PUB

A arte de liderar com presença e paixão

Data:

Partilhar

Joana Grácio, Fundadora e CEO da Bloomer, celebra duas décadas de um percurso marcado pela coragem de se reinventar. O que começou como Tox’Inn, uma produtora de eventos com os pés firmes no terreno, evoluiu para a Bloomer – um verdadeiro organismo vivo, movido pela inquietação criativa e pela vontade de conectar pessoas, marcas e histórias com propósito. À frente de uma empresa que muitos apelidam de “parceiro 360º”, Joana prefere descrevê-la como “365 com pulso”: uma marca que não entrega apenas experiências, mas provoca presença, emoção e impacto real. Nesta conversa, partilha o ADN que sustenta a Bloomer, o equilíbrio entre inovação e valores humanos, e a forma como lidera – com rigor, empatia e a certeza de que o futuro do setor dos eventos passa, acima de tudo, pelo poder das pessoas.

A Bloomer começou como Tox’Inn e evoluiu ao longo de 20 anos. Quais foram os principais marcos que definiram esta transformação e como se mantiveram inovadores num setor tão competitivo como o dos eventos?

Começámos como Tox’Inn, com os pés bem assentes no terreno e a vontade de ir mais longe. E fomos. Mais do que eventos, quisemos desde sempre criar ligações com presença e critério. Estivemos em todo o país, levámos oportunidades onde anteriormente não havia espaço e criámos uma app própria muito antes de isso ser tendência. Acreditamos no rigor – para quem contrata e para quem representa. Sempre recusei o conformismo. A inovação e a tecnologia são aliadas, mas é a inquietação que nos move. Essa inquietação saudável levou-nos a transformar a Tox’Inn na Bloomer. Não mudámos de essência, mudámos de pele – para refletir quem realmente somos: um organismo vivo, feito de pessoas, ideias e emoção. Somos raiz, mas somos também renascimento.

 

 

Joana Grácio, Founder e CEO

 

Muitos consideram a Bloomer um parceiro 360º no mundo dos eventos. Na sua visão, qual é o elemento-chave que diferencia a Bloomer de outras empresas do mesmo segmento?

Chamam-nos “parceiro 360”, mas preferimos dizer que somos 365 com pulso. O nosso diferencial não está no que prometemos – está no que provocamos. Há muitas empresas com planos, poucas com alma. O nosso “little extra” não se ensina – vive-se. São os detalhes que ninguém pediu mas todos sentem. Sabemos que sem as pessoas certas ao nosso lado – internas, externas, embaixadoras ou clientes – nenhuma ativação é realmente memorável. Fazemos questão de passar a nossa visão a quem nos representa. Queremos que cada pessoa no terreno se sinta parte de algo maior, com orgulho genuíno. Representar uma marca não é um favor, é uma missão. E quando todos dançam ao mesmo ritmo, o resultado é sempre extraordinário.

A Bloomer destaca que é “a ponte entre ideias e ação, conectando pessoas, marcas e histórias”. Como se consegue, na prática, transformar essa filosofia em experiências memoráveis para os clientes?

Dizer que somos “a ponte entre ideias e ação” só faz sentido se essa ponte for percorrida com verdadeiro fulgor. A teoria só ganha vida quando quem ativa entende, sente e representa a marca com verdade. Não basta entregar bem – é preciso provocar emoção. Cada ativação nossa é uma oportunidade de criar um momento que se recorda, seja pelo sorriso de quem passa, pela surpresa de quem interage, pelo impacto de quem observa. Tudo começa com escuta ativa: o que quer a marca? O que move esta ação? O que queremos que fique? A nossa filosofia traduz-se em ação – e cada ação é uma história que se vive com os cinco sentidos.

Num setor em constante evolução, como equilibra a necessidade de inovação com a fidelidade aos valores e propósitos das marcas com que trabalha?

A inovação sem valores é barulho e tradição per si, sem inovação, é peso. O nosso caminho é o equilíbrio entre os dois. Sabemos de onde viemos, quem somos e o que nos move. Não deixamos que a tecnologia nos desligue da nossa forma de estar, 100% humana. Pelo contrário: usamos a inovação para amplificar ligações reais. Sabemos que não somos máquinas, e não queremos sê-lo. Acreditamos no poder das pessoas. Valorizamos quem está connosco – promovemos, escutamos, envolvemos. É com essa base sólida de valores que temos liberdade para criar, arriscar e crescer. Mantemos os pés na terra, mas o olhar nas nuvens. E é assim que florescemos, a cada dia, a cada projecto.

Receber o prémio da Eventex é um marco significativo. Que impacto acredita que este reconhecimento tem para a empresa e para o setor de eventos em Portugal?

