Em entrevista exclusiva, Afonso Oliveira Barros, CEO da Irmarfer, explica como a combinação entre espírito familiar empreendedor, industrialização própria, I&D robusto e uma estratégia de internacionalização agressiva transformou a empresa num player de referência mundial em estruturas metálicas e soluções modulares para eventos, indústria e projetos permanentes
A Irmarfer é, hoje, reconhecida como uma referência mundial em estruturas metálicas e soluções modulares para eventos e indústria. Que momentos-chave considera decisivos neste percurso, desde as origens em Freamunde até ao atual posicionamento global do grupo?
A Irmarfer nasceu de um espírito empreendedor familiar e de uma ambição técnica que ainda hoje definem a nossa identidade. Ao longo destas décadas, fomos construindo um caminho sustentado em inovação, rigor técnico e uma visão clara do potencial global do nosso setor. Destaco quatro marcos que considero decisivos neste percurso.
O primeiro foi a industrialização e o fabrico próprio, que nos permitiu consolidar os nossos perfis de alumínio exclusivos e desenvolver soluções estruturais de otimizadas em termos de resistência, rigidez e eficiência material. A engenharia sempre foi, e continua a ser, o coração daquilo que fazemos. É esta capacidade técnica que nos permite adaptar cada solução ao desafio que enfrentamos e alcançar feitos como estruturas com vãos livres até 100 metros, algo que poucos players internacionais conseguem entregar.
O segundo marco foi a execução de projetos icónicos e considerados “impossíveis”, que elevaram o nosso posicionamento global. A estrutura para os Jogos Olímpicos do Rio 2016, a maior estrutura de vão livre do mundo à época, foi um momento impulsionador. Da mesma forma, a estrutura criada para o Perth Festival, na Austrália, distinguiuse como a maior estrutura temporária com o maior vão livre do Hemisfério Sul, conquistas que validam a qualidade técnica da Irmarfer e reforçam a nossa reputação internacional.
O terceiro marco é a diversificação para estruturas permanentes e novos setores, como indústria, desporto e áreas humanitárias. Este movimento expandiu o nosso portefólio e demonstrou ao mercado que a Irmarfer já não é apenas sinónimo de “tendas” ou estruturas temporárias. Hoje, somos capazes de conceber e construir espaços únicos, totalmente desenhados à medida das necessidades de cada cliente. Por fim, destaco a aceleração da internacionalização. Nos últimos anos, reforçámos a nossa presença global e abrimos recentemente um escritório em Barcelona, porque o mercado espanhol é uma das nossas maiores apostas estratégicas. Mantemos também uma rede ativa de parceiros e operações com presença direta na Europa, América e Austrália, suportada pelo investimento acionista e pela expansão contínua da nossa capacidade produtiva.
Todos estes marcos mostram que a nossa evolução nunca foi fruto do acaso: foi sempre consequência de visão estratégica, de engenharia de excelência e da convicção de que Portugal pode liderar este setor à escala mundial.

Sendo a engenharia e o design estrutural o coração da vossa proposta de valor, como é que a equipa de I&D da Irmarfer articula a exigência técnica, a segurança e a estética para responder a projetos tão distintos como festivais de grande escala, pavilhões industriais ou arenas multiusos?
A nossa equipa é o verdadeiro motor da Irmarfer. Reunimos especialistas em engenharia estrutural, arquitetura, produção, logística e montagem, permitindo-nos abordar cada projeto de forma integrada, desde a conceção técnica ao desempenho em obra. Esta multidisciplinaridade garante que cada solução é rigorosamente desenhada, testada e ajustada para responder às exigências específicas de setores tão distintos como eventos de grande escala, indústria, desporto ou contextos humanitários. A inovação é um pilar central do nosso crescimento. A nossa equipa de I&D assegura um fluxo contínuo de desenvolvimento, prototipagem e melhoria técnica, seja ao nível do comportamento estrutural, bem como desempenho térmico e acústico do sistema global, ou da eficiência logística. É este trabalho contínuo que nos permite antecipar necessidades, otimizar processos e trazer ao mercado soluções modulares verdadeiramente diferenciadoras.
A vossa atuação estende-se hoje a vários continentes, com sedes estrategicamente distribuídas pelo mundo. Que desafios de coordenação, qualidade e cultura corporativa emergem desta presença internacional e como garantem que o “DNA Irmarfer” se mantém consistente em todos os mercados?
A presença internacional da Irmarfer trouxenos desafios naturais da internacionalização, nomeadamente garantir uma liderança operacional consistente, uniforme nos padrões da qualidade e a preservação do nosso DNA organizacional em geografias muito distintas. Hoje, estamos presentes em 12 países e mais de 60% da nossa faturação é internacional, uma operação que exige equipas altamente alinhadas.

