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Voz do consumidor define o futuro das marcas

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Nassrin Majid, Diretora-Geral da ConsumerChoice, destaca os recordes da Escolha do Consumidor 2026 como sinal de confiança crescente dos portugueses nas marcas, impulsionada por um modelo consumer-driven que prioriza experiência real, sustentabilidade e transparência.

Em 2026, a Escolha do Consumidor volta a bater recordes em número de marcas avaliadas e volume de avaliações realizadas pelos portugueses, reforçando o seu papel como sistema líder de avaliação em Portugal. Que leitura faz destes resultados e do impacto que têm na confiança do mercado e das próprias marcas?

Quando a Escolha do Consumidor bate novos recordes, a primeira leitura que faço não é quantitativa. É qualitativa. O que estes números realmente representam são pessoas. Consumidores que decidiram partilhar a sua experiência e empresas que aceitaram ser avaliadas com base em critérios definidos pelos próprios consumidores.

Quanto maior é a participação de consumidores e marcas no processo de avaliação, mais claro se torna aquilo que realmente está em causa: não é notoriedade, é credibilidade. E a credibilidade não se compra, constrói-se. Constrói-se com transparência, com rigor e com a coragem de aceitar que sejam os próprios consumidores a avaliar aquilo que as marcas entregam no dia a dia. Hoje vivemos num mercado onde há cada vez mais comunicação e, paradoxalmente, cada vez mais dificuldade em perceber em quem confiar. Os consumidores estão rodeados de promessas, campanhas e narrativas cuidadosamente construídas. No meio desse ruído, aquilo que procuram são referências que lhes permitam decidir com confiança.

O crescimento consistente no volume de avaliações mostra precisamente isso: os portugueses querem ter voz no mercado. Querem participar, comparar, avaliar e influenciar. Já não querem apenas ouvir o que as marcas dizem sobre si próprias. Querem perceber o que outros consumidores realmente experienciam.

Para as marcas, este crescimento é igualmente revelador. Mostra que compreenderam que a legitimidade hoje não se constrói apenas com investimento mediático, mas com validação externa e com a capacidade real de responder às expectativas do consumidor. O selo deixa de ser apenas um elemento distintivo e passa a ser um reflexo desse alinhamento.

Superar recordes é naturalmente importante. Mas aquilo que verdadeiramente valorizamos é perceber que estamos a consolidar um sistema que o mercado reconhece como referência não pelo que dizemos, mas pelo que conseguimos comprovar através da experiência real dos consumidores.

 

Nassrin Majid, Diretora-Geral

 

 A metodologia da Escolha do Consumidor assenta em estudos independentes e estatisticamente representativos, começando sempre pela identificação dos atributos que os consumidores realmente valorizam em cada categoria. De que forma este modelo, consumer‑driven, diferencia a ConsumerChoice de outros sistemas de avaliação e que vantagens concretas traz para as empresas que participam?

Uma das maiores diferenças da Escolha do Consumidor está na forma como começa o processo. Antes de avaliar marcas, ouvimos pessoas. A nossa metodologia parte sempre de uma pergunta simples: o que é que realmente importa para os consumidores quando escolhem um produto ou serviço dentro de uma determinada categoria? São essas respostas que nos permitem identificar os atributos mais relevantes e construir um modelo de avaliação que reflete expectativas reais, e não critérios definidos internamente.

É precisamente aqui que reside a essência de um modelo verdadeiramente consumer-driven. O consumidor não entra apenas na fase final da avaliação ele participa desde o início, ajudando a definir aquilo que será medido. Isto diferencia-nos de muitos outros sistemas de reconhecimento no mercado, onde os critérios de avaliação são previamente definidos por especialistas ou entidades organizadoras. No nosso caso, os critérios nascem do próprio mercado. Para as empresas, isto traz vantagens muito concretas. Em primeiro lugar, garante que estão a ser avaliadas com base naquilo que realmente influencia a decisão de compra dos consumidores. Em segundo lugar, permite-lhes compreender com maior profundidade quais são os fatores que geram satisfação e preferência dentro da sua categoria. Mais do que um selo, o processo acaba por funcionar também como uma ferramenta de gestão. Ajuda as marcas a perceber onde estão a responder bem às expectativas do consumidor e onde ainda existe espaço para evoluir. No fundo, aquilo que fazemos é transformar a voz do consumidor em critério de avaliação. E quando isso acontece, o reconhecimento que resulta do processo ganha um nível de legitimidade que dificilmente poderia ser construído de outra forma.

A ConsumerChoice tem vindo a alargar o seu portefólio de distinções, espelhando novas preocupações dos consumidores e das empresas. Como é que esta diversificação responde à evolução do consumo em Portugal e que oportunidades abre para as marcas que procuram posicionar‑se em áreas como sustentabilidade, tecnologia ou experiência de trabalho?

​O consumo mudou muito nos últimos anos. Hoje, os consumidores não avaliam apenas produtos ou serviços avaliam também o impacto, os valores e a forma como as empresas se posicionam na sociedade.

