“A biodiversidade é que nos diferencia”

 

José Gonçalves, Presidente

Aljezur é um dos grandes destinos europeus do Turismo de Natureza e conta com mais de 40 km de Costa Vicentina, com as melhores paisagens e praias, assim como habitats naturais, que confirmam a sua grande biodiversidade, tão bem reconhecida por todos aqueles que a visitam anualmente. José Gonçalves, autarca do concelho, explica-nos como mantém o equilíbrio entre as necessidades da população e do turismo.

 

Quais são os seus principais objetivos como presidente da Câmara de Aljezur?

Fui eleito presidente da Câmara Municipal de Aljezur em setembro do ano passado. Para este mandato, temos um programa extenso e ambicioso. Contudo, o momento atual é complexo, com a pandemia e com a guerra na Europa, que nos colocam uma série de desafios. A dificuldade das câmaras municipais mais do que financeira, é na concretização das obras, porque as empresas não respondem ou têm dificuldade em manter os preços. De qualquer forma, temos em marcha um conjunto de projetos: a revisão do PDM (Plano Diretor Municipal) que começou no início deste ano, sendo um documento que nos orienta para os próximos. Os Planos Diretores Municipais da nova geração não se limitam onde se pode ou não construir, abarcam e definem estratégias económicas, estratégias de educação e um conjunto de regras que vão guiar o destino deste concelho nos próximos anos, por isso mesmo é um documento estratégico importantíssimo.

Birdwatching

Por outro lado, foi aprovada recentemente, a estratégia local de habitação que nos coloca à disposição cerca de 10 milhões de euros para resolvermos as questões relacionadas com a possibilidade de um cidadão ter acesso a uma habitação condigna e a um preço acessível. Em consequência da pandemia, estes territórios sofreram com uma forte procura de todo o mundo e, obviamente, que tem chegado gente que quer instalar-se e, dessa forma, os preços têm disparado. Na verdade, a procura em termos de compra, nesta região, tem sido muito grande, essencialmente pela qualidade de vida, pelo contacto muito direto com a natureza, pela beleza das paisagens, por um conjunto de produtos de excelência e, acima de tudo, pela segurança. Nestes últimos dois anos, temos sentido que a grande sazonalidade, uma marca indelével do Algarve, esbateu-se bastante. O Turismo de Natureza, os caminhantes, os desportos como o Surf ou o BTT, vieram trazer pessoas ao território durante todo o ano.

Em termos de ordenamento do território, temos desafios grandes como a necessidade de revisão do Plano do Parque do Sudoeste Alentejano da Costa Vicentina e do Plano de Orla Costeira, porque é necessário atualizar esses território às necessidades dos dias de hoje e preservar a natureza, deixando um legado importante para as gerações vindouras. Essa tem que ser a missão, podermos usufruir, usar, mas também conservar, é um grande desafio.

Paralelamente, há uma necessidade de aumentar a capacidade de estacionamento desta zona da vila, para desenvolvermos um projeto na zona histórica,  pretendemos ainda a criação de um novo edifício para Paços do Concelho, melhorar o Mercado Municipal, criar infraestruturas nos nossos loteamentos, que a par de uma política de venda de lotes a preços muito baixos,  permitam a fixação de jovens. Uma das nossas ambições passa também por ter escolaridade até ao ensino secundário. O desafio é a restruturação dos serviços, nomeadamente a educação e a saúde, porque temos muita dificuldade em conseguir médicos para a nossa região. Temos dois jovens médicos ao quais a autarquia está a pagar uma casa, porque a prioridade é dar qualidade de vida aos nossos habitantes. A construção de um novo quartel da GNR e a resolução dos problemas inerentes à Urbanização Vale da Telha são outros objetivos a cumprir durante este mandato.

O concelho de Aljezur quer ser cada vez mais conhecido pelo seu habitat natural, pelas suas paisagens e praias, que constituem uma mais-valia para o município, longe do turismo de massas?

Aljezur tem 40 km de costa com uma qualidade ímpar. As praias deste concelho são excelentes, a biodiversidade é que nos diferencia, quer no litoral ou na serra e isso tem permitido potenciar negócios relacionados com o turismo, nomeadamente ligados aos produtos endógenos como a batata-doce, o amendoim, o mel e o peixe, muito apreciados por quem visita estas paragens. Para isso, é necessário criar condições para receber essas pessoas. No verão temos muita gente, no inverno mantêm-se os negócios. A nossa capacidade em termos de oferta turística, entre hotéis e alojamentos rurais, não é muito vasta, mas vai permitindo a sustentabilidade destes territórios que conseguem manter os seus negócios.

Sabemos que existe uma aplicação destinada a turistas, que dá a conhecer o que Aljezur tem para oferecer, quer em termos gastronómicos, quer em pontos de interesse, essa ferramenta também é importante?

Sim, cada vez mais, quem viaja prepara tudo on-line. Tanto que cada vez se fala mais da necessidade de termos boa rede por todo o território e termos tudo na mão para desfrutar é fundamental. No concelho, temos pequenos núcleos museológicos, pontos de paragem interessantes, além da natureza, dos produtos gastronómicos e das experiências de aventura como o Surf e o BTT.

 

Que locais aconselharia a visitar no concelho?

Aljezur tem muito para oferecer, mas provavelmente aconselharia a visitar um moinho muito bem recuperado em Alto Seixo, uma adega museu na qual temos um projeto em desenvolvimento para a melhorar e um circuito cultural, os pequenos núcleos museológicos, que fazem um circuito com o castelo. Além disso, o Museu Municipal com vários núcleos de arqueologia e etnografia, o Museu de Santo António, o Museu José Cercas e a Igreja Matriz com um museu ligado à arte sacra. Mais a sul, o Museu do Mar e da Terra na Carrapateira que conta a história da gente daquela zona, mas também o Pontal da Carrapateira, uma zona paisagística fantástica com duas praias, bem como o Ribat de Arrifana, que constitui o mais impressionante e historicamente importante conjunto religioso islâmico no Ocidente da Península Ibérica.

Em termos de eventos, vale a pena visitar o Festival da Batata Doce que traz muita gente a Aljezur no final de novembro.

 

São várias as atividades ao ar livre e é possível ver os caminhantes que visitam Aljezur e exploram o território. Quais são os projetos direcionados para esse nicho?

Dois projetos muito interessantes são a Rota Vicentina e a via Algarviana. A Rota Vicentina é feita pela costa e existem trilhos circulares onde as pessoas podem pernoitar com pontos de interesse e isso veio dar uma grande notoriedade ao território. O programa Lavrar o Mar tem cerca de cinco anos e conta com uma associação que tem trazido, sobretudo na época baixa, espetáculos muito interessantes ao nosso concelho.

 

Como gostaria que fosse reconhecido Aljezur pelos turistas?

O desafio hoje em dia é ter atividades que não dependam apenas do turismo. Acima de tudo, estas regiões são reconhecidas pela sua qualidade ambiental, pela sua biodiversidade e pela maneira como são recebidas as pessoas. As competências das câmaras estão muito centradas nas pessoas.

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