de alta qualidade; reforçar a diferenciação pela autenticidade e pela relação com as comunidades; e comunicar melhor o arquipélago como destino de todo o ano, com propostas relevantes em cada estação.

Num cenário de crescente competitividade entre destinos sustentáveis, será essencial sermos claros sobre aquilo que nos torna únicos – o caráter atlântico, o ritmo das ilhas, a escala humana – e trabalhar narrativas e produtos que traduzam essa singularidade em experiências concretas, consistentes e memoráveis para quem nos visita.

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