Foi precisamente essa evolução que nos levou a alargar o portefólio de distinções da ConsumerChoice. Trata-se sobretudo de acompanhar novas dimensões que passaram a influenciar a relação entre consumidores e marcas. Temas como sustentabilidade, tecnologia ou bem-estar no trabalho passaram a fazer parte da forma como as pessoas avaliam as empresas. Hoje, os consumidores olham para as marcas de forma mais abrangente e valorizam não apenas aquilo que oferecem, mas também a forma como atuam e o impacto que geram. Ao criar distinções específicas para estas dimensões, estamos a dar resposta a uma realidade muito clara: os consumidores procuram cada vez mais marcas que sejam coerentes entre aquilo que dizem e aquilo que fazem. Para as empresas, esta diversificação abre oportunidades importantes de posicionamento. Permite reconhecer e valorizar áreas que muitas vezes fazem parte da estratégia das organizações, mas que nem sempre são visíveis para o mercado.

Ao mesmo tempo, cria um enquadramento de avaliação independente que ajuda a tornar essas práticas mais credíveis e reconhecidas pelo mercado. No fundo, aquilo que procuramos é acompanhar a evolução do próprio consumo. À medida que as expectativas dos consumidores se tornam mais amplas e exigentes, também os instrumentos de avaliação precisam de evoluir para refletir essa nova realidade.

Observando o conjunto de categorias e marcas distinguidas na edição de 2026, que sinais diria que os consumidores portugueses estão a enviar às empresas em termos de atributos mais valorizados, exigência de experiência real e coerência entre promessa de marca e prática?

Quando olhamos para os resultados da edição de 2026, aquilo que vemos não é apenas um conjunto de marcas distinguidas. Vemos sinais claros sobre a evolução do mercado.  De forma consistente, os consumidores portugueses continuam a valorizar atributos muito concretos: qualidade do produto ou serviço, relação qualidade-preço, confiança e experiência. Mas aquilo que se tem tornado cada vez mais evidente é que já não basta cumprir o básico. A experiência precisa de ser consistente, simples e verdadeira.

Hoje, os consumidores são muito mais atentos à diferença entre aquilo que as marcas prometem e aquilo que realmente entregam no dia a dia. Pequenos detalhes na experiência, no atendimento, na transparência da comunicação ou na capacidade de resolver problemas têm um peso crescente na forma como as marcas são avaliadas.

Mas há também uma dimensão que se tem tornado cada vez mais evidente: a relação emocional que os consumidores constroem com as marcas. Já não se trata apenas de cumprir atributos funcionais. As pessoas procuram marcas com as quais se identificam, que lhes transmitam confiança e com as quais sintam algum tipo de ligação.

Que visão ambiciona para a ConsumerChoice nos próximos anos, num contexto em que o consumidor português se torna cada vez mais digital, consciente e exigente em termos de transparência e sustentabilidade, e como pensa adaptar os sistemas de avaliação para continuar a ser a referência nacional neste domínio?

Acredito que o futuro da ConsumerChoice passa por reforçar aquilo que sempre esteve no nosso ADN: ouvir o consumidor e dar à sua experiência um papel central na forma como avaliamos as marcas.

O contexto está a mudar rapidamente. O consumidor português é hoje mais digital, mais informado e mais consciente do impacto das suas escolhas. Espera transparência, coerência e uma experiência real que corresponda àquilo que as marcas comunicam.

Perante esta evolução, a nossa ambição é continuar a reforçar o papel da ConsumerChoice como uma referência independente na avaliação de marcas em Portugal. Isso implica não apenas manter o rigor metodológico que nos caracteriza, mas também evoluir continuamente os sistemas de avaliação para acompanhar novas expectativas e novas dimensões do consumo.

Um exemplo dessa evolução é a criação da ConsumerChoice Experience, um espaço pensado para aproximar ainda mais o processo de avaliação da experiência real do consumidor. O objetivo é permitir que produtos e serviços possam ser testados, experimentados e avaliados em contexto real, reforçando a dimensão prática e tangível da avaliação. Acreditamos que esta aproximação à experiência direta permite gerar conhecimento mais profundo sobre a forma como as pessoas interagem com as marcas e como essas experiências influenciam a sua perceção e preferência.

Ao mesmo tempo, queremos continuar a evoluir a forma como avaliamos as marcas, acompanhando as mudanças no comportamento do consumidor e nas expectativas do mercado. O contacto constante com os consumidores através dos nossos estudos permite-nos compreender melhor o que influencia as suas escolhas e perceber, muitas vezes antes do próprio mercado, quais são as dimensões que começam a ganhar relevância. No fundo, a nossa visão mantém-se clara, continuar a ser a referência de confiança para consumidores e empresas. Porque acreditamos que, quando a experiência real das pessoas é ouvida e valorizada, não estamos apenas a avaliar marcas estamos a ajudar a construir um mercado mais transparente, mais responsável e mais próximo daquilo que os consumidores realmente esperam.

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