A engenharia e o desenvolvimento de produto permanecem centralizados na sede, garantindo que a inovação, a qualidade e o know-how português chegam intactos a qualquer mercado. As equipas locais focam-se na execução, na adaptação ao contexto regulatório e na proximidade ao cliente. As certificações internacionais são também um elemento-chave para garantir que o nosso nível de exigência técnica é idêntico em todo o mundo.
A internacionalização obrigou-nos igualmente a construir uma rede sólida de parceiros estratégicos, permitindo-nos operar de forma eficiente independentemente do fuso horário ou da complexidade logística. Mas, acima de tudo, manter o DNA Irmarfer significa assegurar que, perante qualquer imprevisto, e em projetos desta escala eles surgem sempre, a equipa reage com o mesmo profissionalismo, rapidez e profundidade técnica. É esta consistência que faz com que o cliente reconheça a Irmarfer em qualquer continente: pelo rigor, pela inovação e pela confiança que depositamos em cada estrutura que leva o nosso nome.
A Irmarfer investiu fortemente em capacidade produtiva e tecnológica, desde as novas instalações em Freamunde até ao desenvolvimento interno de soluções estruturais complexas. De que forma estes investimentos se traduzem, na prática, em maior competitividade, rapidez de resposta e diferenciação face à concorrência?
Na prática, o reforço da nossa capacidade produtiva traduzse numa vantagem muito clara: capacidade de resposta imediata. Quando um projeto exige uma customização estrutural, não dependemos de fornecedores externos nem de prazos de terceiros. Somos mais competitivos porque otimizamos o consumo de matériaprima e somos mais rápidos porque dominamos toda a cadeia de valor.
Os investimentos realizados, novas instalações, novas linhas de produção e a digitalização de todo o processo de desenvolvimento, deramnos maior autonomia técnica e um timetomarket significativamente mais curto. Conseguimos responder a projetos complexos em semanas, com níveis de precisão e fiabilidade que poucas empresas no setor conseguem igualar. É precisamente esta integração vertical, aliada ao nosso know-how técnico, que sustenta a competitividade e a diferenciação da Irmarfer nos mercados internacionais.

Em projetos emblemáticos, como grandes festivais de música ou estruturas temporárias para eventos de referência, a margem de erro é praticamente nula. Que processos de planeamento, teste e monitorização implementam para assegurar que cada estrutura cumpre os mais elevados padrões internacionais de segurança e fiabilidade?
A segurança é, para nós, absolutamente inegociável e faz parte da cultura da Irmarfer. Cada projeto é preparado com grande rigor, desde a fase de conceção até à montagem no terreno, garantindo que todas as decisões são tomadas com foco total na fiabilidade e na proteção de pessoas e infraestruturas. Trabalhamos sempre com equipas especializadas e altamente treinadas, que acompanham cada etapa do processo e asseguram que tudo é executado com precisão. Esta abordagem, validada ao longo de mais de 25 anos em eventos de grande visibilidade e complexidade, permitenos manter um registo impecável e entregar estruturas que inspiram confiança em qualquer contexto. Não existe margem para compromissos: existe apenas rigor, controlo e responsabilidade. É este compromisso absoluto com a segurança e a qualidade que torna a Irmarfer um parceiro de confiança nos maiores eventos do mundo.
Olhando para o futuro, que tendências identifica como mais transformadoras para o vosso setor – seja ao nível dos materiais, da digitalização de projeto e fabrico, da sustentabilidade ou da polivalência das estruturas – e como se está a posicionar a Irmarfer para continuar a liderar esta mudança a partir de Portugal?
O setor está a atravessar uma transformação profunda, marcada sobretudo por três tendências: sustentabilidade, digitalização integral e polivalência das estruturas. Caminhamos para soluções totalmente reutilizáveis, com menor pegada de carbono e pensadas segundo princípios de economia circular, para processos cada vez mais digitais, suportados por BIM avançado, fabrico inteligente e ferramentas que aumentam a eficiência e a previsibilidade, e para estruturas mais versáteis, capazes de transitar entre uso temporário, industrial, desportivo ou permanente, maximizando o retorno para o cliente.
A Irmarfer está preparada para estas mudanças. Continuamos a investir fortemente na nossa equipa de I&D, a desenvolver soluções mais leves, sustentáveis e modulares, e a manter o controlo total da produção.