Receber um reconhecimento da Eventex não é apenas ganhar um prémio – é pôr Portugal no mapa global do marketing de experiências. É mostrar que se pode fazer bem com emoção e presença. É um orgulho nacional e uma responsabilidade acrescida. Sim, eleva as expectativas – e sim, isso faz-nos vibrar. Porque não estamos aqui para cumprir mínimos – estamos para ultrapassar expectativas. Este reconhecimento mostra que o nosso trabalho tem impacto e que o nosso extra effect se sente para lá das fronteiras. Mais do que um troféu, é um empurrão para continuar a desafiar o setor e a inspirar quem ativa com rigor, com profissionalismo e seriedade.

Enquanto empresária de sucesso, quais têm sido os maiores desafios e aprendizagens ao liderar uma empresa inovadora num mercado exigente e predominantemente masculino?

Liderar não é mandar. É conhecer, escutar e ajustar. Numa indústria exigente – e ainda marcada com poder de decisão predominantemente masculino – liderar com presença e empatia continua a ser um desafio. É preciso sensibilidade para entender que cada pessoa da equipa é única. O equilíbrio entre exigência e cuidado não é fácil, mas é essencial. O mundo pede mais produtividade, mais rapidez, mais tudo. Mas não podemos deixar que isso apague a nossa humanidade. Acredito numa liderança que humaniza, mas que também é clara nos limites. O bem-estar da equipa não é um luxo – é o que garante que o trabalho é feito com alma. E isso, para nós, é inegociável.

Como gere o equilíbrio entre a exigência de liderar uma empresa de sucesso, a vida social e os compromissos pessoais? Que estratégias considera essenciais para manter esse equilíbrio sem comprometer a performance?

Sou empresária, mãe, mulher, líder – e não abdico de nenhuma dessas dimensões. O equilíbrio não se encontra, constrói-se. Todos os dias, sim.

Há dias em que a empresa exige mais, outros em que é a família que precisa de mim – e está tudo bem. O importante é estarmos presentes onde precisamos estar.

Recuso a ideia de que para ser bem-sucedida, tenho de abdicar da vida pessoal. A maternidade ensinou-me mais sobre gestão emocional do que qualquer curso (pese embora seja indubitável o valor da formação). E reforçou a minha certeza: as múltiplas Joanas que sou não se anulam – completam-se. O segredo? Escolher com consciência. E assumir que, às vezes, é no descanso que nascem as melhores ideias e por vezes caminhos também.

 

 

 

Após 20 anos de sucesso e evolução, qual é a visão da Bloomer para os próximos 5 a 10 anos? Que novos caminhos ou áreas pretendem explorar?

Vemos um futuro cada vez mais automatizado, mas não menos humano. Porque a tecnologia pode ser ferramenta – mas a emoção continua a ser diferencial. E é nessa interseção que queremos estar.

Queremos liderar o marketing de experiências com uma abordagem cada vez mais sensorial, relacional e estratégica. Não queremos promotores de marca – queremos embaixadores. Pessoas que representem com intenção, que ativem com alma. Vamos continuar a crescer com critério, mantendo o que nos torna únicos: presença, cultura e impacto real. Porque no fim do dia, o que fica… é o que se sente, e isso não se esquece.

A Bloomer enfatiza valores como excelência, paixão, inovação e colaboração. De que forma estes valores se traduzem no dia a dia da equipa e na entrega de eventos de qualidade superior?

Falar de valores é fácil. Viver e fazer viver os valores todos os dias… aí está o desafio. Mas é isso que nos move.

Excelência, paixão, inovação e colaboração não são chavões na parede – são decisões diárias. Funcionamos como equipa de verdade: sem egos, sem hierarquias paralisantes, com presença e entreajuda. Celebramos cada vitória – da maior ativação ao gesto invisível no bastidor. Temos orgulho em cada pessoa que veste a nossa camisola, ocupe ela o lugar que ocupar. Porque o nosso “Extra Effect” começa dentro de portas. E quando é real cá dentro, transborda naturalmente para fora.

Que conselho deixaria para mulheres que aspiram a liderar empresas de sucesso, especialmente em setores criativos e desafiantes como o dos eventos?

Não peças licença. Não peças desculpa por sonhar alto. O teu lugar é onde fizeres questão de estar – e onde verdadeiramente trabalhares para estar.

Vais cair, mas levanta-te com mais convicção. Cada erro é um degrau. Cada obstáculo, uma oportunidade de crescer. Liderar exige resiliência, mas também vulnerabilidade. Dá-te espaço para aprender, mas exige que te levem a sério. E nunca deixes que te convençam de que emoção e liderança não combinam. Combinam sim – e são elas que fazem a diferença. Sê presença. Sê voz. Sê ação. E, acima de tudo, sê fiel a ti mesma.

Newsletter

Últimas Edições

Artigos Relacionados

This will close in 5 seconds